sábado, 30 de julho de 2011

Inquisição pelo santo ofício

Penso nas mulheres queimadas na fogueira da inquisição pelo antigo tribunal eclesiástico.
(Bruxas?) Não...
Poetisas, filósofas, livres pensadoras... Belas de mente expansiva, amantes da arte, exóticas, feministas, adoradoras da natureza...
Penso que a igreja queimava na fogueira mulheres como eu...
Hoje meu batom não é vermelho, meus batimentos cardíacos são meramente calculados, pois sou posse quando eu deveria ser livre. Fiz minha escolha, talvez por covardia ou comodismo, talvez por amor. Todavia a escolha certa? Descobrirei mais tarde quando eu adoecer, envelhecer e não enlouquecer na solidão, porque terei alguém que cuidará de mim. Saberei quando eu não me tornar uma velha alcoólatra louca dos gatos gratos pelo abrigo e solitária numa casa sombria com teias de aranha enfeitando as paredes do quarto escuro com uma janela que nunca seria aberta. Saberei se minha limitação voluntária da mulher que eu seria valeu a pena, quando eu estiver numa chácara coberta de raios de sol, cercada de alegres filhos e netos, em meio às flores ouvindo o som do riacho descendo às pedras...
Seria o casamento também uma forma de inquisição?
Tatiane Sales

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Ensejo de uma freira

Ser boa, ser
Seria ver
Jesus surgir
Da cruz sorrir.
Boa por quê?
E tentei crer
Que me punir
Torno-o mártir.
Por mais que tento
Mais eu lamento
Nunca pecar
É sofrimento!
Da existência
A desistência?
Jogado a esmo
O meu desejo,
Mas só um beijo
É um fraquejo?
E maculada
Fui condenada.
Já desvairada,
Já malograda,
Fugi do abade,
Fui pra cidade...
Desesperada!
Desventurada,
Um beijo apenas
É quase nada!
Eu quero mais,
Pudica jaz.
Eu vou tentar,
Isso é errar?
Quero saber
Como é viver,
Quero sentir,
Quero fundir!
Depois morrer...
Freira pra quê?
Fizeste a vida
Pra ser vivida,
Colher, plantar,
Não só olhar...
Deixa-me ser,
Deixa-me ter?
Eu quero amar,
Me apaixonar.
E se eu sofrer,
Paguei pra ver.
E pra clausura,
Pra sepultura
Não volto mais,
A ira sagaz
Me libertou!
Amaldiçoou.
A minha sina
É de felina,
Se, não menina...                                              
Sou Messalina?
Sou anormal
Por ser normal?
Ah, homens santos
Sob seus mantos
Queimem na chama
Tal bruxa dama!
Pseudo frades
Que só maldades
Vejo sangrando
Fingir rezando.
Traz a fogueira
Dessa maneira
Serei julgada
Como as coitadas,
Damas ousadas
Da inquisição
Que gritaram, não!
À submissão.
Não, não tenha pena!
Desta vil pequena.
Sou uma mulher
Que somente quer,
Tão somente quer,
Provar o prazer
De o vinho beber
E dos beijos colher...
Como você também quer.
Tatiane Sales.
(Minha poesia ao autoritarismo machista que ainda existe)
...

terça-feira, 26 de julho de 2011

Tuas frases tão rasas de atriz
Tudo o que eu quis
Tudo que não...
Pelo palco os meus textos no chão
Falas em vão, falas em vão...

sábado, 2 de julho de 2011

Palhaço triste

                                                                              Eu pinto uma risada no rosto
                                                            e maquio o meu desgosto
                                                            para o público rir!
                                                            Tropeço para a plateia aplaudir...



T.S

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Misantropia

-Poeta, o que me diz da noite que finda?
-Noite solitária e fria e longa, tão vazia e linda.
-E do novo dia que à noite sucedeu?
-Senti por momentos esperança no cantar dos pássaros e nos raios de sol no rosto meu.
-Por que apenas por momentos teve esperança?
-Porque as pessoas acordaram e poluíram a pureza da natureza santa, mas há outro momento de esperança! Vejo vindo adiante uma criança...
-Não vejo nada, poeta meu. Essa criança que você vê é você mesmo, no reflexo da lembrança que também se corrompeu.
-Essa criança cresceu e em prol do mundo nada fez? Meu Deus, essa esperança morta sou eu...?

