terça-feira, 31 de maio de 2011

Melancolia









Ah, meiga melancolia,
Por que me enternecer assim?
Menina pulsa em demasia
O coração dentro de mim!


Melindrosa nesta noite fria,
Se, estou sozinha me apego a ti
E o papel que sobra e a caneta amiga,
Suavizam-me a dor enfim...


Sussurra palavra triste em melíflua,
Que a poesia brota sem pedir.
Torna mais doce minha agonia
E sob os versos irei dormir...


Tatiane Sales
(Minha poesia)


...

segunda-feira, 30 de maio de 2011

O pé do enforcado


Ele não dormiu, mas levantou da cama naquele dia.
Havia um motivo como há muito não havia...
Não lavou o rosto, não trocou a roupa,
se dirigiu à mercearia.
Comprou dois metros de corda grossa,
com as mãos a testou com força.
Não se importou com a hostilidade do vendeiro.
Olhava para baixo, para o seu pé direito,
em seu desterro não pensava, não lamentava.
Paralisou os seus sentidos dos tantos ais e
silencioso já não soluçava mais.
O significado de toda uma vida nada era.
Todo um caminho o levou àquilo, ou seja, a nada.
A sua vida não mais que a dos outros agora lhe importava.
Parou no meio da rua inerte,
não sentiu a brisa em seu rosto, num carinho singelo
dos dedos de Deus dizendo: Não faça.
Não viu o sorriso de Deus no sol da praça.
Ele estava pálido, os olhos fundos.
Talvez se ele dormisse um sono sem interrupções, profundo.
Talvez se alguém o fizesse um chá quente, com um bom dia
e uma rosa,
mas ele não viu a rosa na mão da criança tocada pelo sol da praça.
Era firme os seus passos, o rosto lívido,
e no último instante de uma vida inteira covarde,
ele havia decidido!
E havia no seu rosto como há muito não havia,
um imperceptível sorriso...
Não percebeu que pisou em uma folha seca,
que a árvore de outono o presenteara.
Seu rosto era gélido, face inalterável.
Se seus olhos ainda choravam?
Talvez nem mais piscavam!
Entrou naquela casa suja, desordenada, mórbida;
Sem responder o olhar da vizinha velha amargurada.
Deixou o seu pacote na mesa,
e sentou-se pensativo na macabra cadeira.
Por lá ficou horas ou dias, não se sabe.
Pensou ou esperou, mas nada veio...
Mudo em seu fúnebre devaneio.
Então subiu naquela cadeira sem receio.
Olhou para cima, fitou a viga e pôs-se a laçar
um nó como escoteiro.
Parecia que toda a sua vida o preparara para o nó.
Com tanto afinco e destreza, ninguém jamais por ele
sentiria dó.
Enlaçou ao seu pescoço a corda como um colar,
porém sentiu uma esperança como há muito não sentia,
e por alguns momentos teve vontade de ficar...
Mas ao não se jogar nada veio.
Respirou mais fundo sem sofrer,
e teve ímpetos para morrer!
Definitivamente uma coragem o dominou
e se lançou.
A cadeira para o canto inalcançavelmente voou.
Ao sufocar se arrependeu, mas era tarde.
Então se entregou, se libertou,
e o seu pé direito como há muito não fazia,
ainda uma vez, dançou.
  

Tatiane Sales
(Meu poema)

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domingo, 29 de maio de 2011


sábado, 28 de maio de 2011

Frio de inverno










E nem ao menos uma poesia...
O sol da manhã não me traz alegria.
Frio está neste tempo de inverno
E gelado tornou- se até o meu inferno!

Sinto falta d'um tanto de fogo,
D'um dia de verão que não chegou de novo...

Eu grito por sol, tremendo a clamar.
Eu sei que está lá em algum lugar,
Mas é tão longe o astro alcançar
Este vento gélido a me congelar!

Falta-me poesia,
Sobra-me melancolia...

Na inércia de tempos gelados
Que imobilizam meus movimentos,
Meus pensamentos.
E tudo o que enxergo é este dia nublado,
Este céu nevoento sem ninguém ao lado...

Tatiane Sales
(Minha poesia)

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sexta-feira, 27 de maio de 2011

Ele, o Sol

Eu te amo no outono
Em suas folhas secas
Na melancólica tarde
Na dúvida e na certeza...

No ímpeto da tempestade
E no te amar no momento
Em que o vento sopra
O meu cabelo em movimento...

Quatro estações no peito
Nas falhas, no erro...
Estou tão apaixonada
E sinto tanto medo!

Eu te amo...

Nas canções doloridas e sonetos
Nas calçadas escuras do caminho
Em minhas lágrimas puras de lamento
No viajante perdido e sozinho...

Meu amor é um amante sem destino,
Estrangeiro nas terras do alheio.
Na aurora, no porvir, no breu infindo,
Meu pensamento em você o tempo inteiro.

Eu te amo...

Na esperança exalando aromas d'orvalho
No abrir das flores;
No que alenta meu dormir nos lençóis do quarto,
Imaculados amores!

Creio entristecida na esperança ao longe,
Que conforta em semente vida imaginar você.
A multidão macula a calma da noite
E eu te procuro sem te ver...

Meu espírito torna-se nublado,
Chove um choro sofrido.
Como o grave dum tenor calado,
Como o lírico duma dor num hino.

