Cazuza
quinta-feira, 15 de outubro de 2015
domingo, 4 de outubro de 2015
sexta-feira, 2 de outubro de 2015
Esqueça
Neste
caso, linda flôr, esqueça... mesmo não sabendo o que fazer com esse esqueça,
esqueça.
Se você não recebe o carinho em troca dos seus sentimentos tão singelos, definitivamente não é para essa pessoa que você deve dispor seus carinhos... Tem quem os mereça.
Se você não recebe o carinho em troca dos seus sentimentos tão singelos, definitivamente não é para essa pessoa que você deve dispor seus carinhos... Tem quem os mereça.
Dê
a outro o seu belo texto cheio de sentimentos,
Dê ternura a quem a mereça...
Dê ternura a quem a mereça...
Esqueça.
Tati
Sales
quinta-feira, 1 de outubro de 2015
Coisas simples
Ensina-me como não deixar minhas samambaias morrerem, ou me passe
uma boa receita de bolo de chocolate.
Ensina-me a mistura de um novo tom aloirado para os cabelos, ou me mostre como fazer bordados de crochê na colcha de cama.
Ensina-me a mistura de um novo tom aloirado para os cabelos, ou me mostre como fazer bordados de crochê na colcha de cama.
Ensina-me como sentir prazer nas coisas simples cotidianas da
vida...
Tati Sales
quarta-feira, 30 de setembro de 2015
Cortes de traição
(Artisticamente lanço-me involuntária
Viajando para a perdição do nunca.
Afasto-te, lanço-te e bato-te na cara
Contra as portas de minhas conjecturas... )
Não me permito sofrer? Talvez sim, e arder,
Nestas chamas de raiva desesperada e insana!
Desfalecendo a paixão que vi por ti nascer,
Da qual mordais sua faca decepou-me a entranha.
Precisavas agudamente cortar-me o corpo inteiro?
O que fiz eu pra que sua faca me perfurasse as ancas?
Sem piedade em segredo traçaste o vil roteiro
De esquartejar-me em pedaços com sua arma branca!
Larga-a! Deixe cair tal lâmina que me riscas em sangue
Imaginavas que eu gostaria de sentir tal dor?
Assista meus nus pedaços em avermelhado exangue...
Pensaste que eu fosse forte a não gritar de horror?
Por que cometeste o crime no quarto em que me tiveste?
Por que cortaste a garganta da voz que te sussurrou...?
Por que sujou a vida que poderíamos ter, se houvesse?
Pelo prazer de me trair e em me enganar... matou-me...
Tatiane Sales
terça-feira, 29 de setembro de 2015
Pornographie
Ela é a escória. Suja... E devassa.
Contaminando a pureza por onde passa.
Nojenta de ócio, vício e sexo,
Repleta de línguas no seu seio lésbico,
Num beco do desabitado prédio,
Na Rua das Surubas ela vence o tédio.
Faminta por orgasmos ela suga e lambe,
Mas hoje somente com um gang bang.
Os gozos escorrendo pelo corpo exangue,
Escorre pela boca e pela pele o sangue,
Dos tapas e mordidas dos estupradores
Que autorizados por ela a quebrantou de dores,
A Ninfa arranca a roupa, quente em ardores,
Sem alma, só o corpo machucado horrores.
Adentram muitos pênis pelos orifícios,
Vagina, ânus, boca, abismos e ouvidos,
Ela geme, blasfema, maldizendo a libido,
Devastam-na e abusam-na como a um cabrito.
Come-a, fode-a, cospe nela e depois a larga,
Sozinha, impura, corrompida de sofrimento e tara.
Tentando esquecer que existe e se limitando a nada,
Na vala, bêbada, infame, nua e violentada,
Chora apenas uma criança com a força que lhe resta,
Treze, ou quatorze anos? Menina, mulher funesta!
Ela odeia, ofende a todos, pois perdida cai no fel do mundo,
Buscando alívio nos antros e nos becos mais que imundos,
Tudo p’ra ter um orgasmo, prazer real de alguns segundos,
Onde enfim esquece a dor, a tristeza e os medos mais profundos.