Tatiane Sales

(Minha poesia)


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quarta-feira, 29 de junho de 2011

Buraco negro

Trevas de luz acesa... Uma lâmpada superficial.
As lágrimas rolam, involuntário como o cair de águas de uma inóspita cachoeira íngreme.
Rolam da profundeza íngreme de minh'alma e não há nada que eu possa fazer.
Nada como Sartre diria.
Nada!

T.Sales

terça-feira, 28 de junho de 2011

Sigo...

Sigo, mesclando numa miserável nobreza, numa misantropia gentil.
Mesclando em desejar morrer com continuar vivendo e tolerando... Numa tristeza tolerando...

T.S.


segunda-feira, 27 de junho de 2011



                                                                                  Penso... inexisto!

domingo, 26 de junho de 2011



                                                                            Penso... logo desisto!

sábado, 25 de junho de 2011

Noite

Eu queria escrever palavras belas,
Mas não saem alegrias dessas sombras.
A melancolia bloqueia meus sentidos,
Somente o dia criaria versos lívidos.

Pactuando com a noite sem estrelas,
Onde a escuridão malogra uma esperança,
Frondosas árvores como almas em ramagens,
Assombrosas salientam as paisagens.

Se eu entonar uma voz que vem de dentro,
E recitar decálogos de um Santo,
Ou declamar poemas de invento,
A Noite ufanaria o meu pranto?

Na varanda, só, contemplo o vasto
Onde a escuridão dispersa os simulacros.
Tudo é nada, neste vão íngreme quadro
De escuridão como um espectro ao meu lado...

Se eu proferir em alta voz, bradar um canto!
E exprimir todo o sentido dessa Noite?
Se eu usurpar os seus segredos, formar versos
E confessar aos quatro ventos seus mistérios?

Se eu for à rua e proclamar palavras soltas,
Reminiscências de uma atriz no palco, louca,
Os propínquos acordariam assustados?
A contestar o silêncio quebrado, exaltados?

A dama Noite o que faria em minha récita?
Teria pena ao consolar- me, pragmática ateia,
Ou aplaudiria atenta como uma lacônica plateia?
Mas não me movo a nada, atônita, sou inércia!

Ela observa de soslaio e me indaga
Por eu estar lúgubre, mais triste que a vaga.
Ela pergunta destas lágrimas que inunda,
Da dor precípua que em meu peito é tão profunda...

Noite obscura me encara com desprezo,
Pálida e fria respira em mim, um nevoeiro...
Não me arrepias, não percebes, dama informe?
Estou acordada, absorta, o medo dorme.

Tatiane Sales

(Minha poesia)

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sexta-feira, 24 de junho de 2011

