terça-feira, 30 de novembro de 2010

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Baixa estima que causam os homens

Ele vai deixá-la, eu sei...
Vai abandoná-la sem piedade,
Por ela não ter mais aquela idade...
Por ela não ser mais perfeita,
Não ser bela como a princesa
E por não mais exalar flores como a natureza.
Se o seu aroma fosse de rosas
E os seus lábios, rubros, e formosa,
Se os seus cabelos fossem doirados
E tranças longas recendendo,
Em véu pela torre irias descendo...

Tatiane Sales
(Minha poesia)

...

domingo, 28 de novembro de 2010

Realizar

... E na vida de tantos sonhos, acordar!
E que a realidade que se enxergar agora,
Seja o antes esperado, tão sonhado...


Tatiane Sales
(Minha poesia)

...

sábado, 27 de novembro de 2010

Ação!

"Ser não é somente pensar, ser é agir o pensar. Ser é criar a ideia depois de imaginá-la,  senão a arte se perde. Assim como a bondade está no ato de ser bom, pois bondade sem ação é descaso. Quando não há ação, a ideia e o sentir se perdem...".
TSales

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Encanto

Quis-te até mesmo quando eu não queria,
Mesmo quando eu não te conhecia,
O tempo todo eu te pedia.
Chamava-te nos sonhos sem saber seu nome,
Vi-te em devaneios sem distinguir, sem rosto.
Só percebia os gestos finos e a postura nobre...
Eu senti seu cheiro doce no vento da tarde,
No frescor do outono que a brisa trouxe.
O seu corpo eu via nas formas do tempo,
Que o vago mostrava que algo me faltava.
Quando eu te neguei foi por medo apenas,
Quis te perder antes que eu meu perdesse...
Mas tudo o que eu quero foi colocado em ti,
Tudo o que eu preciso para ser feliz.
Desde os seus cabelos ao seu corpo alvo,
Fascina-me o seu sorriso, amo quando ri...
Sua voz é suave até quando não fala,
No silêncio cheio de você me cala...
E quando cantando tão sutil demonstra,
Que por mim se importa, seu cantar me toca.
Ao tocar seu canto o meu corpo sente
Deveras sintonia de coração e mente,
De música e Arte,
De tudo, somente...
Tatiane Sales


(...)

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Tecnologia lúdica (vintage)

Cada mensagem enviada,             
Cada palavra em torpedos,
Uma emoção digitada
Um conforto para os meus medos.


Esperança renovada
De fazer sentido à vida,
Quando o telefone tocava
E a voz dizia "querida"...


O toque que me avisava,
Que era ele do outro lado
E quando nada mais restava,
Telefonava o meu amado.


Nas mensagens de texto
Este amor se propagava,
Mas me dava desespero
Quando a bateria descarregava...


Tatiane Sales
(Minha poesia)


...

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Encontro

O que há para dizer-te, senhor?
Penso ideias, recordo falas,
Ouvindo o seu preferido, Sebastian Bach...
Numa noite de sábado fria com luar.
Há uma augusta virtude na Rua Augusta andar
Com um senhor tão intrigante pela madrugada a vagar.
E numa mesa de bar, filosofar...
Uma mera de ternura me tem aquecido e encantado
Com suaves lembranças a recordar.
Em minha memória uma madrugada fria, mas aquecida,
Interessante a lembrar...
Tatiane Sales
(Minha poesia)
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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Chegada

Quando eu te encontrar no mar azul da felicidade,
Quando você me achar em meio à contrariedade,
Quando você desembarcar em rumo prol desta cidade,
Encantar-me-ei da vida e farei do sonho, realidade,
De ver na vida sentido num mundo de iniquidade,
Saber que Deus ainda existe e que no escuro há milagre...
Tatiane Sales

...