T.Sales
quinta-feira, 23 de abril de 2015
Eia, vejamos
Lendo
uma interessante discussão sobre o assunto "publicidade dos 50 tons de cinza no Brasil",
sinceramente eu penso aqui com meus botões que se Simone de Beauvoir, as
filósofas queimadas na fogueira da inquisição, as grandes feministas francesas
de écriture féminine como Julia Kristeva, as heroínas americanas dos meados de
70 na luta maravilhosa de Women's Liberation, se Clarice Lispector e tantas
outras grandes mulheres da história – heroínas e heroicas que lutaram pela
emancipação, valorização e igualdade da mulher na sociedade, e, libertação
psicoemocional da posse e submissão machista em que a mulher era (im)posta e
submetida como somente “um algo” sem personalidade, sem inteligência e sem
compreensão da realidade; se essas mulheres lessem esse lixo de livro, acho que
elas estariam neste momento se revirando em seus caixões! Assim como a arte
contemporânea se desvaloriza em sentido de riqueza e valores de expressão, a
literatura contemporânea também se iguala; quem já leu Marcel Proust ou
Sthendhal sabe que esse tipo de literatura citado acima é um escarro grosseiro
na sensibilidade de quem quer ler algo que agrega ao feminino, e que também é
um escarro no intelectual e na alma de um bom leitor.
Isso na
minha humilde opinião feminista e literária, claro...
Preocupa-me
tantas adolescentes em fase de transformação venerando esse livro.
Tatiane Sales – Sobre os
50 tons de Cinza.
quarta-feira, 1 de outubro de 2014
Desespero
Eu queria ser Nada.
Ultimamente vivo pensando na morte.
Um simples abraço afetuoso pode me ajudar.
Um simples "ficará tudo bem" pode me salvar.
Daqui três dias novamente nada mudará?
T.Sales
Ultimamente vivo pensando na morte.
Um simples abraço afetuoso pode me ajudar.
Um simples "ficará tudo bem" pode me salvar.
Daqui três dias novamente nada mudará?
T.Sales
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
Visão de um quarto em natureza morta
Flores arroxeadas
Folhas secas esbranquiçadas
Boneca encarquilhada
Poemas indefinidos.
Boneca encarquilhada
Poemas indefinidos.
Paredes descascadas
Roupas desgastadas
Fadas perturbadas
Coração partido.
Roupas desgastadas
Fadas perturbadas
Coração partido.
Ilusão dilacerada
Livros empoeirados
Janelas embaçadas
Planos destruídos.
Livros empoeirados
Janelas embaçadas
Planos destruídos.
Cama desarrumada
Desacompanhada
Sem ninguém ao lado
Espaço vazio...
Desacompanhada
Sem ninguém ao lado
Espaço vazio...
Há um anjo assustado
E no espelho quebrado
Um rosto pálido
Que perdeu o brio.
E no espelho quebrado
Um rosto pálido
Que perdeu o brio.
Se movimento entorta
Tudo em minha volta
Som desafinado
Sombra enlouquecida.
Tudo em minha volta
Som desafinado
Sombra enlouquecida.
Desconfigurado
O que a tristeza molda
São desfiguradas
Face encanecida
O que a tristeza molda
São desfiguradas
Face encanecida
Posições erradas
Cores ofuscadas
Que o passado toca
Como carta perdida...
Cores ofuscadas
Que o passado toca
Como carta perdida...
Em meu olhar nublado
Tudo é desbotado
Formas desmontadas
Fotos esquecidas...
Tudo é desbotado
Formas desmontadas
Fotos esquecidas...
Quadros sós, calados
Tortos, pendurados
Natureza morta
Devolve-me a vida...?
Tortos, pendurados
Natureza morta
Devolve-me a vida...?
Tatiane Sales
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
Antiga
Tentando
sobreviver numa era contemporânea
Um apólogo à boneca de porcelana
Do ano de 1.820 no atual tempo
Junto a livros empoeirados, tem movimento.
Amando... nobre ela canta, sofre e dança
Como a rosa azul de Novalis, rara
Branca a delicada face laqueada
Esmaltada a tez, perdendo a nuança...
Menina velha de palidez etérea
Recitando Shakespeare, solitária espera
Esquecida numa biblioteca clássica
Deserta e impoluta conservada há décadas!
A relíquia de louça guardada na estante
Ouvindo Mozart ou o flautista de Hamelin
Vinda da poesia de Lorca de las horas incertas
E apaixonada por Hamlet, o seu ideal de amante...
O sopro de alma nessa moça de pano
Que quando só, levanta a bailar chorando
Não está na loucura, na imaginação da artista
Que cria a boneca, mas também dá a vida...!