Natureza de uma mulher

Ouvi muitas mulheres falarem que só descobriram o que é o verdadeiro amor, o amor absoluto, o maior amor quando tiveram um filho. Imaginei-me mãe e maior que imaginar, me senti mãe. É uma natureza que existe em mim, dentro de mim numa força divina que me faria mover o mundo e além.
Um filho... Como será ter um filho?
Todas essas paixões que tive por rapazes de meu passado pelos quais tanto sofri e que em sua maioria não mereciam tal atenção ficaram diminutas, tão pequenas, tão inferiores...
Ser mãe... O que é ser mãe? Como eu seria como mãe? Deixar-me-ia de me sentir órfã?
Essa natureza de amor dentro do meu coração existe, a senti, e isso me assusta!
Só em pensar num pequenino ser gerado por mim, parte de mim, totalmente dependente de mim me emociona de tamanha forma, que transborda emoção de todo meu ser... A maternidade é maior do que o meu eu egoístico. Ser mãe seria dar-me, doar-me, prover-me do meu próprio eu, em prol deste grande amor que também sou eu! Talvez esse sentimento de amor por um filho que vem da natureza humana seja o que há de mais divino na terra, talvez seja uma noção, um fragmento divino que temos da magnitude do amor de Deus.
O cinema tratou de forma perfeita o caso verídico de Christine Collins em "A troca", com direção e produção do maravilhoso Clint Eastwood, tendo no elenco a bela Jolie e o incrível John Malkovich. A obra é completa, teve indicações ao globo de ouro, numa trilha sonora linda, o piano e violino durante o filme quebrantam e comovem de vez a alma de qualquer moça sensível à maternidade (se não tiver, desperta). Vezes, eu desabafava sobre meus sentimentos egoístas, paixões deliberadas, falta dos pais, solidão por não ser compreendida, decepção comigo mesma e sentimento de inutilidade por mais que eu trabalhe e ajude as pessoas, para com dois colegas em momentos distintos que nem se conhecem, e ambos me disseram a mesma coisa: Tenha um filho! Poucas mulheres são tão boas mães como você será! Juro que no momento achei uma lúdica loucura, pois melancólica e preguiçosa como sou? Agora compreendi o sentido do que eles quiseram dizer... Sim, agora compreendi o sentido... Resume-se em ter um sentido.
Tatiane Sales
(Crônica materna)

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Chega o inverno

"O inverno inicia
quebrantando meu espírito,
com ele a poesia
e com a poesia o lírico...
Até mais tarde alegria,
nem sei mais seu sentido.
Chove melancolia,
transborda o que é intrínseco,
pois nenhuma valia
há neste ânimo ínclito..."

T. Sales

...

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Milagres





Mas não tem nada não eu até lembrei das rosas que dão no inverno...

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Tempo perdido

Durante mais de um ano, num tempo passado, apenas uma ideia fixa? Por que com tantas coisas para pensar, tantas pessoas para lembrar, tantos lugares para ver, tantos outros para conhecer, tantos sonhos para realizar, eu só conseguia pensar, lembrar, ver, conhecer e realizar um nome?
Eu vivi durante tanto tempo, um nome?

Tati

terça-feira, 7 de junho de 2011

Amor

Começo a entender que eu não preciso me lançar no abismo para me sentir viva.
Tão quieta estou agora, e sinto minha respiração arfante saindo e entrando nos pulmões.
Sinto a palpitação do meu coração que pulsa amor em taquicardia.
Sinto-me viva, intensamente viva!


Tati

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Somente um dia

Eu já tive melhores dias.
O meu coração angustia...


Não compreendo essa agonia 
Que em meu passado afligia,


E agora volta sombria!


Estou com uma insônia vadia,
Dum gato que o olho irradia,


Quando surge a lua boemia,
Com a noite que o descanso avaria.


Novamente meu sono tardia!


Quando também não durmo de dia,
É que tudo piora em demasia!


Uma pessoa me cobra harmonia,
Quando não sobra nem covardia.


Torno-me então uma egoísta vazia!


Que nem consegue chorar com valia,
Por magoar quem não merecia.


Se me conhecesse, me entenderia!
Se me conhecesse, compreenderia?


E se compreendesse me amaria?


Torna-se tola a sabedoria!
Sinto-me tão culpada, nostalgia.


Não consigo vencer a melancolia,
E já se aproxima a madrugada fria!


O meu choro agora é de poesia...


Por saber que nada agora supriria,
Não consigo hoje fingir alegria!


Não me espera hoje, me dá mais um dia?
Somente uma noite p'ra eu ficar sozinha?


Deixa-me chorar, que a dor alivia...


Dentro há tantas coisas que eu não diria,
Pois o amo tanto, eu não me perdoaria,


Fazê-lo descrer que eu conseguiria.
P'ra ter paz, com ele até no inferno iria,


Mas hoje o vinho já me inebria,


E o álcool já toca a sua sinfonia!
Preciso esquecer o que já há muito finda,


Desmoronar meus castelos de areia fina,
Resíduos de tormenta das saudades minhas,


Sonhos que nunca se concretizariam.


Saudades que vem junto à taquicardia,
Mortes que mudaram toda a minha vida!