(Minha poesia)

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Desencontros

E todas essas folhas dos livros e outonos
Serão tristes e voarão fugidias pelas tardes
Porque longe não posso chorar sobre seu ombro
Que entende o meu pranto dessa intensa tempestade.
E todas as auroras das manhãs quando eu acordar
Serão tristes nos anos da maldita eternidade
Porque longe não posso com um beijo te acordar
Que entende os meus lábios delicados de saudade...
E todas essas músicas que do piano irão fluir
Serão tristes e soarão como gemidos pela casa
Porque longe minha melodia você não poderá ouvir
Que entende a dor do que carrego em minh'alma...
E todas essas noites estreladas com luar
Serão tristes no vago guardado na memória
Porque longe não posso sua mão branca segurar
Que entende ao tocar minha poesia merencória...
E todas as viagens que eu fizer em meio ao mundo
Serão tristes e incompletas imagens de fotografia
Porque longe não posso ver no seu olhar profundo
Que entende os meus anseios de arte e filosofia!
E todos os desejos do meu corpo e meu amor
Serão tristes e nobres torrentuosos como o mar
Porque longe não pode sentir o meu calor
Que entende a odisseia que seria te amar!
E todos os caminhos que eu trilhar em minha vida
Serão tristes e sombrios sem entender qual foi o erro
Porque longe não podemos passar juntos nossos dias
Que entende o desencontro de duas almas em degredo...
Tatiane Sales
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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Olhos de céu

Abriu a cortina antiga,
Por que será que a luz entrou?
Ouvi uma voz amiga,
Que com ternura me acordou...

Ele veio sorrateiramente
E deitou-se ao lado meu,
Dizendo-me docemente:
Acorda-te do seu breu...

Ainda de olhos fechados,
Eu sentia sua respiração.
Contendo emocionada
Minhas lágrimas de emoção.

Meus cabelos afagando
Com o toque das suas mãos
E calmamente revelando
O amor do seu coração

Dizendo: Moça de lábios rosados
Que Deus pôs na minha vida
Olhava-te dormir, acordado,
Velando-te na noite infinda.

Os maus sonhos, extingui,
E os perigos da escuridão,
Quando minhas asas abri,
Envolvendo-te em proteção.

Abri meus olhos lentamente,
Vi o céu azul nos olhos seus.
Ao meu lado, ali reluzente,
Era um Anjo enviado por Deus...

Tatiane Sales
(Uma singela poesia aos olhos azuis do meu broto)
...




Uma noite longa p'ra uma vida curta, mas já não me importa, basta poder te ajudar...



Tens espírito de uma flor de lótus azul...

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Deveria, deveras

Sinto tanto pelo pranto
Que te causei, moço inocente,
Que tão doce era... E deveras
Eu preservar-te, porém, vai-te.
Foi-se cedo com o receio
De eu ferir-te se não fosses,
Mas tu mal sabias que irias
Levando tudo o que é belo e doce.
Quais alegrias, tu me darias?
Moço diferente, inocente,
Se tu lutasses e então ficasses
Mostrando as frases de teus olhares,
Envolvendo-me, tendo-me,
Explicando-me, ensinando-me,
Fazendo desta minha vida sofrida
Poesia de amor, não de dor.
Mudando minha sina maldita,
Para uma linda história de amor.
Porém docemente foi-se...
TSales

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Insônia















Ela me atrai com a sua cor castanha,
E seu mistério negro a obscura estranha.
Sei que ela está lá fora, pálida e branda,
A noite solitária pela amante chama...

Por companhia, por desejo, pela bela clama.
Então fujo na noite que igual a mim leviana,
Funde-me o corpo quente, mescla, ufana,
E o relento refresca minh'alma em chamas!

Amálgama libertinagem, duas párias damas,
Libidinosas lésbicas confidentes tramam.
Ao perder-me na noite a noite me ganha,
Envolvendo e seduzindo me corrompendo engana.

Ela me toca, me sussurra no ouvido infâmias,
Sacio-me da noite impura dessa mulher insana.
Ela me excita, porque me incita como uma tirana,
Entrego-me a ela e supro-a como uma profana...


Tatiane Sales
(Minha poesia)
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A dama da noite desabrocha uma vez por ano e após o desabrochar, morre.

domingo, 14 de novembro de 2010

Provérbio irônico

O sol é um astro tão imenso, não?
Mas é possível de onde estarmos
Tapar o sol com a mão.
Tenta, é fácil, o poder está na força da imaginação!
E enfim acabará sua preocupação...

