quinta-feira, 31 de março de 2011

Canto de boemia










Sóbrios ébrios amigos de pôquer
Vou encontrá-los para beber e jogar
O gatuno fumando em meio aos madafoquer
Repelindo-me, Tati você não pode fumar!

Com eles o caos é tão aprazível
Nas noites de inércia encontro a boemia
A madrugada sem eles seria terrível
E no porre não percebo o amanhecer do dia.


O vinho faz de nossos lábios, ensanguentados.
Avermelhados, poetizando trovas às gargalhadas!
Rindo mais que o curinga do carteado
Os demônios se assustam com as nossas risadas!


Alcoólatras, gênios, lindos e loucos.
Falamos de arte e sexo em prosa
Filosofando a criação de Deus, louvam,
Recitando Marquês de Sade, gozam.

Não os trago para a vida cotidiana,
Pois somos o elo que se une no bar
Somos o refúgio para as noites insanas
Somos o resto, quando mais nada sobrar...


Tatiane Sales
(Minha poesia)


Para vocês da taverna, um brinde!
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quarta-feira, 30 de março de 2011

Noite estrelada



Vincent Van Gogh via uma noite estrelada assim...
Visão?  Imaginação? Absinto?

terça-feira, 29 de março de 2011

segunda-feira, 28 de março de 2011

Intrínseco

Se um dia nos encontrarmos novamente
Rogarei numa súplica dolente
Tempo, para memorizar-te eternamente.

Antes de a noite findar
Tentará dizer-me o que sente?
Ausente amanhã estará
Notará que só vale o presente...
Agora é a hora, o momento
Gemendo de intento me fala?
Observara que luto por dentro
Retendo a paixão que propaga.
Antes que amanheça, diz como?
Sinta-me inteira e me inspira...

Sua vida derrama em meu corpo
Minucioso envolve-me em lira
Espera-me na madrugada
Tatuada em toda a ausência
A essência de sentir sua falta
Nada é mais que a sua presença!
Apenas segura minhas mãos...

Falarão dos sentimentos que escrevo
E vejo surgir na escuridão
Revelação de um lânguido beijo...
Nesta pausa, não existirá tempo
Aumento as horas para nossos lábios
Natos de delicadeza, um momento
Dentro do destino, no acaso.
Esperar-te-ei numa noite, jovem artista
Sinta, pois te aguardo um dia

Seria isso, idealizações de poetiza
Externizando uma saudade esquecida?
Não, em meus versos há um motivo
Antagonizo, talvez em vão, antagonizo...

Tatiane Sales


domingo, 27 de março de 2011

Se puder por dentro me ver

Querido... Se você puder por dentro me ver, gostaria de lhe falar sobre essas longas noites solitárias, sobre o correr da noite, essas travessias desertas cheias de fantasmas; lhe falar sobre esse coração que ouço bater, não desiste. Dizem que a vida vale a pena ser vivida. Então eu quero mais, meu coração não desistiu. Aqui dentro eu acredito no meu coração que bate, no pulsar das minhas veias, acredito nessa força dentro de mim. Se você puder por dentro me ver, direi como é minha vida, de quando o medo se ergue, e fica tão alto que me dá tontura e desespero. Passo por esses momentos pensando estar perdida, mas às vezes descubro em mim mesma, forças desconhecidas. Você verá todas essas forças, se você puder por dentro me ver.
Sei que estou aqui para aprender alguma coisa, e quando eu tiver aprendido, poderei enfim partir. Eu sei... E sinto que o entendimento se aproxima, pois já me emociono com o pôr do sol.
Ouvi que a maravilha da vida está no aqui e agora. Sei que quando eu partir, eu não estarei mais dominada pelo medo. A vida pode ser cheia de riquezas, nos gestos, sorrisos e alegrias se compartilharmos o que sabemos. Li que Deus encontra-se nos relacionamentos. Levarei alguns momentos comigo.
As conversas com meu irmão mais novo, a lembrança do meu pai e minha mãe juntos, os cafés e cappuccinos com os amigos, o anseio pelo estudo e sabedoria, a adoração pela natureza e o amor pela arte. O circo, ah o circo! O nome duma paixão libidinosa, a delicadeza da minha mãe regando as rosas. Rostos e versos... A ligeira embriaguez com vinho ou martini, o mar... o mar... Aquele beijo, aquela dança, a grama molhada, aquela bela mão branca no volante do carro, no violino e em meu rosto, tantos sorrisos, aquele sorriso...
Aprendi muito, conheci pessoas maravilhosas.
Já sei que é necessário compartilhar as alegrias, saborear cada momento e, acima de tudo, olhar as pessoas por dentro. Não tenha vergonha de dizer para as pessoas que você gosta que você as ama. Isso, eu já sei, mas o verdadeiro entendimento está em pôr o amor em prática. E essa ação, ah... essa ação, eu ainda estou aprendendo...

Inspirações em G. Musso,
por Tatiane Sales.

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segunda-feira, 21 de março de 2011

"Liberdade é o espaço que a felicidade precisa..."
Fernando Pessoa

domingo, 20 de março de 2011

Outono



As quatro estações de Vivaldi

Inverno



As quatro estações de Vivaldi

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Primavera




As quatro estações de Vivaldi.