Lutas, que com eles aqui, eu não precisaria,
Maldades mais cruéis que uma tirania,


Vindo de quem mais deveria ser meu guia!


E desejos que a sorte me desviaria,
Quando supus que enfim o igual, achei um dia,


E que o acaso levou com uma ventania.


Mas nada agora o meu amor mudaria.
Mesmo a incompatibilidade que nos diferencia,


Mesmo o dia-a-dia na azáfama rotina!
Abrindo em meus olhos pela manhã a cortina,


Não sabendo que eu lia enquanto ele dormia.


E que não entende nunca minhas ironias!
Que tento dormir quando o sol irradia,


Depois destas fases de insônia doentia.
Todavia amor, onde esteja sorria...


Sou grata por ele nunca me deixar sozinha!


Mesmo eu sendo um gato que foge arisca,
Ele me recolhe carinhoso, e a manhosa mima!


Perdoa-me nestes dias que minh'alma exorciza,
Só eu sei da solidão que ela tanto precisa,


P'ra recomeçar a amar novamente... a vida.


Tatiane Sales
(Minha gratidão e minha poesia)

domingo, 5 de junho de 2011

Skap




Quando você fala BALA no meu velho oeste
Quando você dança lança flecha, estilingue
Quando você olha molha meu olho que não crê
Quando você pousa mariposa morna, lisa
O sangue encharca a camisa


Você me faz parecer menos só
Menos sozinho
Você me faz parecer menos pó
Menos pozinho


Quando você diz, o que ninguém diz
Quando você quer, o que ninguém quis
Quando você ousa lousa pra que eu possa ser giz
Quando você arde, alardeia sua teia cheia de ardis
Quando você faz a minha carne triste, quase feliz.


Você me faz parecer menos só
Menos sozinho...

sábado, 4 de junho de 2011

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Penso no broto meu, anjo de Deus, voa nos sonhos.
Ele, a minha flor de lótus azul, neste momento dorme...

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Vinho negro

Quando acho que encontrei a luz e sinto-me aquecida pela claridade...
Cai uma tempestade fria por sobre minha esperança e o céu escurece por sobre minha cabeça derramando chuva como mortais lanças, ressaltando que as trevas é que me ama mais!
Portanto garçom sombrio... traga a mim uma taça do seu mais negro vinho e um cigarro com teor de breu infindo, por favor, e me deixa em jaz!

Pois a escuridão se aproxima em breve, preciso da solidão para que Ela me leve... E talvez nas trevas eu encontre a paz...

Tatiane Sales
(Minhas prosas poéticas)


...