Ela existe, triste, respira e palpita
Pois tento dár ânimo à própria poetisa
A boneca sou eu no tempo perdida
Que em álacres anos já é tão antiga...
Um apólogo à boneca de porcelana
Do ano de 1.820 no atual tempo
Junto a livros empoeirados, tem movimento.
Amando... nobre ela canta, sofre e dança
Como a rosa azul de Novalis, rara
Branca a delicada face laqueada
Esmaltada a tez, perdendo a nuança...
Menina velha de palidez etérea
Recitando Shakespeare, solitária espera
Esquecida numa biblioteca clássica
Deserta e impoluta conservada há décadas!
A relíquia de louça guardada na estante
Ouvindo Mozart ou o flautista de Hamelin
Vinda da poesia de Lorca de las horas incertas
E apaixonada por Hamlet, o seu ideal de amante...
O sopro de alma nessa moça de pano
Que quando só, levanta a bailar chorando
Não está na loucura, na imaginação da artista
Que cria a boneca, mas também dá a vida...!
Ela existe, triste, respira e palpita
Pois tento dár ânimo à própria poetisa
A boneca sou eu no tempo perdida
Que em álacres anos já é tão antiga...
Tatiane Sales
terça-feira, 18 de setembro de 2012
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
A ilusão de um ventilador (Título de referência ao filme – O Palhaço)
Eis-me sozinha
agora num quarto vago, nu e sem par.
O espaço vasto nulo
na cama é um infinito lugar.
Quero esquecer tudo
o que é, mas que nunca aconteceu.
Preciso vencer a
melancolia que me mergulhou no breu...
Quero deixá-lo
partir sem nunca tê-lo tido.
Esquecer que sei
(eu sei), sem nunca percebido.
Quero curar tal
sentimento que não ousei saber-lhe o nome.
Não notar que estás
tão perto, porém eternamente ao longe.
Quero fechar os
meus olhos e não ver-te nunca mais,
Mas sua presença é
tão bela quanto as rosas nos quintais...
Choro como uma
menina que não sabe o que é viver?
Choro um desejo
lindo, profundo e tanto é o meu querer.
Choro uma saudade
estranha que nunca me é suprida.
É querer curar a
doença que me dá sentido à vida.
Minhas lágrimas são
puras quanto o anjo que me habita.
Sinto pelas vãs
palavras que o meu tolo lado recita.
Quero tanto que me
enxergues como uma luz d’estrela guia.
Quero ser seu sol
na noite e uma lua ao meio dia.
Permita que eu te
afirme um segredo revelado...
Que o meu coração é
frágil, por favor, tome cuidado...!
Já era pra eu ter
tirado, te arrancado da memória,
Mas parece que tu
és parte já assídua em minha história.
Preciso dormir pra
sonhar, sonhar ao menos, meu querido.
Só que o meu sono é
o anjo brando que mandei dormir contigo.
E já que o meu sono
manso foi voando pra sua paz?
Eu fico aqui
lamentando, soluçando injustos ais.
Pois era aqui bem
ao perto que deveria o seu corpo estar.
Sentindo o meu
coração intensamente disparar.
Estar em meus
lençóis brancos e descobrindo tudo em mim...
Roçando sua pele
quente em minhas vestes de cetim.
Se soubesses que tu
tens as mesmas contradições que as minhas.
Se notasses que
tuas dores eram as mesmas que eu tinha.
Mas te vi
descobrindo novas alegrias e clivais lúdicas.
Vi no seu descaso
olhar o qual tupias cenas impudicas.
Se, perdi a
ideologia mais linda, linda, que eu tinha?
Se, se foi a
esperança última dos retornos sons que eu ouvia?
Pudera eu arrancar
fora do meu peito a sangue o coração!
Pudera eu enfeitar
com um laço e te entregar ele com a mão!
O meu recuo cru e
insano é o medo fraco de ser magoada.
De me jogar
novamente cega na desventura malograda.
Mas tudo o que
tenho agora é a minha torpe solidão.
Sei que dormes com
outra, outras, acompanhado em seu colchão.
Devolva o meu anjo
puro que eu mandei dormir contigo!
Era pra eu deixar
guardado no desalento em mim contido.
Se eu recusei foi
porque eu iria sofrer carente como um cão...
As suas chamadas,
seu afeto, seu olhar, sua atenção.