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Verão




As quatro estações de Vivaldi

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sábado, 19 de março de 2011

Beijo roubado

Intuição...
Traição, que distração!
Dissoluto e sujo!
Do devasso fujo,
Mas lascivo me pega
A linfa do seu desejo
Sua saliva no meu beijo...
Liberta!
Minh'alma ao limbo
Sua língua em mim,
Mas mesmo assim...
Jurisprudência à parte
Indefensável instinto
Ainda um beijo e vai-te!

Tatiane Sales
(Minha poesia)


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terça-feira, 15 de março de 2011

Para Friedrich Nietzsche


Segundo "Quando Nietzsche chorou" de Irvin D. Yalom, Richard Wagner é um anti-semita e corrompeu a música... o que é um tanto quanto cômico!




Nietzsche era amante da ópera Carmem de Bizet.
"Você me ama e eu te amo, e se eu te amo... toma cuidado!


Não concordo muito com a filosofia de Nietzsche, porém gosto dele. Ah... como eu compreendo os motivos que o transformaram em pagão!



"Amamos mais o desejo do objeto do que o objeto desejado"

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domingo, 13 de março de 2011

Rompimento

"Carta ao derradeiro
encontrada ao léu.
Volto para o início do inferno,
no final do céu..."

É difícil iniciar isto, entretanto é necessário que se faça...
Escrevo como forma de desabafo e também de despedida.
Estou dando-te fragmentos do que sinto, não sei se é errado ou certo, mas é a minha verdade e somente, agora. Espero que aceite.
Não poderei ver-te mais, seria tortura e já estou muito machucada. É injusto ser forte sem ser, é cruel comigo suportar para confortar-te, aguentar e fingir para agradar-te; sou um ser humano, não um super-herói.
Você sabe o motivo dessa carta. Estou oscilando meu humor entre Sartre e Shakespeare, naquela bipolaridade que você conhece, todavia optei, não quero ser nem sua Simone de Beauvoir nem sua Julieta.
Eu não quero mais ver-te, nem falar contigo e espero que você queira o mesmo, ou pelo menos consiga respeitar isso... E me respeitar ao menos uma vez. Não mais me procura.
Não estou nada bem, queria muito que você estivesse comigo de alguma forma e por isso tentei ser sua amiga sufocando minha dor, a mágoa. Todos os dias em que nos vemos você me decepciona mais. Sempre encarei seu comportamento como atos inconsequentes de um jovem rico e mimado, imaturo e perdido. Da última vez foi diferente, foi intencional, você "quis ser" vil.
Motivos você é inteligente o bastante e até mais para saber.
É impossível ser sua amiga, quando na verdade sou sua... Na última vez senti-me agredida de todas as formas que uma mulher poderia sentir-se. Maculada... Notei que você não respeita nem meu coração, nem meu corpo.
Vi que sou uma latina no oriente de sua vida.
É insustentável imaginar que você agora está com outra. Às vezes imagino-te sendo tocado e beijado, tocando e beijando, pensando em mim e amando-me em outra. Consequentemente, você se torna um vampiro maldito que suga toda minha alegria, meu ânimo, minha psicologia, minha filosofia, minha arte, tudo que sei, que sou e que amo para tentar compreender-te.
Percebi que sou muito mais do que a forma como você me trata. Não tenho que passar por essa difusão de veneno em minh'alma.
Espero que você tenha feito a escolha certa ao dar motivos e incitar minha despedida.
Não deu certo com aquele rapaz que te enciumei. Não temos nada em comum e por uma questão de escolha seria um grande erro começar algo que não daria certo somente para viver momentos... Admirar a beleza de alguém não é suficiente. Sei que ele é apenas mais um na infinidade de homens sacanas que me aparecem. Piegas, mas você causou-me a sensação de que homens não prestam. Talvez um dia a providência me mostre o contrário. O ser humano pode elevar-se à sua própria condição e superar-se.
Estou só e sei que permanecerei assim por um longo tempo, todavia agora sei do que preciso... E se não vier, apenas continuarei como sempre fiz antes de ti. Era vazio antes, apenas será mais vazio agora, mais vazio sem você. Já sinto a lacuna imensa, ou melhor, o abismo, o buraco negro no meu peito.
Ouço a chuva tão forte lá fora, mas é muito pior a tempestade que sinto dentro de mim e que transborda em forma de lágrimas pelos olhos que você conhece.

sábado, 12 de março de 2011

Atrás da porta




Quando olhaste bem nos olhos meus
E o teu olhar era de adeus, juro que não acreditei
Eu te estranhei, me debrucei sobre o teu corpo e duvidei
E me arrastei, e te arranhei
E me agarrei nos teus cabelos
No teu peito, teu pijama
Nos teus pés, ao pé da cama
Sem carinho, sem coberta
No tapete atrás da porta
Reclamei baixinho
Dei pra maldizer o nosso lar
Pra sujar teu nome, te humilhar
E me vingar a qualquer preço
Te adorando pelo avesso
Pra mostrar que ainda sou tua
Até provar que ainda sou tua...