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Decepções de casal

Aceitar?
Hoje conseguiram a proeza de me tirar do sério, o que no meu momentâneo estado anestésico, conformado e ermo da alma seria praticamente impossível.
Ultimamente tenho-me conformado muito para com formas e jeitos alheios, ora não sentir aquela sensação horrível de frustração seguida de angústia (que só quem já sentiu sabe o aperto no peito que evito), pois quem pouco expectativa as coisas, menos se frustra.
Tenho-me convencido de que não passo de uma metida a psicanalista que diagnostica a todos gratuitamente, uma virginiana inatamente crítica, mas não é bem assim. Algumas atitudes que observo não são justificáveis e ponto.
Decepções tornam-se piores quando vem de alguém que admiramos e mais ainda quando colocamos todas as nossas expectativas por sobre ela (não sei se tal responsabilidade adquirida pelo outro deve ser considerada um elogio lisonjeiro ou uma punição), mas ser perfeito aos conceitos, princípios e tradições de outrem é deveras complicado. Ninguém é igual.  Isso num casal ocorre simultaneamente.
O que ocorre é que eu respeito a individualidade de cada um e esse é o ponto, não respeitam o meu! Admiro a particularidade, a independência nos indivíduos. Ultimamente para "agradar" a outrem, estou perdendo minha individualidade e para falar a verdade, nem lembro mais quem eu sou.
Essa estória de dois em um é balela religiosa. Intimidade é boa apenas em momentos, não sempre, não 24 horas ao dia! Meditação se pratica sozinho, ler um livro se pratica sozinho. Eu não queria abrir mão da minha solidão, ela foi minha amante durante tantos anos, às vezes ainda preciso dela. E se tive amigos no passado, não lembro mais. Respeito as pessoas, que criam o seu próprio mundo. Eis minha decepção, pois é muita responsabilidade ser o mundo de alguém. Todavia sei que também vou decepcionar tamanha expectativa esperada.
Não peço um sádico Dh Lawrence, acredito no amor, não quero ser cruel ou ingrata, mas o ciúme é lisonjeiro desde que não excessivo.
Se o seu marido disser que vai jogar futebol, talvez ele vá mesmo! Ser livre está muito longe de significar ser leviano.
Enquanto uns pedem doação absoluta, outros pedem espaço...
O estágio mais delicado num conflito de casal é quando você observa que a outra parte não está aberta a querer te entender ou simplesmente não entende mesmo! Ou você tenta expor sua opinião nem que seja no grito para tentar ser ouvida, ou então você diz: "Não adianta querer te passar o que sinto sobre a forma que você age e agiu, porque se você não se observa, se você não se analisa em seus próprios comportamentos, esse conflito tem uma proporção muito maior do que eu supunha! E sendo assim, desisto".
Claro que existem dois lados de uma mesma moeda (o casal é uma única moeda com dois lados) cada um com suas verdades, suas dores, dúvidas, rancores, limitações a ouvir, expandir e principalmente aceitar. Às vezes é impossível entender mesmo, mas principalmente é necessário aceitar.


Tatiane Sales
(Crônica conflitiva)

terça-feira, 31 de maio de 2011

Melancolia









Ah, meiga melancolia,
Por que me enternecer assim?
Menina pulsa em demasia
O coração dentro de mim!


Melindrosa nesta noite fria,
Se, estou sozinha me apego a ti
E o papel que sobra e a caneta amiga,
Suavizam-me a dor enfim...


Sussurra palavra triste em melíflua,
Que a poesia brota sem pedir.
Torna mais doce minha agonia
E sob os versos irei dormir...


Tatiane Sales
(Minha poesia)


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segunda-feira, 30 de maio de 2011

O pé do enforcado


Ele não dormiu, mas levantou da cama naquele dia.
Havia um motivo como há muito não havia...
Não lavou o rosto, não trocou a roupa,
se dirigiu à mercearia.
Comprou dois metros de corda grossa,
com as mãos a testou com força.
Não se importou com a hostilidade do vendeiro.
Olhava para baixo, para o seu pé direito,
em seu desterro não pensava, não lamentava.
Paralisou os seus sentidos dos tantos ais e
silencioso já não soluçava mais.
O significado de toda uma vida nada era.
Todo um caminho o levou àquilo, ou seja, a nada.
A sua vida não mais que a dos outros agora lhe importava.
Parou no meio da rua inerte,
não sentiu a brisa em seu rosto, num carinho singelo
dos dedos de Deus dizendo: Não faça.
Não viu o sorriso de Deus no sol da praça.
Ele estava pálido, os olhos fundos.
Talvez se ele dormisse um sono sem interrupções, profundo.
Talvez se alguém o fizesse um chá quente, com um bom dia
e uma rosa,
mas ele não viu a rosa na mão da criança tocada pelo sol da praça.
Era firme os seus passos, o rosto lívido,
e no último instante de uma vida inteira covarde,
ele havia decidido!
E havia no seu rosto como há muito não havia,
um imperceptível sorriso...
Não percebeu que pisou em uma folha seca,
que a árvore de outono o presenteara.
Seu rosto era gélido, face inalterável.
Se seus olhos ainda choravam?
Talvez nem mais piscavam!
Entrou naquela casa suja, desordenada, mórbida;
Sem responder o olhar da vizinha velha amargurada.
Deixou o seu pacote na mesa,
e sentou-se pensativo na macabra cadeira.
Por lá ficou horas ou dias, não se sabe.
Pensou ou esperou, mas nada veio...
Mudo em seu fúnebre devaneio.
Então subiu naquela cadeira sem receio.
Olhou para cima, fitou a viga e pôs-se a laçar
um nó como escoteiro.
Parecia que toda a sua vida o preparara para o nó.
Com tanto afinco e destreza, ninguém jamais por ele
sentiria dó.
Enlaçou ao seu pescoço a corda como um colar,
porém sentiu uma esperança como há muito não sentia,
e por alguns momentos teve vontade de ficar...
Mas ao não se jogar nada veio.
Respirou mais fundo sem sofrer,
e teve ímpetos para morrer!
Definitivamente uma coragem o dominou
e se lançou.
A cadeira para o canto inalcançavelmente voou.
Ao sufocar se arrependeu, mas era tarde.
Então se entregou, se libertou,
e o seu pé direito como há muito não fazia,
ainda uma vez, dançou.
  