Tatiane Sales
(Minha poesia)

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sábado, 13 de novembro de 2010

Deus

Minha fé resumia-se encontrar um Deus para culpar.
Eu precisava justificar a ínfima vida que levava,
blasfemando o seu nome nas penumbras e noites de tormenta;
eu o condenei.
Ouvia falar de um Deus austero, mas eu me negava crer
num Deus preconceituoso que pune as diferenças;
eu o recusei.
E na busca me apresentaram um Deus bondoso, que
perdoa até as piores das falhas;
eu o lamentei.
Mas na escuridão medonha em que senti dores terríveis
de medo, de frio, desesperada e desgraçada,
sozinha na tempestade, num raio eu supliquei;
e dele precisei.
Filosofei, pensei em Deus e percebi que ele era uma idéia
poderosa e vingativa para uns, uma idéia bonita, sublime e
cômoda para outros, de acordo com suas necessidades e conveniências;
eu o questionei.
Anulei o Deus que criamos e comecei a descobrir o Deus
que me criou. Ele estava em mim cercado e ocultado por
idéias, conceitos e tradições;
à medida que eu as removia,
eu o descobria...
E em mim, o encontrei.

Tatiane Sales
(Meu poema)

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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Procura




Andar, andar, andei
Eu procurei por toda parte
Não encontrei um só lugar
Em cada porto e cidade não vi você.


No mar, o mar, o mar
Eu naveguei por tanto mar
E naufraguei ao acreditar
Que a solidão do imenso mar
Trouxesse a paz.


Pensei
Que encontrando você talvez
Toda tristeza do mundo que sei
Fosse embora num segundo eu achei
Que bastaria você e eu...


Errei
O que eu queria já estava em mim
O céu, a terra, você, enfim...
Todo esse tempo que percorri
Era o que procurava
Não vi.


Daniel Carlomagno




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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Limbo


                                              
"Ouvi um sábio dizer: Peguei a estrada menos usada, e isso fez toda a diferença cada noite e cada dia...".

Ah! Angústia... Angústia...
É uma mão vinda do limbo, que atravessa meu peito e aperta meu coração desta forma! Vinda do inferno deste próprio mundo, onde pessoas machucam como pecados do qual sou punida e tenho que pagar. Do inferno do Universo que há em mim, que não posso pôr para fora, porque ninguém entenderia.
Da maldição do que meu ânimo permite-me ser, pois cada movimento meu é calculado, como abrir a janela pela manhã e fazer o café matinal, puxar a maçaneta da porta e sair. Ultimamente nada me emociona, apaixona ou surpreende, exceto a paisagem artística da criação de Deus... E o som, a música linda que algumas vezes consigo ouvir intrínseca na poluição sonora. Ah, mas o homem! Se as escrituras bíblicas são de fato; criação em que o próprio Deus queimou em Sodoma e Gomorra, afogou no dilúvio, perdoou em Cristo e condenou em Apocalipse! Se o próprio Deus desiludiu-se e se decepcionou com o homem, por que eu devo aceitar o ser humano?
O meu gênio não é, porque minha amotinação é; no limbo do meu desânimo em viver que impede de ser o que sou naquele meio. É uma sensação de que não vale a pena expor mais. Hoje presenciei a podridão, o cinismo, a putrefação do caráter! Ser? Querer aceitação? Sou nesse inferno o que é ser diferente desse inferno. Vejo pequenas e grandes maldades, que no final terão a mesma dimensão.
Como é difícil sentir o que sinto, ver da forma que vejo e o pior, ouvir das pessoas o que ouço!
Ultimamente tenho falado pouco, observando e escutando.
Se possível fosse eu não existir, desta forma o faria e nada seria, não lá. Onde estão os bons homens?
Essa mão ultrapassa meu peito, aperta-me o coração, mexe com meus órgãos internos adoentando-me, e ainda tenta tocar meu espírito com o intuito de macular-me, corromper-me.
Sigo na mera irrelevância pacata de sobreviver da forma certa, ou ao menos e somente continuar vivendo, tentando de alguma forma fazer diferença agindo com bondade. Só que de fato como li, meu ato não será entre mim e os homens, e sim entre mim e Deus. Consola-me pensar assim...
Sigo, mesclando numa miserável nobreza, numa misantropia gentil.
Mesclando em desejar morrer, mas continuar vivendo e tolerando... Num limbo tolerando.

Tatiane Sales
(Minha melancolia)

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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

E novamente o sono não vem...

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Metáfora da falha

Por que de repente torna-se tão difícil respirar?

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Virgindade

Minha rosa em botão está prestes a florir;
Orvalho...