Chico Buarque

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sexta-feira, 11 de março de 2011

Cada dia vai ser o dia mais importante...

quinta-feira, 10 de março de 2011

Das palavras

Lembrei-me de quando menina, de um dos primeiros livros que li "As coisas que a gente fala, de Ruth Rocha". Lembrei-me do momento que a leitura tomou-me por hábito, foi pouco depois da morte de minha mãe que comecei a ler, pois sentia eu sua falta e precisava ocupar-me em algo para distrair-me de sua ausência.
Lembrei-me do momento exato em que passei a amar rosas. Ela tinha uma roseira, cor-de-rosa. No dia de sua morte colhi uma rosa no jardim e fiquei segurando-a por todo o tempo. No velório uma tia tirou-me a rosa das mãozinhas e colocou-a nas mãos geladas de minha mãe, destacando a rosa em meio às margaridas brancas por sobre seu corpo sem vida. Talvez fosse nessa hora que uma alma triste de poetisa invadiu-me o corpo delicado e tomou-me o ser. 
Das palavras de Ruth Rocha, que desde pequena ensinara-me a pensar:

Depois que elas se espalham,
Por mais que a gente procure,
Por mais que a gente recolha,
Sempre fica uma palavra,
Voando como uma folha,
Caindo pelos quintais,
Pousando pelos telhados,
Entrando pelas janelas,
Pendurada nos beirais.

Por isso, quando falamos,
Temos de tomar cuidado.
Que as coisas que a gente fala
Vão voando, vão voando,
E ficam por todo lado.
E até mesmo modificam
O que era nosso recado.

Ruth Rocha cedo me ensinara o valor da palavra escrita e desde criança, uma lição sobre as palavras: Ter cautela ao falar, porque uma única frase mal (dita) pode ferir profundamente, magoar.

T.S

sábado, 5 de março de 2011


"E naquele instante...
Tudo o que eu sabia a meu respeito até então, sumira.
Eu agia como alguma outra mulher.
Contudo, nunca antes fora tanto eu mesma.

Francesca Johnson, em As pontes de Madison."

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sexta-feira, 4 de março de 2011

Ciúme


 Tive uma ligeira impressão de que a paixão limita, porém do jeito que anda as coisas, isso se tornará uma tese! Não contei quantas vezes o meu coração pulsou hoje, nem se respirei mais do que o normal. Não necessariamente tenho pensamentos impróprios quando me perco olhando para o horizonte, e mesmo nas minhas lembranças mais distantes, as pessoas que tive e não tive no passado, só foram uma soma para o que sou hoje no bom e ruim. Fazendo-me os repelir, serei apenas parte, pois sou também o que vivi e assim o fazendo, não serei amada por completo.
 Deixa-me pensar, me deixa expandir, me deixa criar!
 O sabor do vinho em minha boca se espalhando quente em meu corpo também me dá prazer! Perdoa-me essa traição!
 Posso ser o que eu quiser nos textos que escrevo, posso matar alguém, posso ser Napoleão Bonaparte, posso ser uma prostituta leviana, posso ser até um moinho de vento, sem reservas, sem receios de ser louca. Ao menos nos meus textos eu quero ser livre!
  Perdoa-me, mas dentro de mim não há somente anjos, há também demônios, preciso externá-los para exorcizá-los.
 Permita-me não estagnar, ser toda, tudo e além, permita-me descobrir quem sou.
 Sou sua, isso já não é demais suficiente?

Tatiane Sales
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quinta-feira, 3 de março de 2011

Pousa











Radiando como um dia ensolarado,
Clareando o meu breu inexorável,
Você surgiu como uma pomba branca em vôo,
Em minha vida me trazendo um mundo novo.

Pousou em mim sutilmente gracioso,
Exalando um perfume doce, oloroso.
Tez tão clara com seu branco desbotado,
Olhando-me dois diamantes claros azulados.

Seus olhos, tão azuis foram pintados,
Pelas mãos que pintou o céu estrelado,
Que te banhou de sentimento amoroso,
Para me dar este presente milagroso.

Eu só chorava um sofrimento lamentoso,
Desejava estar em jaz num plano morto!
Dando alento ao meu espírito desolado,
Brilhando veio você em luz, feito um raio.

A esperança deste milagre abençoado,
Aliviando minha dor. Iluminado,
Cuida das minhas feridas cuidadoso,
Ajuda-me a viver neste mundo tão maldoso?

Tatiane Sales
(Minha poesia)

Para o broto.

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domingo, 27 de fevereiro de 2011