Eu te amo tanto quando estamos sós,
Também quando estou só num canto em prantos!
No refúgio do vinho que o sangue aquece,
Na respiração de ar frio que me enternece.

Perdão ao frio que gela o meu rosto
Pálido que a solidão causa.
Há liberdade na paixão? Quero voar neste verão,
Mas sinto-me em desgosto, aprisionada!

Embalo-me sob árvores intocadas.
Estou tão apaixonada
Na luz tranquila em que busco alívio
E na toada sentimental dum livro.

Nos raios do seu sublime olhar
É crer no céu, na redenção!
No permitir a sua voz em me chamar,
Meu coração pulsa em tempo vão...

Meu corpo exala flores de sentimentos
Na melódica Torna a Surriento
Na paixão do sol, o sorriso brota.
É você quem chama meu querido volta!

Meu amor traz paz?
Seu raiar conforta...

Tatiane Sales
(Minha poesia)

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quinta-feira, 26 de maio de 2011

Vazio, nuvem cinza

Já se sentiu como se nada do que fizesse em determinado período da vida, num ínterim, numa fase, desse certo? Ou pior, tudo o que você faz é errado nesse tempo? É assim que me sinto nestes meus dias vazios, mas repletos de erros. A neurolinguística não me ajudou muito sobre isso, pois nela o erro está na forma em que observo os acontecimentos. Posso não ser a maior das otimistas, mas sou muito esperançosa, e sei que é uma fase! Sei que passa! Vivo numa espécie de meio; meio vida e meio morte, onde cada movimento é sem ânimo... Já desisti de fazer o que realmente quero nestes dias, porque no final, sei, dará errado. Talvez essa meia morte seja pior do que a própria morte! Não queira estar nesse lugar, nesse meio, onde cada atividade é forçada. Vivo sem alegria, sabendo que minhas ações são da maneira que não deveria ser. Escuto isto toda hora... "Você poderia ter feito isso, você poderia ter feito aquilo... desse modo ou daquele modo...” A grande verdade é que eu não sei "como" deve-se fazer neste vasto mundo maldito! Não pedi para nascer. Nestes dias vazios repletos de erros, me sinto um erro, me sinto inepta e inapta, me sinto um nada.

Tati Sales

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Mas não me venha falar de metafísica!

terça-feira, 24 de maio de 2011

Avante



O jeito é respirar fundo, olhar ao redor e no espelho, e valorizar o que temos de melhor!
Ainda não acabou...
Ainda há muito a ver, errar e aprender.
Há algumas frases que me motivam em momentos de poço escuro:
"Sorri e ao notar que tu sorris todo mundo irá supor que és feliz..." e, "vou por aí a procurar rir p'ra não chorar!".
O jeito é seguir adiante, e ver onde isso tudo vai dar, pois "a esperança equilibrista sabe que o show de todo artista tem que continuar...".

Estou sorrindo querendo chorar como um pierrô palhaço, mas vamos em frente...
O teatro está-me sendo útil nestes dias de "finja fé e ela aparecerá".

T.S
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sexta-feira, 20 de maio de 2011

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Ando mais triste que um Pierrot depois do carnaval rumo ao mês de junho...




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domingo, 8 de maio de 2011

"Eu deixarei que morra em mim
o desejo de amar os teus olhos que são doces,
Porque nada te poderei dar
senão a mágoa de me veres eternamente exausto..."


Trecho de Ausência,
Vinícius de Moraes.
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sábado, 7 de maio de 2011

No circo


Na cidade entrou,
o circo chegou!
Lá estou!
Quem eu sou?
Sou a atração principal!
Fenomenal, sensacional!
Tornei-me estrela afinal...
Sob a lona amarela e vermelha,
que sob um céu repleto de estrelas,
depois do trapézio nos ares
e do vai e vem dos malabares,
sou eu quem rouba a cena!
Não... Não tenha pena...
Eu pinto uma risada no rosto
e maquio o meu desgosto
para o público rir!
Tropeço para a plateia aplaudir!
Com um nariz vermelho na cara,
corpo e roupa de dançarina clássica,
enceno desequilibrada
uma bailarina atrapalhada.
... E o público se diverte
com a minha pobre desgraça.
Eis a estrela que reflete:
Sou a bailarina palhaça!
Tatiane Sales
(Minha poesia)

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Teatro

Ofertar-te-ei verdades novas como rosas
Sob o manto de palavras transpostas
para um plano artístico em que generosos
gestos, estes, de minha generosa parte, encena
para não te magoar, te alegrar ou emocionar.
A verdade, como o teatro, é ou pode ser uma questão do ponto
de vista na imaginação da plateia.
É o olhar teatral na interpretação da que acredita
ou da ateia.
Sim ou não...
É uma questão de fé e visão.

Tatiane Sales
(Minha poesia)


segunda-feira, 2 de maio de 2011

Cadência










Foi criando que não criei
Foi organizando que não organizei
Foi tentando que piorei
E foi errando que acertei
Depois da tristeza sorri
Sorri para o mundo que nunca vi
Eu, o pintor que não pintava
Eu, o palhaço que não chorava
Não tinha boêmio naquela boemia
Pois o cigarro nem cinza tinha...