Tatiane Sales
(Meu poema)

...

domingo, 29 de maio de 2011


sábado, 28 de maio de 2011

Frio de inverno










E nem ao menos uma poesia...
O sol da manhã não me traz alegria.
Frio está neste tempo de inverno
E gelado tornou- se até o meu inferno!

Sinto falta d'um tanto de fogo,
D'um dia de verão que não chegou de novo...

Eu grito por sol, tremendo a clamar.
Eu sei que está lá em algum lugar,
Mas é tão longe o astro alcançar
Este vento gélido a me congelar!

Falta-me poesia,
Sobra-me melancolia...

Na inércia de tempos gelados
Que imobilizam meus movimentos,
Meus pensamentos.
E tudo o que enxergo é este dia nublado,
Este céu nevoento sem ninguém ao lado...

Tatiane Sales
(Minha poesia)

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sexta-feira, 27 de maio de 2011

Ele, o Sol

Eu te amo no outono
Em suas folhas secas
Na melancólica tarde
Na dúvida e na certeza...

No ímpeto da tempestade
E no te amar no momento
Em que o vento sopra
O meu cabelo em movimento...

Quatro estações no peito
Nas falhas, no erro...
Estou tão apaixonada
E sinto tanto medo!

Eu te amo...

Nas canções doloridas e sonetos
Nas calçadas escuras do caminho
Em minhas lágrimas puras de lamento
No viajante perdido e sozinho...

Meu amor é um amante sem destino,
Estrangeiro nas terras do alheio.
Na aurora, no porvir, no breu infindo,
Meu pensamento em você o tempo inteiro.

Eu te amo...

Na esperança exalando aromas d'orvalho
No abrir das flores;
No que alenta meu dormir nos lençóis do quarto,
Imaculados amores!

Creio entristecida na esperança ao longe,
Que conforta em semente vida imaginar você.
A multidão macula a calma da noite
E eu te procuro sem te ver...

Meu espírito torna-se nublado,
Chove um choro sofrido.
Como o grave dum tenor calado,
Como o lírico duma dor num hino.

Eu te amo tanto quando estamos sós,
Também quando estou só num canto em prantos!
No refúgio do vinho que o sangue aquece,
Na respiração de ar frio que me enternece.

Perdão ao frio que gela o meu rosto
Pálido que a solidão causa.
Há liberdade na paixão? Quero voar neste verão,
Mas sinto-me em desgosto, aprisionada!

Embalo-me sob árvores intocadas.
Estou tão apaixonada
Na luz tranquila em que busco alívio
E na toada sentimental dum livro.

Nos raios do seu sublime olhar
É crer no céu, na redenção!
No permitir a sua voz em me chamar,
Meu coração pulsa em tempo vão...

Meu corpo exala flores de sentimentos
Na melódica Torna a Surriento
Na paixão do sol, o sorriso brota.
É você quem chama meu querido volta!

Meu amor traz paz?
Seu raiar conforta...