Bom dia de inverno e divagações



É manhã de segunda-feira e, eu precisaria sair para resolver muitas coisas lá fora, mas a garoa que molha a janela onde o cinza sobressai a transparência do vidro sussurra com o vento: ...fica, fica em casa. Eu, como filha obediente do tempo e sentindo os dedos frios que agora tocam meu rosto, fico; entregando-me ao inverno que agora é todo o mundo. Inverno que há lá fora, que está aqui dentro e que me invadiu inteiramente.
Estou tão calma...
Tudo se transformou em delicadeza. O afastar meus cabelos que caem aos olhos, os dedos femininos tocando o teclado levemente, o piano da música triste que ouço harmonizando com a chuva tímida que cai no quintal...
Sinto o cheiro das folhas nas árvores molhadas. Os meus olhos estão marejados contendo lágrimas que nunca explicariam o que sinto por dentro. Limito-me a uma xícara de leite quente com café solúvel, é tudo o que consigo agora.
Penso...
Neste momento estou em meu quarto, ultimamente tenho estado muito aqui neste pequeno mundo rosa e azul e, olhando ao redor vejo o necessário para sentir-me bem: Livros, músicas, filmes, papéis e caneta, as lembranças de sobre uma cama, um espelho, aconchego das almofadas, paz.
Há muito os vizinhos não vêem meu rosto, pois e se saio, já é noite.
Noite passada para assistir um filme, coloquei o colchão no chão repleto de cobertores macios e almofadas. Isso para o felino gato que existe dentro de mim sentir-se o mais confortável possível em sua sinestesia.
Dormi no chão...
É boa a sensação de que alguns passados foram superados, de que um alguém que agiu tão cruelmente e me fez sofrer tanto, foi superado. Sinto um sorriso no rosto. Sinto-me livre, respiro fundo de alívio, pois ao menos esse demônio já exorcizei há muito das minhas lembranças.
Agora sem saber o motivo certo, escuto o som de um violino ao longe e vejo mãos muito brancas o tocando. São outras lembranças... Não de um demônio, mas de um anjo.
Melhor esquecer...
O pensamento num passado trai, o pensamento no futuro assombra.
Será que existe apenas uma realidade certa para nós, ou existem milhões de realidades paralelas de acordo com nossas escolhas? Talvez o destino seja realmente a providência que cruza pessoas em nosso caminho, mas o livre arbítrio (que nos faz inteligentes ou o inverso) é que escolhe quem fica ou não em nossas vidas. Entretanto se a providência põe pessoas em nossas vidas, ela também não poderia tirar? Qual a diferença?
Pensando em destino, somos apenas marionetes para um roteiro. Pensando em livre arbítrio, somos esquecidos e jogados num universo à mercê de nós mesmos. A existência torna-se cruel nas duas ideias.
Filosofo...

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

O que é de fato, ser cruel?

Vejo na maioria do tempo as pessoas escondendo sua verdadeira face como Dorian Gray. O curioso é que essa forma que escondem tão aterradoramente pode ser mais interessante e belo em seu verdadeiro e puro, do que o moralismo hipócrita da farsa. Contanto que não prejudique o próximo, o nosso pior defeito pode ser o que temos de melhor.


Tatiane Sales

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Idealizando em todo o seu gerundismo

Supomos...
Idealizando um encontro futuro ao acaso, pedindo ao suposto destino que os separou, uma nova chance. Em "aproximadamente" quinze ou vinte anos, já vividos, "talvez" num café, ela estará lendo um jornal e olhará para o lado numa sensação intuitiva, que ocorrerá e correrá em estremecimento pelo seu corpo todo... Ele estará lá. Ele olhará para ela por alguns segundos, olhará para baixo novamente ao seu jornal, sorrirá aquele sorriso de lado lindo que a encantou tanto, e olhará para ela novamente; nesse segundo olhar não conseguiríamos distinguir tratar-se de minutos, horas, uma vida inteira ou ainda, uma eternidade... Onde estariam e são destinados a se encontrarem em qualquer tempo ou dimensão, porque pura e simplesmente foram feitos de uma só paixão, são o que chamam reflexo paralelo, ou simplesmente e mais conhecido como "almas gêmeas".

Isso sim, é idealizar!

Tatiane Sales
(Pequena crônica romântica)

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Girassóis de Van Gogh

Um túmulo simples, mas repleto de flores, no vilarejo francês onde o pintor impressionista viveu seus últimos dias.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Correm os meus dedos longos em versos tristes que invento...
Cecília Meireles

sábado, 29 de janeiro de 2011

"Fonte"