Mas este espinho ainda dá jasmim.
Ainda há samba nesta batucada
E tem cadência nesta bateria
Tem mestre-sala com alegria
Eu me encontrei nesta madrugada
Ainda há vida dentro de mim!
Minha perna de pau eu remendei
E consertando, não consertei
Foi tentando que piorei
E foi errando que acertei.

By Tati Sales and FabioToledo
(Nossa poesia)
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domingo, 1 de maio de 2011

La Luna

Você já viu hoje a lua
De opalina pendurada?
Esplêndida clareia a rua
Iluminando a madrugada.

Você já viu hoje a lua
Branca a noiva em sua grinalda?
Cheia a robusta nua
Como uma santa virgem grávida...

Você já viu hoje a lua
Clemente senhora alva?
Prateando a noite escura
Brilhando no céu da estrada?

Você já viu o olhar da lua
Que o amante extenuara?
Qual é a mágica sua
Feiticeira de tez pálida?

Deslumbrada pela lua
Vou-me embora encantada,
Mas deixa-me ela confusa
Num conflito, desolada...

Você já me viu olhar p'ra lua
P'ra linda virgem argentada?
Tenho inveja ou isso ofusca
Estar por ela apaixonada?

Sinto-me fascinada...

Tatiane Sales
(Minha poesia)

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sexta-feira, 8 de abril de 2011

A música predileta




Johann Pachelbel Canon in D Major

quinta-feira, 7 de abril de 2011


A transfiguração da mente através da arte!

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Crônica do ser

Pode-se dizer que sou uma mulher que todos os dias volta ao introito de sua alma numa busca inefável, porém inexorável de ser um ser humano melhor. As veredas mais importantes são as que levam rumo ao caminho da humildade, da paciência e da bondade. São nessas veredas que trilho.
Sou um ser humano? Não... Ainda não sou de fato um verdadeiro ser humano, e poucos são. Quem eu "sou" não se explica em minha adoração pela natureza ou em meu amor pelas artes, em meus defeitos e qualidades momentâneos, nem em minhas ideologias, fracassos, inspirações e paixões. "Ser" vai além disso. Se definir é se limitar. Num universo em expansão, sou ainda em evolução, em transformação, em travessia. Amplitude de busca, erros e aprendizado, aprendendo a cada dia. Sei o que sou agora, mas sei também que há muito em mim que ainda não conheço. Se as veredas mais importantes são as que levam para a estrada da humildade, da paciência e da bondade, sou agora a que trilha para chegar no caminho do que devo ser... Um verdadeiro ser humano.

Tatiane Sales
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segunda-feira, 4 de abril de 2011

A rotina

Não importa o quanto você queira que a noite dure; vai amanhecer.
Não importa o quanto você queira que aquela viagem nunca termine, para você permanecer ao lado dele no carro, como se no mundo existissem apenas vocês dois; vocês chegarão ao destino.
O filme acabará desatando naturalmente o abraço
que naturalmente formou-se.
Willie Dickson tocará a última música na vitrola, e o blues se tornará o som da agulha arranhando o disco.
E quando você estiver sendo enfim sincera, e conseguindo transmitir o que de melhor há em você, notará que tomaram a última taça daquela garrafa de vinho italiano, que só seria aberta numa ocasião especial.
O fim da noite de domingo se unirá à segunda-feira, e você não vai querer ir embora, iludida de que nada mais importa se os dois estiverem juntos. Você ficará, e ficar será então o grande erro!
Para não perder o encanto, temos que saber o momento certo de partir, para num retorno inebriado pela saudade, continuar a descobrir aos poucos o que ficou incógnito nas entrelinhas, sem deixar a banalidade real estragar o ébrio encantador da paixão.
Em seus primeiros encontros aconselho a ir embora no domingo à noite mesmo, e não segunda-feira pela manhã (lúdico?). É melhor prorrogar o existencialismo para o casamento, e mesmo assim, a total intimidade num casal pode ser perigosa. A rotina pode desencantar qualquer conto de fadas.

Tatiane Sales
(Minha prosa)

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domingo, 3 de abril de 2011

E não me venha falar de metafísica!

sexta-feira, 1 de abril de 2011

quinta-feira, 31 de março de 2011

Canto de boemia










Sóbrios ébrios amigos de pôquer
Vou encontrá-los para beber e jogar
O gatuno fumando em meio aos madafoquer
Repelindo-me, Tati você não pode fumar!

Com eles o caos é tão aprazível
Nas noites de inércia encontro a boemia
A madrugada sem eles seria terrível
E no porre não percebo o amanhecer do dia.


O vinho faz de nossos lábios, ensanguentados.
Avermelhados, poetizando trovas às gargalhadas!
Rindo mais que o curinga do carteado
Os demônios se assustam com as nossas risadas!


Alcoólatras, gênios, lindos e loucos.
Falamos de arte e sexo em prosa
Filosofando a criação de Deus, louvam,
Recitando Marquês de Sade, gozam.

Não os trago para a vida cotidiana,
Pois somos o elo que se une no bar
Somos o refúgio para as noites insanas
Somos o resto, quando mais nada sobrar...