O que me resta é
viver agora dia-a-dia a dor vazia...
E te esquecer, (vou
te esquecer) e esquecer-me da alegria...
Que é estar junto
com um jovem que eu já tive idolatria.
Que tive vontade de
passar todos os dias da minha vida.
Ficou hoje tão
óbvio que o sentimento não é recíproco.
A partir de agora
eu juro, só te chamarei de amigo...
Tatiane Sales
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Solitude (saudade da mãe)
Há algo mais melancólico do que este momento?
É triste a insônia dessa transição.
Chego à conclusão de que mais um dia passou sem sentido algum, todavia cada letra a mais nesta página preenche-me um pouco o vazio. Penso numa imaginária e arcaica folha de papel em branco a ser preenchida manualmente pelos mais nobres sentimentos e, no entanto, eu apenas teclo o nada. Teclo sem sabor, sem esforço, sem vontade. Se eu escrever: tudo é nada, sobressai-se a confirmação do nada. Se eu escrever: nada é tudo, ainda sobressai-se a confirmação do nada. Então compreendi a teoria do nada de Paul Sartre numa síntese momentânea de ócio! Se tudo é nada, para quê então? Viver é inútil? Não quando se ama e se é amado dizem os pares. No amor encontram o sentido em viver, mas isso ainda existe ou o amor tornou-se piegas?
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Desterro
Sina: Passeando pela estrada vazia de terra?
Moça: Já distante do quintal de outrora...
Medo: Viajando sem dormir na noite fria aqui fora?
Moça: Sigo firme e o destino me leva...
Receio: Donzela, par'onde vai agora nesta remota esfera?
Moça: Sem olhar para trás vou-m’embora!
Esperança: O pio suave dos pássaros te voando consolam?
Moça: Sim... O que os meus dias futuros reservam.
Tatiane Sales
sábado, 26 de maio de 2012
sexta-feira, 25 de maio de 2012
Quando era para gritar, calei?
Por que sou tão racional? Maldita razão!
Pára de pensar, pois és inteira coração...
Pára de pensar, pois és inteira coração...
terça-feira, 22 de maio de 2012
quinta-feira, 17 de maio de 2012
quarta-feira, 16 de maio de 2012
E pra não chorar eu só vou gostar de quem gosta de mim.
Sou uma moça Shakespeariana ao extremo e preciso trabalhar isso em mim, pois às vezes não me consolo em deparar no espelho com uma mulher ingênua de 29 anos, enfim... Honesta demais, bondosa demais, sensível demais. Ou eu deixo de ser sensível assim neste mundo fugaz, ou não sei, realmente não sei o que será de mim neste planeta voraz.
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Dúvidas velhas, o que seríamos sem elas? Semântica do irrisório das quirelas, recuo do ser. Medos que nos impossibilitam o saber, em que crer? Ser ou não ser! Fábulas irônicas de mazelas são esses nossos olhares questionadores à janela, inocência débil, pura e bela, ânsia de conhecer, de ver, de ter um sentido que preencha e cure essas seqüelas do vazio sublime e cruel de viver.
sexta-feira, 4 de maio de 2012
terça-feira, 3 de abril de 2012
Florence + The Machine - Shake It Out
Liberte-se
Remorsos se acumulam como velhos amigos
Aqui para reviver seus momentos mais sombrios
Não vejo uma saída, não vejo uma saída
E todos os monstros saem para brincar
E cada demônio quer seu pedaço de carne
Mas eu gosto de guardar algumas coisas pra mim
Gosto de deixar minhas questões importantes afogadas
É sempre mais escuro antes do amanhecer
E eu fui tola e cega
Nunca consigo deixar o passado pra trás
Não vejo uma saída, não vejo uma saída
Estou sempre carregando esse peso nas costas
E as perguntas dele, tamanho ruído de sofrimento
Essa noite eu enterrarei esse peso na terra
Pois gosto de deixar minhas questões importantes afogadas
É sempre mais escuro antes do amanhecer
Liberte-se, liberte-se
quarta-feira, 21 de março de 2012
segunda-feira, 19 de março de 2012
domingo, 8 de janeiro de 2012
Desejos da flor
Entrego-te um corpo de amor,
Sedento dum lânguido cálido
Fogo em vertigem torpor.
Beba mais um gole de vinho,
E beija-me os lábios frios,
Conduza-me pelos caminhos,
Do seu corpo sedento e febril.