Pode parecer piegas no início como também achei, mas o fato foi tornando-se cada vez maior:
Estava eu andando desoladamente pelas ruas da minha cidade fazendo compras, gastando desnecessariamente meu dinheiro com o intuito de aliviar a angústia do meu coração, a sensação de solidão, inutilidade e esquecer os erros do passado que causaram a consequência desta minha vida atual, quando notei que numa banca de vendas de cds tocava uma música que dizia assim: "Senhor, eu sei que tu me sondas, senhor, eu sei que tu me amas..." e foi bem rápida a sensação, mas me senti por um momento observada, porém esqueci e segui. Entrei numa loja para ver uma vitrine, e uma música soava em todo o espaço do ambiente (memorizei o refrão) "E mesmo se vier noites traiçoeiras e a cruz pesada for, Cristo estará contigo, o mundo pode até fazer você chorar, mas Deus te quer sorrindo..." Percebi que eu não olhava mais os sapatos na vitrine, olhava para o meu próprio reflexo no vidro com os olhos marejados; respirei, agradeci o vendedor e sai fazendo compras para me distrair pelo resto da tarde, quando desci por uma rua que daria numa praça chamada "Fonte" conhecida pelo palco de shows com uma linda fonte d'águas pseudo coloridas. Ouvi uma música se aproximando, parecia Blues. Enquanto eu me aproximava da praça, o som tornava-se cada vez mais alto invadindo meus ouvidos e meu espírito. Fui tomada então por uma emoção enorme vendo a negra maravilhosamente linda que cantava como Diana Ross, Mary Wilson, Florence Ballard e Gloria Gaynor juntas, e vendo o coral e a banda de Soul num todo em sua força e essência, lá permaneci. Atrás do palco o pôr-do-sol em cores mágicas de amarelo, vermelho num céu azul claro e misturas de tonalidades que se transformavam numa cor de laranja-ouro eram mágicos. A negra maravilhosamente linda cantava "Oh happy day" com toda a força do seu Soul, cantava when Jesus washed, washed my sins away! De repente uma pomba branca veio de longe voando no céu, pairou e parou encima de uma lâmpada. Vigiou ou contemplou a praça, as pessoas e os músicos por um tempo, até que desceu e quando ela desceu, pareceu que meu coração triste e quebrantado estava sendo de alguma forma tocado por uma mão. Não consegui ficar em pé, fui tomada por uma emoção imensamente pura e poderosamente forte que veio de dentro de mim, de um lugar tão profundo, tão íntimo, que desconheço. A pomba branca parou no palco e lá ficou rondando... Era a última música do show. Foi uma das imagens e momentos mais belos que já tive. O pôr-do-sol mais belo que já vi. A música, o voo daquela pomba não era banal. Não consigo parar de pensar no que seria o espírito santo. Não cabe dizer agora em quê acredito ou desacredito, porém sei o que senti. Eu tão descrente da vida e de mim, desolada nessa tarde solitária, recebi um presente através do que mais amo no mundo, a natureza e a arte. Senti que fui observada, acompanhada e abençoada. E sinto que não estou só. Minh'alma ecoa... Oh happy day, when Jesus washed, washed my sins away...
Washed may sins away...

Tatiane Sales
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quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

A meu redor



As outras tardes você guarde bem, nesse coração, em que não há pecado nem perdão! ...

Linda Luiza Possi

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Ex-sacerdote


Encontrei guardado este texto:
Nem imagino o motivo de estar aqui pensando sobre sua passagem em minha vida.
Ultimamente não consigo olhar-te, encarar-te; desvio o olhar dos seus olhos cor de mel talvez por covardia em saber que você agora sabe tanto sobre mim, ou talvez coragem de evitar alguém tão perigoso!
Na mesa do bar, você e eu, onde nada era tão mais perfeito do que nossa camaradagem e admiração pelo outro naquela tarde. De fato como você disse: "Algumas pessoas entendem".
Você falou sobre a providência, querido filósofo. Entendo que dentre tantos tamanhos motivos você vir da Europa também foi para transmitir-me algo de válido sobre Deus e a vida por um período somente, e depois seguirmos nossas vidas separadamente.
Gosto de você, não como um homem, mas como um amigo expansivo que tanto preciso. Você não precisa de mim, ex-sacerdote, ofereceu sua amizade e se doou, mas pareceu caridade; embora ressaltasse e enfatizasse descaradamente seu interesse por minha pessoa.
Rapaz refinado, charmoso numa mescla de parecer gay com um acadêmico antiquado.
Um menino descobrindo a vida depois da liberdade da clausura. Desventurado, senti ciúmes sim, confesso, porém não te desejo como homem. Talvez desejasse um dia, num futuro ou num ontem. Nunca seria.
Mente perigosa, rápido como um felino! 
Quero sua amizade como uma brisa suave no calor do deserto da nossa rotina.
Quero sua amizade como um alívio naquele lugar.
Quero-te como amigo, porque te quis. Nestes dias indecisos, fica ao meu redor neste período que acabará, pois logo seguiremos nossas rotas em caminhos distintos.
Peço-te somente para estar perto de mim, santo-sado, esteja neste tempo que já finda... ao meu lado.

Período, atividade e local atribulado em minha vida.

Tati Sales

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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Cazuza, faz parte do meu show



Te pego na escola e encho a tua bola com todo o meu amor
Te levo pra festa e testo o teu sexo com ar de professor
Faço promessas malucas tão curtas quanto um sonho bom
Se eu te escondo a verdade, baby, é pra te proteger da solidão

Faz parte do meu show
Faz parte do meu show, meu amor...

Confundo as tuas coxas com as de outras moças
Te mostro toda a dor
Te faço um filho
Te dou outra vida pra te mostrar quem sou
Vago na lua deserta das pedras do Arpoador
Digo 'alô' ao inimigo
Encontro um abrigo no peito do meu traidor

Faz parte do meu show
Faz parte do meu show, meu amor...

Invento desculpas, provoco uma briga, digo que não estou
Vivo num 'clip' sem nexo
Um pierrot retrocesso
meio bossa nova e 'rock'n roll'

Faz parte do meu show
Faz parte do meu show, meu amor...

Meu amor...