Tatiane Sales
(Minha poesia)


Para vocês da taverna, um brinde!
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quarta-feira, 30 de março de 2011

Noite estrelada



Vincent Van Gogh via uma noite estrelada assim...
Visão?  Imaginação? Absinto?

terça-feira, 29 de março de 2011

segunda-feira, 28 de março de 2011

Intrínseco

Se um dia nos encontrarmos novamente
Rogarei numa súplica dolente
Tempo, para memorizar-te eternamente.

Antes de a noite findar
Tentará dizer-me o que sente?
Ausente amanhã estará
Notará que só vale o presente...
Agora é a hora, o momento
Gemendo de intento me fala?
Observara que luto por dentro
Retendo a paixão que propaga.
Antes que amanheça, diz como?
Sinta-me inteira e me inspira...

Sua vida derrama em meu corpo
Minucioso envolve-me em lira
Espera-me na madrugada
Tatuada em toda a ausência
A essência de sentir sua falta
Nada é mais que a sua presença!
Apenas segura minhas mãos...

Falarão dos sentimentos que escrevo
E vejo surgir na escuridão
Revelação de um lânguido beijo...
Nesta pausa, não existirá tempo
Aumento as horas para nossos lábios
Natos de delicadeza, um momento
Dentro do destino, no acaso.
Esperar-te-ei numa noite, jovem artista
Sinta, pois te aguardo um dia

Seria isso, idealizações de poetiza
Externizando uma saudade esquecida?
Não, em meus versos há um motivo
Antagonizo, talvez em vão, antagonizo...

Tatiane Sales


domingo, 27 de março de 2011

Se puder por dentro me ver

Querido... Se você puder por dentro me ver, gostaria de lhe falar sobre essas longas noites solitárias, sobre o correr da noite, essas travessias desertas cheias de fantasmas; lhe falar sobre esse coração que ouço bater, não desiste. Dizem que a vida vale a pena ser vivida. Então eu quero mais, meu coração não desistiu. Aqui dentro eu acredito no meu coração que bate, no pulsar das minhas veias, acredito nessa força dentro de mim. Se você puder por dentro me ver, direi como é minha vida, de quando o medo se ergue, e fica tão alto que me dá tontura e desespero. Passo por esses momentos pensando estar perdida, mas às vezes descubro em mim mesma, forças desconhecidas. Você verá todas essas forças, se você puder por dentro me ver.
Sei que estou aqui para aprender alguma coisa, e quando eu tiver aprendido, poderei enfim partir. Eu sei... E sinto que o entendimento se aproxima, pois já me emociono com o pôr do sol.
Ouvi que a maravilha da vida está no aqui e agora. Sei que quando eu partir, eu não estarei mais dominada pelo medo. A vida pode ser cheia de riquezas, nos gestos, sorrisos e alegrias se compartilharmos o que sabemos. Li que Deus encontra-se nos relacionamentos. Levarei alguns momentos comigo.
As conversas com meu irmão mais novo, a lembrança do meu pai e minha mãe juntos, os cafés e cappuccinos com os amigos, o anseio pelo estudo e sabedoria, a adoração pela natureza e o amor pela arte. O circo, ah o circo! O nome duma paixão libidinosa, a delicadeza da minha mãe regando as rosas. Rostos e versos... A ligeira embriaguez com vinho ou martini, o mar... o mar... Aquele beijo, aquela dança, a grama molhada, aquela bela mão branca no volante do carro, no violino e em meu rosto, tantos sorrisos, aquele sorriso...
Aprendi muito, conheci pessoas maravilhosas.
Já sei que é necessário compartilhar as alegrias, saborear cada momento e, acima de tudo, olhar as pessoas por dentro. Não tenha vergonha de dizer para as pessoas que você gosta que você as ama. Isso, eu já sei, mas o verdadeiro entendimento está em pôr o amor em prática. E essa ação, ah... essa ação, eu ainda estou aprendendo...

Inspirações em G. Musso,
por Tatiane Sales.

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segunda-feira, 21 de março de 2011

"Liberdade é o espaço que a felicidade precisa..."
Fernando Pessoa

domingo, 20 de março de 2011

Outono



As quatro estações de Vivaldi

Inverno



As quatro estações de Vivaldi

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Primavera




As quatro estações de Vivaldi.

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Verão




As quatro estações de Vivaldi

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sábado, 19 de março de 2011

Beijo roubado

Intuição...
Traição, que distração!
Dissoluto e sujo!
Do devasso fujo,
Mas lascivo me pega
A linfa do seu desejo
Sua saliva no meu beijo...
Liberta!
Minh'alma ao limbo
Sua língua em mim,
Mas mesmo assim...
Jurisprudência à parte
Indefensável instinto
Ainda um beijo e vai-te!

Tatiane Sales
(Minha poesia)


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terça-feira, 15 de março de 2011

Para Friedrich Nietzsche


Segundo "Quando Nietzsche chorou" de Irvin D. Yalom, Richard Wagner é um anti-semita e corrompeu a música... o que é um tanto quanto cômico!




Nietzsche era amante da ópera Carmem de Bizet.
"Você me ama e eu te amo, e se eu te amo... toma cuidado!


Não concordo muito com a filosofia de Nietzsche, porém gosto dele. Ah... como eu compreendo os motivos que o transformaram em pagão!