Tatiane Sales
(Minha poesia)

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domingo, 7 de novembro de 2010

Noiva da cidade do jardim da infância

Flores rosas e anis...
Num jardim de âmbar gris,
Tu colhias tão feliz
E o espinho por um tris
Não ferira-te o nariz!
Quando cheiraste a flor de lis,
Sentindo o aroma da raiz.
Foi justo ela quem não quis,
Que os espinhos danos vis
Te sangrassem tão hostis.
E os cortes pela lis,
Contigo foram gentis.
Para que nessas noites febris,
Criando poemas com giz
Tu não rimasses em versos que maldiz,
Que o jardim de sonho em Paris
É mais belo que as Campinas juvenis
Em que tu nasceste e cresceste
Mas que o fizeste tão infeliz...

Tatiane Sales
(Minha poesia)

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sábado, 6 de novembro de 2010

Intacta

Sophia quando pequena
Fitava pela janela
Pálida que dava pena
Sol não tocava a pele dela.

Em meio à estampa de flores
Da delicada cortina
Soprava ao vento os odores
Do perfume de menina,

Que aos poucos ia crescendo
Num corpo desabrochando
Por trás d'um vidro vendo
A vida passar pelos anos.

Moça brotando beleza
No auge da juventude em flor
Não saiu p'ra exalar natureza
Não viveu p'ra morrer de amor.

Da janela observando
Achava tudo sem sentido
Esse vai e vem de humanos
Que se tocavam e não temiam perigo.

Ela olhava e tentava entender
Toda aquela erupção de libidos
Uns aos outros que se faziam sofrer
E que num caos se amavam aos gritos!

Tatiane Sales
(Minha poesia)

...

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Fracasso


Sinto um frio doentio
Choro todas as noites
Eu tinha tantos sonhos nobres
E hoje o que restou?
O que sobrou?
Quantos anos me escondi
Em mim...
Quanto tempo nada fiz
Diz?
Tranquei-me num mundo à parte
Não desenvolvi minh'arte
Só dormi é o que me lembro
Chorei bastante, um choro lento.
Também sofri angústias noites
Ouvindo o vento vindo do norte
Eu desejava um sopro da morte
E aliviava quando eu dormia
A vida fria,
os sonhos aquecia...
Joguei tantas poesias ao léu
Rasguei folhas, queimei papel.
Livrei-me do que de melhor havia em mim
Tantas mortes pensei,
Tantos erros lembrei...
A morte é a forma mais honrosa
de um fracassado redimir-se?
De um covarde ter orgulho?
É a nobreza de matar-se e superar-se!

Tatiane Sales
(Minha poesia)

...

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Derradeiro

    









Naquele teatro
Contracenei num tempo errado
Em que a circunstância oculta
Dentro de mim a insana luta
De querer ser somente eu mesma
E esma,
Transparecer por entre o breu
Breu meu
Deixei para ele meu endereço
Mas cartas suas não mereço
Uma semana e nada veio
Só me aumenta o devaneio
E me aumenta o desespero
Para aceitar o derradeiro
Mal começou e acabou
Terminou
Nem dois meses há na data
Farsa
Tudo por causa de um receio
Que devo aceitar de enleio
Que eu não passo de um nada!
Decepcionei-o de fato
Quimeras letras do meu ato
Foi tão rápido...
Uma luz piscou ao longe
Onde?
Foi tão intenso e ofuscante
Um brilho claro e oscilante
Que eu pensei poder tocar
Pudera eu o alcançar
Sou uma humana falha
Fraca
Sou um punhado de areia
Que quis sonhar e ser do mar
Sou imperceptível centelha
Que quis tocar uma estrela
Por trás do mudo
Tudo
O que eu queria era te amar.

Tatiane Sales
(Minha poesia)
...

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Definhando


De novo...



Sinto-me aos poucos enlanguescer
Passo os dias lamentando
Se você estivesse me amando
Nada disso iria acontecer.

Estou a enfraquecer...

Em mim o amanhecer desistiu
Iludiu-me e, no entanto,
Apesar de tanto rogá-lo em pranto
Da minha vida partiu.

Sinto-me agora entardecer...

Lembro-me do seu rosto, do seu jeito
Inteiro...
E de ensejo
Suplico um último desejo.

Queria agora adormecer...