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Hoje jaz

Hoje estou numa espécie de anestesia vital, talvez um coma emocional, como uma desistência simultânea da alma, corpo e raciocínio. Prefiro hoje não intervir, não interferir em nada.
Também optei não rimar, mas apenas desabafar longe do mundo em sua convivência com as pessoas, e longe da vida em seus exaustivos movimentos do desespero de ser mais um e melhor.
Hoje não quero nada.
Nem atingir metas no trabalho, nem satisfações ao namorado.
Hoje não sou nada.
Num inexpressivo invisível sem estereótipos do que sou, ou do que eu deveria ser e/ou ainda do que eu poderia ser.
Nada.
Sem distinção ou compreensão.
Hoje assumi o fracasso e de repente sei que nada é e será como deveria ser.
Sem esperanças, somente um choro na garganta que não sai. Tudo é decepção, de mim para com o mundo e do mundo para comigo.
Hoje não quero nada, nem responsabilidade e nem liberdade.
Nem expectativas de futuro, nem lembranças do passado...
E, agora neste instante tento me mover o menos possível para não estar no presente.
Se possível fosse não viver, mas como dizia um ex: Sístole e diástole... Sístole e diástole...
Por que bate tão rápido o meu coração? Será melancolia, taquicardia, disritmia ou agonia?
Depressão?
E me recomendo calma...
Há uma opção, mas tenho medo da dor e punição.
A misantropia aumenta a cada dia, e chega ser cômica a minha hipocondria.
Queria não rimar, mas a poesia corre em minha artéria, a pulsar etérea sina.
A rima...
Só estou numa morte parcial da vida, só quero que me deixem sozinha, não estou deprimida e nem me alcoolizando com a íntima e ínfima bebida.
Só me deixem neste hoje em paz, somente hoje, neste hoje...
Que eu transformei num jaz.
Tatiane Sales

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Trova




No céu azul nuvens nuas
No teu olhar céus febris
Passos maiores que as ruas
Canções que eu nunca fiz


Tu pisavas distraída
por entre os carros sem dor
andando pela avenida
como se andasse num andor


P'ra onde fores eu vou
Aonde flores eu fujo
Te dou meu poema sujo
que eu não sei fazer toada


Menos que se quer é tudo
Tudo que se tem é nada


Zeca Balero

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

A magia da poesia

Fecho meus olhos cinzas para imaginar algo de bom,
Algo que alivie a minha angústia terrível da existência.
Fecho meus olhos cinzas e vejo e ouço a cor do som,
E vejo uma Baleia Azul nadar além da consciência...

Essa Baleia Azul tem imensos olhos verde-claros,
Estou à beira da praia e ela vem em minha direção.
Olho para o céu e meu nome é escrito com um raio,
É um raio igual caneta e a escrever Tatiane, uma mão.

Essa enorme mão que segura raios e escreve em céu,
Tem no dedo um anel d’estrela como um raro diamante.
O anel se compara às estrelas presas naquele escuro véu,
Que nos cobre em breu à noite anéis d’estrelas de brilhante.

Fechando meus olhos vejo e escuto o grande oceano-mar,
De transparência pura e límpida, tal qual pureza de um Anjo.
Junto com o som das ondas escuto um suave hino ressoar...
E a Baleia Azul acompanha o Anjo num dueto o belo canto.

Agradeço por esses presentes que eu tanto precisava,
É a poesia que faltava nos meus dias tão vazios.
Caem lágrimas puras e límpidas tão iguais a água clara,
Dos meus olhos e do céu chovem gotas d’água e lírios...

Tati Sales

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Adeus

Sinto que chegou ao fim,
Há tão breve adeus assim?
Seus braços quentes me envolvendo,
Seus cabelos recendendo...

Eu me despeço sem razão,
Sem lhe entregar o coração.
Desde então peço perdão,
Pelo primeiro erro, o não...

Se for não querendo sim,
Em tê-lo perto de mim!
A sua voz a me clamar,
Implorando-me p'ra beijar...

Seu corpo a me procurar
A sua mão a me tocar
O seu olfato a me cheirar
Os seus instintos suplicar...

O quanto eu quero te amar!
Agora é tarde p'ra tentar.
Se o perdi resta chorar,
Ajoelhar e lamentar...

Quando o que eu quero é te rogar!
Só que eu sei, não vou tentar.
Por que mais me magoar?
Estou por dentro a te implorar...

Em minha vida se instalar
E, para sempre em mim, morar,
Porém das imperfeições que fiz,
Depois você quem não me quis.

Agora só me resta lembrar e penar...

Tatiane Sales
(Minha poesia)

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Se puder, sem medo




Deixa em cima desta mesa a foto que eu gostava
Pr'eu pensar que o teu sorriso envelheceu comigo
Deixa eu ter a tua mão mais uma vez na minha
P'ra que eu fotografe assim o meu verdadeiro abrigo
Deixa a luz do quarto acesa a porta entreaberta
O lençol amarrotado mesmo que vazio
Deixa a toalha na mesa e a comida pronta
Só na minha voz não mexa eu mesmo silencio
Deixa o coração falar o que eu calei um dia
Deixa a casa sem barulho achando que ainda é cedo
Deixa o nosso amor morrer sem graça e sem poesia
Deixa tudo como está e se puder, sem medo
Deixa tudo que lembrar eu finjo que esqueço
Deixa e quando não voltar eu finjo que não importa
Deixa eu ver se me recordo uma frase de efeito
P'ra dizer te vendo ir fechando atrás da porta
Deixa o que não for urgente que eu ainda preciso
Deixa o meu olhar doente pousado na mesa
Deixa ali teu endereço qualquer coisa aviso
Deixa o que fingiu levar mas deixou de surpresa
Deixa eu chorar como nunca fui capaz contigo
Deixa eu enfrentar a insônia como gente grande
Deixa ao menos uma vez eu fingir que consigo
Se o adeus demora a dor no coração se expande
Deixa o disco na vitrola pr'eu pensar que é festa
Deixa a gaveta trancada pr'eu não ver tua ausência
Deixa a minha insanidade é tudo que me resta
Deixa eu por à prova toda minha resistência
Deixa eu confessar meu medo do claro e do escuro
Deixa eu contar que era farsa minha voz tranqüila
Deixa pendurada a calça de brim desbotado
Que como esse nosso amor ao menor vento oscila
Deixa eu sonhar que você não tem nenhuma pressa
Deixa um último recado na casa vizinha
Deixa de sofisma e vamos ao que interessa
Deixa a dor que eu lhe causei agora é toda minha
Deixa tudo que eu não disse mas você sabia
Deixa o que você calou e eu tanto precisava
Deixa o que era inexistente mas eu pensei que havia
Deixa tudo o que eu pedia mas pensei que dava