"Amamos mais o desejo do objeto do que o objeto desejado"

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domingo, 13 de março de 2011

Rompimento

"Carta ao derradeiro
encontrada ao léu.
Volto para o início do inferno,
no final do céu..."

É difícil iniciar isto, entretanto é necessário que se faça...
Escrevo como forma de desabafo e também de despedida.
Estou dando-te fragmentos do que sinto, não sei se é errado ou certo, mas é a minha verdade e somente, agora. Espero que aceite.
Não poderei ver-te mais, seria tortura e já estou muito machucada. É injusto ser forte sem ser, é cruel comigo suportar para confortar-te, aguentar e fingir para agradar-te; sou um ser humano, não um super-herói.
Você sabe o motivo dessa carta. Estou oscilando meu humor entre Sartre e Shakespeare, naquela bipolaridade que você conhece, todavia optei, não quero ser nem sua Simone de Beauvoir nem sua Julieta.
Eu não quero mais ver-te, nem falar contigo e espero que você queira o mesmo, ou pelo menos consiga respeitar isso... E me respeitar ao menos uma vez. Não mais me procura.
Não estou nada bem, queria muito que você estivesse comigo de alguma forma e por isso tentei ser sua amiga sufocando minha dor, a mágoa. Todos os dias em que nos vemos você me decepciona mais. Sempre encarei seu comportamento como atos inconsequentes de um jovem rico e mimado, imaturo e perdido. Da última vez foi diferente, foi intencional, você "quis ser" vil.
Motivos você é inteligente o bastante e até mais para saber.
É impossível ser sua amiga, quando na verdade sou sua... Na última vez senti-me agredida de todas as formas que uma mulher poderia sentir-se. Maculada... Notei que você não respeita nem meu coração, nem meu corpo.
Vi que sou uma latina no oriente de sua vida.
É insustentável imaginar que você agora está com outra. Às vezes imagino-te sendo tocado e beijado, tocando e beijando, pensando em mim e amando-me em outra. Consequentemente, você se torna um vampiro maldito que suga toda minha alegria, meu ânimo, minha psicologia, minha filosofia, minha arte, tudo que sei, que sou e que amo para tentar compreender-te.
Percebi que sou muito mais do que a forma como você me trata. Não tenho que passar por essa difusão de veneno em minh'alma.
Espero que você tenha feito a escolha certa ao dar motivos e incitar minha despedida.
Não deu certo com aquele rapaz que te enciumei. Não temos nada em comum e por uma questão de escolha seria um grande erro começar algo que não daria certo somente para viver momentos... Admirar a beleza de alguém não é suficiente. Sei que ele é apenas mais um na infinidade de homens sacanas que me aparecem. Piegas, mas você causou-me a sensação de que homens não prestam. Talvez um dia a providência me mostre o contrário. O ser humano pode elevar-se à sua própria condição e superar-se.
Estou só e sei que permanecerei assim por um longo tempo, todavia agora sei do que preciso... E se não vier, apenas continuarei como sempre fiz antes de ti. Era vazio antes, apenas será mais vazio agora, mais vazio sem você. Já sinto a lacuna imensa, ou melhor, o abismo, o buraco negro no meu peito.
Ouço a chuva tão forte lá fora, mas é muito pior a tempestade que sinto dentro de mim e que transborda em forma de lágrimas pelos olhos que você conhece.

sábado, 12 de março de 2011

Atrás da porta




Quando olhaste bem nos olhos meus
E o teu olhar era de adeus, juro que não acreditei
Eu te estranhei, me debrucei sobre o teu corpo e duvidei
E me arrastei, e te arranhei
E me agarrei nos teus cabelos
No teu peito, teu pijama
Nos teus pés, ao pé da cama
Sem carinho, sem coberta
No tapete atrás da porta
Reclamei baixinho
Dei pra maldizer o nosso lar
Pra sujar teu nome, te humilhar
E me vingar a qualquer preço
Te adorando pelo avesso
Pra mostrar que ainda sou tua
Até provar que ainda sou tua...


Chico Buarque

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sexta-feira, 11 de março de 2011

Cada dia vai ser o dia mais importante...

quinta-feira, 10 de março de 2011

Das palavras

Lembrei-me de quando menina, de um dos primeiros livros que li "As coisas que a gente fala, de Ruth Rocha". Lembrei-me do momento que a leitura tomou-me por hábito, foi pouco depois da morte de minha mãe que comecei a ler, pois sentia eu sua falta e precisava ocupar-me em algo para distrair-me de sua ausência.
Lembrei-me do momento exato em que passei a amar rosas. Ela tinha uma roseira, cor-de-rosa. No dia de sua morte colhi uma rosa no jardim e fiquei segurando-a por todo o tempo. No velório uma tia tirou-me a rosa das mãozinhas e colocou-a nas mãos geladas de minha mãe, destacando a rosa em meio às margaridas brancas por sobre seu corpo sem vida. Talvez fosse nessa hora que uma alma triste de poetisa invadiu-me o corpo delicado e tomou-me o ser. 
Das palavras de Ruth Rocha, que desde pequena ensinara-me a pensar:

Depois que elas se espalham,
Por mais que a gente procure,
Por mais que a gente recolha,
Sempre fica uma palavra,
Voando como uma folha,
Caindo pelos quintais,
Pousando pelos telhados,
Entrando pelas janelas,
Pendurada nos beirais.