Abraça-me com seus braços
alados,
Conforta-me envolvente e macio,
Aperta-me com desejo e cuidado,
Transporta-me para o instinto
do cio.
Preencha-me os vácuos vazios,
Olha-me com olhar sedutor,
Sinta-me como ao tocar um lírio,
Devasta-me como um
desflorador...
Tatiane
Sales
sábado, 31 de dezembro de 2011
Óbvia concepção para um feliz ano novo
Sabe por que é tão difícil ser feliz, moça?
Por que é difícil mudar...
Feliz ano novo...! (?)
Um brinde às escolhas, às ações e à mudança!
Não mudemos apenas os nossos calendários, mudemo-nos.
E só assim serás feliz, mais feliz...
(Ao reflexo de mim mesma) à Tatiane Sales, dela, para
ela.
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
A palhaça...
Que saudade é essa, meu Deus?
Quando aprenderei a ser menos sincera?
Quando aprenderei a ser menos sincera?
Estou aprendendo nesta vida de quimeras,
Que a palhaça do amor sempre sou eu...
T. Sales
(...)
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
terça-feira, 15 de novembro de 2011
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
E quanto a mim, quem me fará rir?
Numa visão otimista de ser a diferença que espero do mundo, vivo o vazio de nunca me surpreender.
Causo a alegria que ninguém me causa.
Olho absorto e tolerante, piedoso sobre a plateia. Eles suplicam um ínfimo conforto nos corações.
Altruísta que sou, caio, pulo, salto e, desgraçadamente me dou.
Eu espero por aquela que na imaginação criei. Criei para ter esperança e continuar. Aquela que veste um vestido azul rodado, um enorme sapato amarelo e um coração pintado no rosto. Aquela que admirará o meu nariz redondo e vermelho e me fará orgulhoso.
Como uma estrela linda brilhando ao longe, ela magicamente lança aos ares os seus malabares. Espero por ela que me fará sorrir...
Espero por aquela que em algum lugar vive sem mim.
Enquanto isso eu continuo vazio.
Um palhaço que o tempo todo sente no peito a tristeza lancinante de um coração sôfrego.
Espero por aquela que me fará rir...
Tati Sales
(Metáfora circense de um amor ideal)
...
domingo, 13 de novembro de 2011
Assombros sertanejos
É meia-noite e faz tempo...
Faz três horas que é meia-noite.
Lá fora o uivo dos ventos,
Aqui dentro o gemido da morte.
Será que é crueldade da sorte?
E está imóvel o ponteiro,
Corre um animal no palheiro,
E a viola soou um acorde...
Tocou sem nenhum violeiro!
Meu Deus do céu, isso é sina?
Rezarei um pai-nosso em surdina,
Pra espantar os demônios feios.
Deve ser a macumba da esquina!
O que é aquilo que passou na vidraça?
É o fantasma da amortalhada,
Que está grávida duma menina,
E as duas choram na estrada!
Não há nesta casa uma vela?
Pr'acender e iluminar essa treva,
Ai meu Cristo escutei uma risada!
E veio lá da encruzilhada!
Deve ser o preto que gira,
Acenderei um incenso de mirra,
Valha-me Deus, que isso é nada...
Foi só uma impressão danada!
Mais um copo quebrou na cozinha?
Ai que estou nesta casa sozinha,
Soltaram as almas na madrugada!
Bem que minha mãe me dizia,
Olhando ao redor de soslaio...
Quando caia com a chuva, os raios,
Reza antes de dormir minha menina...
Estou hoje pagando os pecados!
Eu, nada rezava e mentia,
Quando ela me indagava de dia,
Varrendo os quebrados dos cacos,
Rezei minha mãe com maestria!
Agora quem pena sou eu,
Fazendo sinal da cruz aqui no breu,
Com devoção e idolatria...
Só pode ser bruxa de magia!
Que luz verde é essa no céu?
Um trenó de papai Noel?
Parece um sonho de fantasia,
É disco-voador, santa Maria!
Deixando sinais no milharal,
Estão rentes ao matagal,
Sai de retro que esta casa é vazia!
Alguém recolhe as roupas do varal?
E ele olha pra mim com maldade,
Outro vulto parado no portão,
Observa-me com olhar de piedade...
Isso é pior que sal com limão!
Fechei na vidraça a cortina,
Deve ser outro feitiço da Tina,
A suicida do porão...
E ela gemeu com sofreguidão...