Oswaldo Montenegro

terça-feira, 30 de novembro de 2010

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Baixa estima que causam os homens

Ele vai deixá-la, eu sei...
Vai abandoná-la sem piedade,
Por ela não ter mais aquela idade...
Por ela não ser mais perfeita,
Não ser bela como a princesa
E por não mais exalar flores como a natureza.
Se o seu aroma fosse de rosas
E os seus lábios, rubros, e formosa,
Se os seus cabelos fossem doirados
E tranças longas recendendo,
Em véu pela torre irias descendo...

Tatiane Sales
(Minha poesia)

...

domingo, 28 de novembro de 2010

Realizar

... E na vida de tantos sonhos, acordar!
E que a realidade que se enxergar agora,
Seja o antes esperado, tão sonhado...


Tatiane Sales
(Minha poesia)

...

sábado, 27 de novembro de 2010

Ação!

"Ser não é somente pensar, ser é agir o pensar. Ser é criar a ideia depois de imaginá-la,  senão a arte se perde. Assim como a bondade está no ato de ser bom, pois bondade sem ação é descaso. Quando não há ação, a ideia e o sentir se perdem...".
TSales

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Encanto

Quis-te até mesmo quando eu não queria,
Mesmo quando eu não te conhecia,
O tempo todo eu te pedia.
Chamava-te nos sonhos sem saber seu nome,
Vi-te em devaneios sem distinguir, sem rosto.
Só percebia os gestos finos e a postura nobre...
Eu senti seu cheiro doce no vento da tarde,
No frescor do outono que a brisa trouxe.
O seu corpo eu via nas formas do tempo,
Que o vago mostrava que algo me faltava.
Quando eu te neguei foi por medo apenas,
Quis te perder antes que eu meu perdesse...
Mas tudo o que eu quero foi colocado em ti,
Tudo o que eu preciso para ser feliz.
Desde os seus cabelos ao seu corpo alvo,
Fascina-me o seu sorriso, amo quando ri...
Sua voz é suave até quando não fala,
No silêncio cheio de você me cala...
E quando cantando tão sutil demonstra,
Que por mim se importa, seu cantar me toca.
Ao tocar seu canto o meu corpo sente
Deveras sintonia de coração e mente,
De música e Arte,
De tudo, somente...
Tatiane Sales


(...)

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Tecnologia lúdica (vintage)

Cada mensagem enviada,             
Cada palavra em torpedos,
Uma emoção digitada
Um conforto para os meus medos.


Esperança renovada
De fazer sentido à vida,
Quando o telefone tocava
E a voz dizia "querida"...


O toque que me avisava,
Que era ele do outro lado
E quando nada mais restava,
Telefonava o meu amado.


Nas mensagens de texto
Este amor se propagava,
Mas me dava desespero
Quando a bateria descarregava...


Tatiane Sales
(Minha poesia)


...

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Encontro

O que há para dizer-te, senhor?
Penso ideias, recordo falas,
Ouvindo o seu preferido, Sebastian Bach...
Numa noite de sábado fria com luar.
Há uma augusta virtude na Rua Augusta andar
Com um senhor tão intrigante pela madrugada a vagar.
E numa mesa de bar, filosofar...
Uma mera de ternura me tem aquecido e encantado
Com suaves lembranças a recordar.
Em minha memória uma madrugada fria, mas aquecida,
Interessante a lembrar...
Tatiane Sales
(Minha poesia)
...

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Chegada

Quando eu te encontrar no mar azul da felicidade,
Quando você me achar em meio à contrariedade,
Quando você desembarcar em rumo prol desta cidade,
Encantar-me-ei da vida e farei do sonho, realidade,
De ver na vida sentido num mundo de iniquidade,
Saber que Deus ainda existe e que no escuro há milagre...
Tatiane Sales

...