Por isso, quando falamos,
Temos de tomar cuidado.
Que as coisas que a gente fala
Vão voando, vão voando,
E ficam por todo lado.
E até mesmo modificam
O que era nosso recado.

Ruth Rocha cedo me ensinara o valor da palavra escrita e desde criança, uma lição sobre as palavras: Ter cautela ao falar, porque uma única frase mal (dita) pode ferir profundamente, magoar.

T.S

sábado, 5 de março de 2011


"E naquele instante...
Tudo o que eu sabia a meu respeito até então, sumira.
Eu agia como alguma outra mulher.
Contudo, nunca antes fora tanto eu mesma.

Francesca Johnson, em As pontes de Madison."

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sexta-feira, 4 de março de 2011

Ciúme


 Tive uma ligeira impressão de que a paixão limita, porém do jeito que anda as coisas, isso se tornará uma tese! Não contei quantas vezes o meu coração pulsou hoje, nem se respirei mais do que o normal. Não necessariamente tenho pensamentos impróprios quando me perco olhando para o horizonte, e mesmo nas minhas lembranças mais distantes, as pessoas que tive e não tive no passado, só foram uma soma para o que sou hoje no bom e ruim. Fazendo-me os repelir, serei apenas parte, pois sou também o que vivi e assim o fazendo, não serei amada por completo.
 Deixa-me pensar, me deixa expandir, me deixa criar!
 O sabor do vinho em minha boca se espalhando quente em meu corpo também me dá prazer! Perdoa-me essa traição!
 Posso ser o que eu quiser nos textos que escrevo, posso matar alguém, posso ser Napoleão Bonaparte, posso ser uma prostituta leviana, posso ser até um moinho de vento, sem reservas, sem receios de ser louca. Ao menos nos meus textos eu quero ser livre!
  Perdoa-me, mas dentro de mim não há somente anjos, há também demônios, preciso externá-los para exorcizá-los.
 Permita-me não estagnar, ser toda, tudo e além, permita-me descobrir quem sou.
 Sou sua, isso já não é demais suficiente?

Tatiane Sales
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quinta-feira, 3 de março de 2011

Pousa











Radiando como um dia ensolarado,
Clareando o meu breu inexorável,
Você surgiu como uma pomba branca em vôo,
Em minha vida me trazendo um mundo novo.

Pousou em mim sutilmente gracioso,
Exalando um perfume doce, oloroso.
Tez tão clara com seu branco desbotado,
Olhando-me dois diamantes claros azulados.

Seus olhos, tão azuis foram pintados,
Pelas mãos que pintou o céu estrelado,
Que te banhou de sentimento amoroso,
Para me dar este presente milagroso.

Eu só chorava um sofrimento lamentoso,
Desejava estar em jaz num plano morto!
Dando alento ao meu espírito desolado,
Brilhando veio você em luz, feito um raio.

A esperança deste milagre abençoado,
Aliviando minha dor. Iluminado,
Cuida das minhas feridas cuidadoso,
Ajuda-me a viver neste mundo tão maldoso?

Tatiane Sales
(Minha poesia)

Para o broto.

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domingo, 27 de fevereiro de 2011

Bom dia de inverno e divagações



É manhã de segunda-feira e, eu precisaria sair para resolver muitas coisas lá fora, mas a garoa que molha a janela onde o cinza sobressai a transparência do vidro sussurra com o vento: ...fica, fica em casa. Eu, como filha obediente do tempo e sentindo os dedos frios que agora tocam meu rosto, fico; entregando-me ao inverno que agora é todo o mundo. Inverno que há lá fora, que está aqui dentro e que me invadiu inteiramente.
Estou tão calma...
Tudo se transformou em delicadeza. O afastar meus cabelos que caem aos olhos, os dedos femininos tocando o teclado levemente, o piano da música triste que ouço harmonizando com a chuva tímida que cai no quintal...
Sinto o cheiro das folhas nas árvores molhadas. Os meus olhos estão marejados contendo lágrimas que nunca explicariam o que sinto por dentro. Limito-me a uma xícara de leite quente com café solúvel, é tudo o que consigo agora.
Penso...
Neste momento estou em meu quarto, ultimamente tenho estado muito aqui neste pequeno mundo rosa e azul e, olhando ao redor vejo o necessário para sentir-me bem: Livros, músicas, filmes, papéis e caneta, as lembranças de sobre uma cama, um espelho, aconchego das almofadas, paz.
Há muito os vizinhos não vêem meu rosto, pois e se saio, já é noite.
Noite passada para assistir um filme, coloquei o colchão no chão repleto de cobertores macios e almofadas. Isso para o felino gato que existe dentro de mim sentir-se o mais confortável possível em sua sinestesia.
Dormi no chão...
É boa a sensação de que alguns passados foram superados, de que um alguém que agiu tão cruelmente e me fez sofrer tanto, foi superado. Sinto um sorriso no rosto. Sinto-me livre, respiro fundo de alívio, pois ao menos esse demônio já exorcizei há muito das minhas lembranças.
Agora sem saber o motivo certo, escuto o som de um violino ao longe e vejo mãos muito brancas o tocando. São outras lembranças... Não de um demônio, mas de um anjo.
Melhor esquecer...
O pensamento num passado trai, o pensamento no futuro assombra.
Será que existe apenas uma realidade certa para nós, ou existem milhões de realidades paralelas de acordo com nossas escolhas? Talvez o destino seja realmente a providência que cruza pessoas em nosso caminho, mas o livre arbítrio (que nos faz inteligentes ou o inverso) é que escolhe quem fica ou não em nossas vidas. Entretanto se a providência põe pessoas em nossas vidas, ela também não poderia tirar? Qual a diferença?
Pensando em destino, somos apenas marionetes para um roteiro. Pensando em livre arbítrio, somos esquecidos e jogados num universo à mercê de nós mesmos. A existência torna-se cruel nas duas ideias.
Filosofo...