Mulher, vá descansar em paz,
Que te prende aqui, satanás?
Deus te valha que ele é imensidão!
Não tem nada maior que Deus não!
Onde está o terço de prata,
E os unguentos santos da mata,
Pra espantar esse cão?
É agora que invado o porão!
Mas no canto uma menina chora,
É Tina, a suicida da escola,
E suas lágrimas transbordam no chão:
Só quero ter paz no coração...
Tina diz tão triste essa frase,
Mas justo nessa hora o sol nasce,
Sem ter dado comunicação;
Tina desaparece num enlace
E tudo se ilumina, é verão...
Tatiane Sales
Faz três horas que é meia-noite.
Lá fora o uivo dos ventos,
Aqui dentro o gemido da morte.
Será que é crueldade da sorte?
E está imóvel o ponteiro,
Corre um animal no palheiro,
E a viola soou um acorde...
Tocou sem nenhum violeiro!
Meu Deus do céu, isso é sina?
Rezarei um pai-nosso em surdina,
Pra espantar os demônios feios.
Deve ser a macumba da esquina!
O que é aquilo que passou na vidraça?
É o fantasma da amortalhada,
Que está grávida duma menina,
E as duas choram na estrada!
Não há nesta casa uma vela?
Pr'acender e iluminar essa treva,
Ai meu Cristo escutei uma risada!
E veio lá da encruzilhada!
Deve ser o preto que gira,
Acenderei um incenso de mirra,
Valha-me Deus, que isso é nada...
Foi só uma impressão danada!
Mais um copo quebrou na cozinha?
Ai que estou nesta casa sozinha,
Soltaram as almas na madrugada!
Bem que minha mãe me dizia,
Olhando ao redor de soslaio...
Quando caia com a chuva, os raios,
Reza antes de dormir minha menina...
Estou hoje pagando os pecados!
Eu, nada rezava e mentia,
Quando ela me indagava de dia,
Varrendo os quebrados dos cacos,
Rezei minha mãe com maestria!
Agora quem pena sou eu,
Fazendo sinal da cruz aqui no breu,
Com devoção e idolatria...
Só pode ser bruxa de magia!
Que luz verde é essa no céu?
Um trenó de papai Noel?
Parece um sonho de fantasia,
É disco-voador, santa Maria!
Deixando sinais no milharal,
Estão rentes ao matagal,
Sai de retro que esta casa é vazia!
Alguém recolhe as roupas do varal?
E ele olha pra mim com maldade,
Outro vulto parado no portão,
Observa-me com olhar de piedade...
Isso é pior que sal com limão!
Fechei na vidraça a cortina,
Deve ser outro feitiço da Tina,
A suicida do porão...
E ela gemeu com sofreguidão...
Mulher, vá descansar em paz,
Que te prende aqui, satanás?
Deus te valha que ele é imensidão!
Não tem nada maior que Deus não!
Onde está o terço de prata,
E os unguentos santos da mata,
Pra espantar esse cão?
É agora que invado o porão!
Mas no canto uma menina chora,
É Tina, a suicida da escola,
E suas lágrimas transbordam no chão:
Só quero ter paz no coração...
Tina diz tão triste essa frase,
Mas justo nessa hora o sol nasce,
Sem ter dado comunicação;
Tina desaparece num enlace
E tudo se ilumina, é verão...
Tatiane Sales
sábado, 12 de novembro de 2011
Dissipação
Eu só quero asas negras p'ra voar na noite,
E subir tanto a ponto de pousar na estrela.
Nebulosamente me dissolver na morte,
E aliviar minh'alma como um vento em vela.
Se a alegria é um sonho e eu não posso tê-la,
Mi'a vida me machuca como um cruel açoite.
Se o corpo é frívola poeira cósmica na esfera,
Morte, vem-me libertar a alma com sua foice?
Tatiane Sales
E subir tanto a ponto de pousar na estrela.
Nebulosamente me dissolver na morte,
E aliviar minh'alma como um vento em vela.
Se a alegria é um sonho e eu não posso tê-la,
Mi'a vida me machuca como um cruel açoite.
Se o corpo é frívola poeira cósmica na esfera,
Morte, vem-me libertar a alma com sua foice?
Tatiane Sales
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
Ainda bem que existe a arte...
Vivo nos teatros e sinfonias. Vício!
Recorro à arte como uma dependência em crack.