Tatiane Sales
(Minha poesia)

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quinta-feira, 26 de maio de 2011

Vazio, nuvem cinza

Já se sentiu como se nada do que fizesse em determinado período da vida, num ínterim, numa fase, desse certo? Ou pior, tudo o que você faz é errado nesse tempo? É assim que me sinto nestes meus dias vazios, mas repletos de erros. A neurolinguística não me ajudou muito sobre isso, pois nela o erro está na forma em que observo os acontecimentos. Posso não ser a maior das otimistas, mas sou muito esperançosa, e sei que é uma fase! Sei que passa! Vivo numa espécie de meio; meio vida e meio morte, onde cada movimento é sem ânimo... Já desisti de fazer o que realmente quero nestes dias, porque no final, sei, dará errado. Talvez essa meia morte seja pior do que a própria morte! Não queira estar nesse lugar, nesse meio, onde cada atividade é forçada. Vivo sem alegria, sabendo que minhas ações são da maneira que não deveria ser. Escuto isto toda hora... "Você poderia ter feito isso, você poderia ter feito aquilo... desse modo ou daquele modo...” A grande verdade é que eu não sei "como" deve-se fazer neste vasto mundo maldito! Não pedi para nascer. Nestes dias vazios repletos de erros, me sinto um erro, me sinto inepta e inapta, me sinto um nada.

Tati Sales

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Mas não me venha falar de metafísica!

terça-feira, 24 de maio de 2011

Avante



O jeito é respirar fundo, olhar ao redor e no espelho, e valorizar o que temos de melhor!
Ainda não acabou...
Ainda há muito a ver, errar e aprender.
Há algumas frases que me motivam em momentos de poço escuro:
"Sorri e ao notar que tu sorris todo mundo irá supor que és feliz..." e, "vou por aí a procurar rir p'ra não chorar!".
O jeito é seguir adiante, e ver onde isso tudo vai dar, pois "a esperança equilibrista sabe que o show de todo artista tem que continuar...".

Estou sorrindo querendo chorar como um pierrô palhaço, mas vamos em frente...
O teatro está-me sendo útil nestes dias de "finja fé e ela aparecerá".

T.S
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sexta-feira, 20 de maio de 2011

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Ando mais triste que um Pierrot depois do carnaval rumo ao mês de junho...




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domingo, 8 de maio de 2011

"Eu deixarei que morra em mim
o desejo de amar os teus olhos que são doces,
Porque nada te poderei dar
senão a mágoa de me veres eternamente exausto..."


Trecho de Ausência,
Vinícius de Moraes.
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sábado, 7 de maio de 2011

No circo


Na cidade entrou,
o circo chegou!
Lá estou!
Quem eu sou?
Sou a atração principal!
Fenomenal, sensacional!
Tornei-me estrela afinal...
Sob a lona amarela e vermelha,
que sob um céu repleto de estrelas,
depois do trapézio nos ares
e do vai e vem dos malabares,
sou eu quem rouba a cena!
Não... Não tenha pena...
Eu pinto uma risada no rosto
e maquio o meu desgosto
para o público rir!
Tropeço para a plateia aplaudir!
Com um nariz vermelho na cara,
corpo e roupa de dançarina clássica,
enceno desequilibrada
uma bailarina atrapalhada.
... E o público se diverte
com a minha pobre desgraça.
Eis a estrela que reflete:
Sou a bailarina palhaça!
Tatiane Sales
(Minha poesia)

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Teatro

Ofertar-te-ei verdades novas como rosas
Sob o manto de palavras transpostas
para um plano artístico em que generosos
gestos, estes, de minha generosa parte, encena
para não te magoar, te alegrar ou emocionar.
A verdade, como o teatro, é ou pode ser uma questão do ponto
de vista na imaginação da plateia.
É o olhar teatral na interpretação da que acredita
ou da ateia.
Sim ou não...
É uma questão de fé e visão.

Tatiane Sales
(Minha poesia)


segunda-feira, 2 de maio de 2011

Cadência










Foi criando que não criei
Foi organizando que não organizei
Foi tentando que piorei
E foi errando que acertei
Depois da tristeza sorri
Sorri para o mundo que nunca vi
Eu, o pintor que não pintava
Eu, o palhaço que não chorava
Não tinha boêmio naquela boemia
Pois o cigarro nem cinza tinha...