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

O que é de fato, ser cruel?

Vejo na maioria do tempo as pessoas escondendo sua verdadeira face como Dorian Gray. O curioso é que essa forma que escondem tão aterradoramente pode ser mais interessante e belo em seu verdadeiro e puro, do que o moralismo hipócrita da farsa. Contanto que não prejudique o próximo, o nosso pior defeito pode ser o que temos de melhor.


Tatiane Sales

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Idealizando em todo o seu gerundismo

Supomos...
Idealizando um encontro futuro ao acaso, pedindo ao suposto destino que os separou, uma nova chance. Em "aproximadamente" quinze ou vinte anos, já vividos, "talvez" num café, ela estará lendo um jornal e olhará para o lado numa sensação intuitiva, que ocorrerá e correrá em estremecimento pelo seu corpo todo... Ele estará lá. Ele olhará para ela por alguns segundos, olhará para baixo novamente ao seu jornal, sorrirá aquele sorriso de lado lindo que a encantou tanto, e olhará para ela novamente; nesse segundo olhar não conseguiríamos distinguir tratar-se de minutos, horas, uma vida inteira ou ainda, uma eternidade... Onde estariam e são destinados a se encontrarem em qualquer tempo ou dimensão, porque pura e simplesmente foram feitos de uma só paixão, são o que chamam reflexo paralelo, ou simplesmente e mais conhecido como "almas gêmeas".

Isso sim, é idealizar!

Tatiane Sales
(Pequena crônica romântica)

...


Girassóis de Van Gogh

Um túmulo simples, mas repleto de flores, no vilarejo francês onde o pintor impressionista viveu seus últimos dias.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Correm os meus dedos longos em versos tristes que invento...
Cecília Meireles

sábado, 29 de janeiro de 2011

"Fonte"


Pode parecer piegas no início como também achei, mas o fato foi tornando-se cada vez maior:
Estava eu andando desoladamente pelas ruas da minha cidade fazendo compras, gastando desnecessariamente meu dinheiro com o intuito de aliviar a angústia do meu coração, a sensação de solidão, inutilidade e esquecer os erros do passado que causaram a consequência desta minha vida atual, quando notei que numa banca de vendas de cds tocava uma música que dizia assim: "Senhor, eu sei que tu me sondas, senhor, eu sei que tu me amas..." e foi bem rápida a sensação, mas me senti por um momento observada, porém esqueci e segui. Entrei numa loja para ver uma vitrine, e uma música soava em todo o espaço do ambiente (memorizei o refrão) "E mesmo se vier noites traiçoeiras e a cruz pesada for, Cristo estará contigo, o mundo pode até fazer você chorar, mas Deus te quer sorrindo..." Percebi que eu não olhava mais os sapatos na vitrine, olhava para o meu próprio reflexo no vidro com os olhos marejados; respirei, agradeci o vendedor e sai fazendo compras para me distrair pelo resto da tarde, quando desci por uma rua que daria numa praça chamada "Fonte" conhecida pelo palco de shows com uma linda fonte d'águas pseudo coloridas. Ouvi uma música se aproximando, parecia Blues. Enquanto eu me aproximava da praça, o som tornava-se cada vez mais alto invadindo meus ouvidos e meu espírito. Fui tomada então por uma emoção enorme vendo a negra maravilhosamente linda que cantava como Diana Ross, Mary Wilson, Florence Ballard e Gloria Gaynor juntas, e vendo o coral e a banda de Soul num todo em sua força e essência, lá permaneci. Atrás do palco o pôr-do-sol em cores mágicas de amarelo, vermelho num céu azul claro e misturas de tonalidades que se transformavam numa cor de laranja-ouro eram mágicos. A negra maravilhosamente linda cantava "Oh happy day" com toda a força do seu Soul, cantava when Jesus washed, washed my sins away! De repente uma pomba branca veio de longe voando no céu, pairou e parou encima de uma lâmpada. Vigiou ou contemplou a praça, as pessoas e os músicos por um tempo, até que desceu e quando ela desceu, pareceu que meu coração triste e quebrantado estava sendo de alguma forma tocado por uma mão. Não consegui ficar em pé, fui tomada por uma emoção imensamente pura e poderosamente forte que veio de dentro de mim, de um lugar tão profundo, tão íntimo, que desconheço. A pomba branca parou no palco e lá ficou rondando... Era a última música do show. Foi uma das imagens e momentos mais belos que já tive. O pôr-do-sol mais belo que já vi. A música, o voo daquela pomba não era banal. Não consigo parar de pensar no que seria o espírito santo. Não cabe dizer agora em quê acredito ou desacredito, porém sei o que senti. Eu tão descrente da vida e de mim, desolada nessa tarde solitária, recebi um presente através do que mais amo no mundo, a natureza e a arte. Senti que fui observada, acompanhada e abençoada. E sinto que não estou só. Minh'alma ecoa... Oh happy day, when Jesus washed, washed my sins away...
Washed may sins away...