Ontem precisei deliberadamente ir ao circo,
Hoje leio outro do Gabriel Garcia Marques.
Oh céus, não! Cem anos de solidão...
Soa-me o título agora como uma maldição!
O que será de m’ia vida preenchendo lacunas?
Buscarei respostas na obra de Alexandre Dumas.
Tati Sales
(Oh!)
(Oh!)
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
Humildade
Que sensação é esta?
Que tendo perdido tudo,
Estando perdida no mundo,
Amaldiçoando a promessa,
Quando tudo o que sente é dor
E o mais ameno dos sentimentos
Que vive e grita no peito por dentro
É um terrível desespero interior!
Como explicar a sensação
Dum'alma imersa à lama
Pisada e jogada no chão
Nua num inferno em chamas...
Sem ninguém p'ra segurar a mão,
Pegando fogo na chuva
De quão gelado tornou-se o coração
Co'a paisagem nefasta e turva?
Sensação tenebrosa e maldita,
Violenta, tirana, fascista,
Que machuca, maltrata e tortura,
Até que chega a beirar à loucura!
E no fim quando nada mais sobra,
Rastejando-se feito cobra,
Desgraçadamente humilhada,
Falida e desesperada...
Vendo que tudo se tornou nada,
Percebe que o limite chegou
E o choro torna-se gargalhada,
Pois a dor já ultrapassou...
Essa é a sensação dum louvor
De descer ao inferno e queimar,
Pedir o pão que o diabo amassou
Depois que nada mais restar.
Ser humilhada por si mesma,
P'ra aprender a ser pequena
E ser tocada pela humildade
Implorando à luz suprema!
Essa é a sensação da liberdade
De ser pisada como um cão torto,
Feito um gado apanhar com maldade
Na sua ilíada ao matadouro...
Essa é a divina sensação
Da gloriosa superação,
De dor que agora não mais dói,
Do ácido que na pele não corrói.
Dum alívio quando a queda cessou,
Quando se sabe que no fundo chegou.
É tanta dor que se torna iluminação,
Fogo que restaura como purificação,
Lâmina que fere p'ra marcar,
Açoite que bate p'ra ensinar,
Força que nasce da lamentação
E extingue o ego, dor de libertação...
Tatiane Sales
Que tendo perdido tudo,
Estando perdida no mundo,
Amaldiçoando a promessa,
Quando tudo o que sente é dor
E o mais ameno dos sentimentos
Que vive e grita no peito por dentro
É um terrível desespero interior!
Como explicar a sensação
Dum'alma imersa à lama
Pisada e jogada no chão
Nua num inferno em chamas...
Sem ninguém p'ra segurar a mão,
Pegando fogo na chuva
De quão gelado tornou-se o coração
Co'a paisagem nefasta e turva?
Sensação tenebrosa e maldita,
Violenta, tirana, fascista,
Que machuca, maltrata e tortura,
Até que chega a beirar à loucura!
E no fim quando nada mais sobra,
Rastejando-se feito cobra,
Desgraçadamente humilhada,
Falida e desesperada...
Vendo que tudo se tornou nada,
Percebe que o limite chegou
E o choro torna-se gargalhada,
Pois a dor já ultrapassou...
Essa é a sensação dum louvor
De descer ao inferno e queimar,
Pedir o pão que o diabo amassou
Depois que nada mais restar.
Ser humilhada por si mesma,
P'ra aprender a ser pequena
E ser tocada pela humildade
Implorando à luz suprema!
Essa é a sensação da liberdade
De ser pisada como um cão torto,
Feito um gado apanhar com maldade
Na sua ilíada ao matadouro...
Essa é a divina sensação
Da gloriosa superação,
De dor que agora não mais dói,
Do ácido que na pele não corrói.
Dum alívio quando a queda cessou,
Quando se sabe que no fundo chegou.
É tanta dor que se torna iluminação,
Fogo que restaura como purificação,
Lâmina que fere p'ra marcar,
Açoite que bate p'ra ensinar,
Força que nasce da lamentação
E extingue o ego, dor de libertação...