(Minha poesia)

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Desencontros

E todas essas folhas dos livros e outonos
Serão tristes e voarão fugidias pelas tardes
Porque longe não posso chorar sobre seu ombro
Que entende o meu pranto dessa intensa tempestade.
E todas as auroras das manhãs quando eu acordar
Serão tristes nos anos da maldita eternidade
Porque longe não posso com um beijo te acordar
Que entende os meus lábios delicados de saudade...
E todas essas músicas que do piano irão fluir
Serão tristes e soarão como gemidos pela casa
Porque longe minha melodia você não poderá ouvir
Que entende a dor do que carrego em minh'alma...
E todas essas noites estreladas com luar
Serão tristes no vago guardado na memória
Porque longe não posso sua mão branca segurar
Que entende ao tocar minha poesia merencória...
E todas as viagens que eu fizer em meio ao mundo
Serão tristes e incompletas imagens de fotografia
Porque longe não posso ver no seu olhar profundo
Que entende os meus anseios de arte e filosofia!
E todos os desejos do meu corpo e meu amor
Serão tristes e nobres torrentuosos como o mar
Porque longe não pode sentir o meu calor
Que entende a odisseia que seria te amar!
E todos os caminhos que eu trilhar em minha vida
Serão tristes e sombrios sem entender qual foi o erro
Porque longe não podemos passar juntos nossos dias
Que entende o desencontro de duas almas em degredo...
Tatiane Sales
...

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Olhos de céu

Abriu a cortina antiga,
Por que será que a luz entrou?
Ouvi uma voz amiga,
Que com ternura me acordou...

Ele veio sorrateiramente
E deitou-se ao lado meu,
Dizendo-me docemente:
Acorda-te do seu breu...

Ainda de olhos fechados,
Eu sentia sua respiração.
Contendo emocionada
Minhas lágrimas de emoção.

Meus cabelos afagando
Com o toque das suas mãos
E calmamente revelando
O amor do seu coração

Dizendo: Moça de lábios rosados
Que Deus pôs na minha vida
Olhava-te dormir, acordado,
Velando-te na noite infinda.

Os maus sonhos, extingui,
E os perigos da escuridão,
Quando minhas asas abri,
Envolvendo-te em proteção.

Abri meus olhos lentamente,
Vi o céu azul nos olhos seus.
Ao meu lado, ali reluzente,
Era um Anjo enviado por Deus...

Tatiane Sales
(Uma singela poesia aos olhos azuis do meu broto)
...




Uma noite longa p'ra uma vida curta, mas já não me importa, basta poder te ajudar...



Tens espírito de uma flor de lótus azul...

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Deveria, deveras

Sinto tanto pelo pranto
Que te causei, moço inocente,
Que tão doce era... E deveras
Eu preservar-te, porém, vai-te.
Foi-se cedo com o receio
De eu ferir-te se não fosses,
Mas tu mal sabias que irias
Levando tudo o que é belo e doce.
Quais alegrias, tu me darias?
Moço diferente, inocente,
Se tu lutasses e então ficasses
Mostrando as frases de teus olhares,
Envolvendo-me, tendo-me,
Explicando-me, ensinando-me,
Fazendo desta minha vida sofrida
Poesia de amor, não de dor.
Mudando minha sina maldita,
Para uma linda história de amor.
Porém docemente foi-se...
TSales

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Insônia















Ela me atrai com a sua cor castanha,
E seu mistério negro a obscura estranha.
Sei que ela está lá fora, pálida e branda,
A noite solitária pela amante chama...

Por companhia, por desejo, pela bela clama.
Então fujo na noite que igual a mim leviana,
Funde-me o corpo quente, mescla, ufana,
E o relento refresca minh'alma em chamas!

Amálgama libertinagem, duas párias damas,
Libidinosas lésbicas confidentes tramam.
Ao perder-me na noite a noite me ganha,
Envolvendo e seduzindo me corrompendo engana.

Ela me toca, me sussurra no ouvido infâmias,
Sacio-me da noite impura dessa mulher insana.
Ela me excita, porque me incita como uma tirana,
Entrego-me a ela e supro-a como uma profana...


Tatiane Sales
(Minha poesia)
...

A dama da noite desabrocha uma vez por ano e após o desabrochar, morre.

domingo, 14 de novembro de 2010

Provérbio irônico

O sol é um astro tão imenso, não?
Mas é possível de onde estarmos
Tapar o sol com a mão.
Tenta, é fácil, o poder está na força da imaginação!
E enfim acabará sua preocupação...

Tatiane Sales
(Minha poesia)

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sábado, 13 de novembro de 2010

Deus

Minha fé resumia-se encontrar um Deus para culpar.
Eu precisava justificar a ínfima vida que levava,
blasfemando o seu nome nas penumbras e noites de tormenta;
eu o condenei.
Ouvia falar de um Deus austero, mas eu me negava crer
num Deus preconceituoso que pune as diferenças;
eu o recusei.
E na busca me apresentaram um Deus bondoso, que
perdoa até as piores das falhas;
eu o lamentei.
Mas na escuridão medonha em que senti dores terríveis
de medo, de frio, desesperada e desgraçada,
sozinha na tempestade, num raio eu supliquei;
e dele precisei.
Filosofei, pensei em Deus e percebi que ele era uma idéia
poderosa e vingativa para uns, uma idéia bonita, sublime e
cômoda para outros, de acordo com suas necessidades e conveniências;
eu o questionei.
Anulei o Deus que criamos e comecei a descobrir o Deus
que me criou. Ele estava em mim cercado e ocultado por
idéias, conceitos e tradições;
à medida que eu as removia,
eu o descobria...
E em mim, o encontrei.

Tatiane Sales
(Meu poema)

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