Tatiane Sales
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quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

A meu redor



As outras tardes você guarde bem, nesse coração, em que não há pecado nem perdão! ...

Linda Luiza Possi

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Ex-sacerdote


Encontrei guardado este texto:
Nem imagino o motivo de estar aqui pensando sobre sua passagem em minha vida.
Ultimamente não consigo olhar-te, encarar-te; desvio o olhar dos seus olhos cor de mel talvez por covardia em saber que você agora sabe tanto sobre mim, ou talvez coragem de evitar alguém tão perigoso!
Na mesa do bar, você e eu, onde nada era tão mais perfeito do que nossa camaradagem e admiração pelo outro naquela tarde. De fato como você disse: "Algumas pessoas entendem".
Você falou sobre a providência, querido filósofo. Entendo que dentre tantos tamanhos motivos você vir da Europa também foi para transmitir-me algo de válido sobre Deus e a vida por um período somente, e depois seguirmos nossas vidas separadamente.
Gosto de você, não como um homem, mas como um amigo expansivo que tanto preciso. Você não precisa de mim, ex-sacerdote, ofereceu sua amizade e se doou, mas pareceu caridade; embora ressaltasse e enfatizasse descaradamente seu interesse por minha pessoa.
Rapaz refinado, charmoso numa mescla de parecer gay com um acadêmico antiquado.
Um menino descobrindo a vida depois da liberdade da clausura. Desventurado, senti ciúmes sim, confesso, porém não te desejo como homem. Talvez desejasse um dia, num futuro ou num ontem. Nunca seria.
Mente perigosa, rápido como um felino! 
Quero sua amizade como uma brisa suave no calor do deserto da nossa rotina.
Quero sua amizade como um alívio naquele lugar.
Quero-te como amigo, porque te quis. Nestes dias indecisos, fica ao meu redor neste período que acabará, pois logo seguiremos nossas rotas em caminhos distintos.
Peço-te somente para estar perto de mim, santo-sado, esteja neste tempo que já finda... ao meu lado.

Período, atividade e local atribulado em minha vida.

Tati Sales

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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Cazuza, faz parte do meu show



Te pego na escola e encho a tua bola com todo o meu amor
Te levo pra festa e testo o teu sexo com ar de professor
Faço promessas malucas tão curtas quanto um sonho bom
Se eu te escondo a verdade, baby, é pra te proteger da solidão

Faz parte do meu show
Faz parte do meu show, meu amor...

Confundo as tuas coxas com as de outras moças
Te mostro toda a dor
Te faço um filho
Te dou outra vida pra te mostrar quem sou
Vago na lua deserta das pedras do Arpoador
Digo 'alô' ao inimigo
Encontro um abrigo no peito do meu traidor

Faz parte do meu show
Faz parte do meu show, meu amor...

Invento desculpas, provoco uma briga, digo que não estou
Vivo num 'clip' sem nexo
Um pierrot retrocesso
meio bossa nova e 'rock'n roll'

Faz parte do meu show
Faz parte do meu show, meu amor...

Meu amor...

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Hoje jaz

Hoje estou numa espécie de anestesia vital, talvez um coma emocional, como uma desistência simultânea da alma, corpo e raciocínio. Prefiro hoje não intervir, não interferir em nada.
Também optei não rimar, mas apenas desabafar longe do mundo em sua convivência com as pessoas, e longe da vida em seus exaustivos movimentos do desespero de ser mais um e melhor.
Hoje não quero nada.
Nem atingir metas no trabalho, nem satisfações ao namorado.
Hoje não sou nada.
Num inexpressivo invisível sem estereótipos do que sou, ou do que eu deveria ser e/ou ainda do que eu poderia ser.
Nada.
Sem distinção ou compreensão.
Hoje assumi o fracasso e de repente sei que nada é e será como deveria ser.
Sem esperanças, somente um choro na garganta que não sai. Tudo é decepção, de mim para com o mundo e do mundo para comigo.
Hoje não quero nada, nem responsabilidade e nem liberdade.
Nem expectativas de futuro, nem lembranças do passado...
E, agora neste instante tento me mover o menos possível para não estar no presente.
Se possível fosse não viver, mas como dizia um ex: Sístole e diástole... Sístole e diástole...
Por que bate tão rápido o meu coração? Será melancolia, taquicardia, disritmia ou agonia?
Depressão?
E me recomendo calma...
Há uma opção, mas tenho medo da dor e punição.
A misantropia aumenta a cada dia, e chega ser cômica a minha hipocondria.
Queria não rimar, mas a poesia corre em minha artéria, a pulsar etérea sina.
A rima...
Só estou numa morte parcial da vida, só quero que me deixem sozinha, não estou deprimida e nem me alcoolizando com a íntima e ínfima bebida.
Só me deixem neste hoje em paz, somente hoje, neste hoje...
Que eu transformei num jaz.
Tatiane Sales