Tatiane Sales
domingo, 23 de outubro de 2011
sábado, 8 de outubro de 2011
Mundo cruel
Sou eu
Um nada
Na vaga
Do breu
Ateu
Violada
N'alma
Da história
Em memória
Irrisória
Na escória
Da saga
Da vida
Perdida
Invadida
Usada
Jogada
Ferida
Sofrida
E calada
É notória
A inglória
Dum verme
Na nau
À deriva
Sem leme
Sem rumo
Sou eu
Sem deus
Que teme
Num mundo
Tão amplo
E profundo
Um antro
De corja
Imundo
Sem fim
Oriundo
Impiedoso
Blasfemando
Maldade
E bafejando
Crueldade
Dor surreal
Que dilacera
E exaspera
Minh'alma
Em miséria
Da ausência
Do mal.
Um nada
Na vaga
Do breu
Ateu
Violada
N'alma
Da história
Em memória
Irrisória
Na escória
Da saga
Da vida
Perdida
Invadida
Usada
Jogada
Ferida
Sofrida
E calada
É notória
A inglória
Dum verme
Na nau
À deriva
Sem leme
Sem rumo
Sou eu
Sem deus
Que teme
Num mundo
Tão amplo
E profundo
Um antro
De corja
Imundo
Sem fim
Oriundo
Impiedoso
Blasfemando
Maldade
E bafejando
Crueldade
Dor surreal
Que dilacera
E exaspera
Minh'alma
Em miséria
Da ausência
Do mal.
Tatiane Sales
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Mito da caverna
Vendo difusa a sombra ofuscada na caverna,
Não reconhece o que há de vir e quem a espera...
Ela vislumbra num teatro fosco,
Escuro, ilusório e tosco
Movimentos refletidos nas sombras
Dos vultos de atrizes medonhas
Dançando loucas e tristonhas
Meras cópias da matriz platônica
Duma ébria percepção errônea
Dirigida por um Deus semimorto
Regendo uma orquestra no horto!
Ela olha tudo pelo buraco negro das trevas,
Mas prefere a loucura, a ser cega...
E aceitaria todas as consequências,
Para ver sobressaindo à coexistência
Pois perdida no mundo das ideias
Observando confusa na plateia
Hamlet apaixonado por Nicéia
E Baco amante casto de Ofélia
Ela precisa se libertar dessa caverna
Pra confirmar que a humanidade é uma doença
E o ser humano um estado crítico de demência!
Mas novamente obtusa e confusa ela se entrega,
Vendo um novo rosto abstrato surgir em meio à névoa...
Tatiane Sales
terça-feira, 30 de agosto de 2011
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Vinte e nove versos
Respiro fundo facilmente num alívio macio e transcendente...
Sinto-me em paz comigo agora, pois nunca
fui uma mera vã inópia.
Alegoria poética obstante, guardarei a
poetisa por um instante,
Porque preciso escrever a cru sobre o meu
âmago do cerne nu.
Preciso tudo agradecer pela índole do
caráter a me valer,
Que em mordaz momento errado nunca deixa o
meu espírito ser maculado.
Agradeço o meu nobre coração duma
fidelidade de cão.
Na vida sempre fui verdadeira deixando-me
nítida como clareira,
Por mais estranho, excêntrico ou diferente
que seja o meu jeito inerente.
Transbordo poesia de minh'alma, dum’arte e
melancolia inata.
Tudo o que faço é ser eu mesma por melhor
que eu seja, ou tola ou esma.
Sou tão Tatiane que sangro até nos
pesadelos infandos,
No sentimento brando mais puro e no
sofrimento desesperado escuro!
Nas minhas vontades nefandas e em minhas
bondades mais santas...
Todos os dias sou transparente mesmo quando
incongruente,
Como se o meu coração ficasse exposto
pulsando o tempo todo,
E aberto no peito o coração mostro no dorso
rasgado transposto!
Muitos olharam, mas não conseguiram ver e
saber,
Poucos realmente sentaram e ouviram o que
eu tinha a dizer,
Outros viram, mas tentaram me modificar,
não me aceitaram.
Para alguns sou um livro aberto e para
outros um grande mistério.
Posso dizer num olhar sincero tão profundo
quanto um bolero que,
Estou aqui não há segredos nem tramas, só
poesia, não dramas...
Sou mais simples do que pareço, nem todo o
meu ser é complexo.
Tento somente ser uma boa moça a evoluir,
como flor a fluir e florir...
Em minha complexidade perco-me, mas na
simplicidade encontro-me.
Não é difícil entender toda essa ideia e a
prover,
Quando você compreende e consegue conceber,
O que é estar na pele e ter um’alma
etérea... de uma mulher.
Tatiane Sales
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