Mas este espinho ainda dá jasmim.
Ainda há samba nesta batucada
E tem cadência nesta bateria
Tem mestre-sala com alegria
Eu me encontrei nesta madrugada
Ainda há vida dentro de mim!
Minha perna de pau eu remendei
E consertando, não consertei
Foi tentando que piorei
E foi errando que acertei.

By Tati Sales and FabioToledo
(Nossa poesia)
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domingo, 1 de maio de 2011

La Luna

Você já viu hoje a lua
De opalina pendurada?
Esplêndida clareia a rua
Iluminando a madrugada.

Você já viu hoje a lua
Branca a noiva em sua grinalda?
Cheia a robusta nua
Como uma santa virgem grávida...

Você já viu hoje a lua
Clemente senhora alva?
Prateando a noite escura
Brilhando no céu da estrada?

Você já viu o olhar da lua
Que o amante extenuara?
Qual é a mágica sua
Feiticeira de tez pálida?

Deslumbrada pela lua
Vou-me embora encantada,
Mas deixa-me ela confusa
Num conflito, desolada...

Você já me viu olhar p'ra lua
P'ra linda virgem argentada?
Tenho inveja ou isso ofusca
Estar por ela apaixonada?

Sinto-me fascinada...

Tatiane Sales
(Minha poesia)

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sexta-feira, 8 de abril de 2011

A música predileta




Johann Pachelbel Canon in D Major

quinta-feira, 7 de abril de 2011


A transfiguração da mente através da arte!

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Crônica do ser

Pode-se dizer que sou uma mulher que todos os dias volta ao introito de sua alma numa busca inefável, porém inexorável de ser um ser humano melhor. As veredas mais importantes são as que levam rumo ao caminho da humildade, da paciência e da bondade. São nessas veredas que trilho.
Sou um ser humano? Não... Ainda não sou de fato um verdadeiro ser humano, e poucos são. Quem eu "sou" não se explica em minha adoração pela natureza ou em meu amor pelas artes, em meus defeitos e qualidades momentâneos, nem em minhas ideologias, fracassos, inspirações e paixões. "Ser" vai além disso. Se definir é se limitar. Num universo em expansão, sou ainda em evolução, em transformação, em travessia. Amplitude de busca, erros e aprendizado, aprendendo a cada dia. Sei o que sou agora, mas sei também que há muito em mim que ainda não conheço. Se as veredas mais importantes são as que levam para a estrada da humildade, da paciência e da bondade, sou agora a que trilha para chegar no caminho do que devo ser... Um verdadeiro ser humano.

Tatiane Sales
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segunda-feira, 4 de abril de 2011

A rotina

Não importa o quanto você queira que a noite dure; vai amanhecer.
Não importa o quanto você queira que aquela viagem nunca termine, para você permanecer ao lado dele no carro, como se no mundo existissem apenas vocês dois; vocês chegarão ao destino.
O filme acabará desatando naturalmente o abraço
que naturalmente formou-se.
Willie Dickson tocará a última música na vitrola, e o blues se tornará o som da agulha arranhando o disco.
E quando você estiver sendo enfim sincera, e conseguindo transmitir o que de melhor há em você, notará que tomaram a última taça daquela garrafa de vinho italiano, que só seria aberta numa ocasião especial.
O fim da noite de domingo se unirá à segunda-feira, e você não vai querer ir embora, iludida de que nada mais importa se os dois estiverem juntos. Você ficará, e ficar será então o grande erro!
Para não perder o encanto, temos que saber o momento certo de partir, para num retorno inebriado pela saudade, continuar a descobrir aos poucos o que ficou incógnito nas entrelinhas, sem deixar a banalidade real estragar o ébrio encantador da paixão.
Em seus primeiros encontros aconselho a ir embora no domingo à noite mesmo, e não segunda-feira pela manhã (lúdico?). É melhor prorrogar o existencialismo para o casamento, e mesmo assim, a total intimidade num casal pode ser perigosa. A rotina pode desencantar qualquer conto de fadas.

Tatiane Sales
(Minha prosa)

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