Pois no sono posso ser pueril
Feliz no devaneio febril
E depois de sonhar com você
Tranquilamente falecer.

Não sei mais o que fazer...

Não sei mais a quem recorrer
Quem eu procuro para saber
Como me restabelecer?
Eu preciso reviver...

Não posso terminar assim
Alguém tem que dissipar o enleio
Eu tenho que encontrar um meio
De melhorar dentro de mim!

Vejo o claro escurecer...

Rimar... Rimar...
Eu preciso me libertar
Das amarras do sofrimento me livrar
Para conseguir enfim, continuar.

Sinto-me enlanguescer...

E se você não me buscar
Se você não me socorrer
Nas trevas vou me afogar
No mar da noite irei morrer.

Já principio anoitecer...


Tatiane Sales
(Minha poesia)
...

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Lados e horas

A ilusão rendeu-me inconscientemente
Em que supus por momentos estar contente
D'uma forma ignota e tão demente
Acreditei que seria diferente.

E permiti você rondar-me em minha orla,
Quando venci todo o preceito inerente...

Isso talvez somente em minha mente
No meu pudor, do meu recato oponente
Inteira a ti me entregaria sutilmente
Aproximava-me aos poucos delicadamente.

Quando apaguei todas as mágoas da memória,
Vi-te de costas caminhando lentamente...

Quando achei que enfim seria a hora
Despindo-me liberta dos receios
Seria sua de alma aberta, em corpo inteiro
Vi-te seguindo irredutível indo embora.

Então sorrateiramente
Justamente nessa hora?
Ao beijar-te docemente
Você reflete e vai embora?

E ao meu lado fez-se ausente,
Justamente nessa hora...

Quando eu tocava as suas notas
Em suas mãos brancas e pedintes
Momento etéreo de requinte
Eu seria toda sua
Em forma totalmente nua...

Superando os meus limites
Sem perceber eu permitia
Aos seus olhos ilegíveis
Envolverem-me em demasia.

Perdendo-me em devaneios
A você eu me rendia...

E eventualmente
A vingança paciente
Exacerbou-se indolente.

De meus maus atos passados
Por eu ter tanto o desprezado
Em meu descaso involuntário.
E evidentemente,
Você mirou para o contrário

E me deixou, intemerato,
Finalizando o último ato.

Tatiane Sales
(Minha poesia)

...

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Silêncio

Numa praça de alimentação de um shopping vejo o motivo para o qual nascemos. Comer. Suprir-se. Abstrair-se. Todos estão satisfeitos, mas... poucos estão felizes, noto.
Portanto, o que falta? Logo a minha primeira tese torna-se errônea. É preciso de alguma forma dar, doar o que temos, oferecer algo de bom em nós para nos sentirmos de fato felizes numa troca de valores e de sentidos. Assim é o erro do abstrair que acontece na neurose dos relacionamentos modernos onde só queremos ter; amamos do outro, queremos do outro, saboreamos do outro, exigimos do outro, e não propriamente o outro.
E em troca o que damos? A mania da pressa em que vivemos atualmente nos faz atravessar e invadir o tempo de outrem. Devemos respeitar a lei do espaço e tempo. A minha dúvida impera-me e replica: o que devo esperar? o que devo fazer? se eu agir estarei interferindo num caminho certo de alguém? estarei atrapalhando uma vereda reta em prol de uma saudade profunda minha, em prol de uma necessidade de ter, de um anseio de ver? Devo tentar? devo em vão tentar? A dúvida aflora impedindo-me de semear o que talvez poderia ser. Permaneço em silêncio.
Sei que o motivo de minha dúvida me deixaria melhor agora, porque esse motivo tem o dom encantado de me deixar melhor. E todas as vezes que me comunico com esse ser de alguma forma, é como o mundo me dando um presente e dizendo: Fica feliz mocinha, pelo menos um pouco... E quando eu vejo aquele sorriso, e quando eu sinto aquele corpo ao meu lado, mesmo que somente no momento de um estar ao lado, eu agradeço a vida por esse raio de luz suprir a minha alma de ternura e me iluminar. Todavia, penso que esse motivo está muito ocupado sendo feliz agora, aprendendo a viver agora, e sem nenhuma necessidade de mim. Então eu prefiro não interferir e sigo, permanecendo em silêncio.

T Sales