quarta-feira, 29 de junho de 2011

Buraco negro

Trevas de luz acesa... Uma lâmpada superficial.
As lágrimas rolam, involuntário como o cair de águas de uma inóspita cachoeira íngreme.
Rolam da profundeza íngreme de minh'alma e não há nada que eu possa fazer.
Nada como Sartre diria.
Nada!

T.Sales

terça-feira, 28 de junho de 2011

Sigo...

Sigo, mesclando numa miserável nobreza, numa misantropia gentil.
Mesclando em desejar morrer com continuar vivendo e tolerando... Numa tristeza tolerando...

T.S.


segunda-feira, 27 de junho de 2011



                                                                                  Penso... inexisto!

domingo, 26 de junho de 2011



                                                                            Penso... logo desisto!

sábado, 25 de junho de 2011

Noite

Eu queria escrever palavras belas,
Mas não saem alegrias dessas sombras.
A melancolia bloqueia meus sentidos,
Somente o dia criaria versos lívidos.

Pactuando com a noite sem estrelas,
Onde a escuridão malogra uma esperança,
Frondosas árvores como almas em ramagens,
Assombrosas salientam as paisagens.

Se eu entonar uma voz que vem de dentro,
E recitar decálogos de um Santo,
Ou declamar poemas de invento,
A Noite ufanaria o meu pranto?

Na varanda, só, contemplo o vasto
Onde a escuridão dispersa os simulacros.
Tudo é nada, neste vão íngreme quadro
De escuridão como um espectro ao meu lado...

Se eu proferir em alta voz, bradar um canto!
E exprimir todo o sentido dessa Noite?
Se eu usurpar os seus segredos, formar versos
E confessar aos quatro ventos seus mistérios?

Se eu for à rua e proclamar palavras soltas,
Reminiscências de uma atriz no palco, louca,
Os propínquos acordariam assustados?
A contestar o silêncio quebrado, exaltados?

A dama Noite o que faria em minha récita?
Teria pena ao consolar- me, pragmática ateia,
Ou aplaudiria atenta como uma lacônica plateia?
Mas não me movo a nada, atônita, sou inércia!

Ela observa de soslaio e me indaga
Por eu estar lúgubre, mais triste que a vaga.
Ela pergunta destas lágrimas que inunda,
Da dor precípua que em meu peito é tão profunda...

Noite obscura me encara com desprezo,
Pálida e fria respira em mim, um nevoeiro...
Não me arrepias, não percebes, dama informe?
Estou acordada, absorta, o medo dorme.

Tatiane Sales

(Minha poesia)

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sexta-feira, 24 de junho de 2011

Natureza de uma mulher

Ouvi muitas mulheres falarem que só descobriram o que é o verdadeiro amor, o amor absoluto, o maior amor quando tiveram um filho. Imaginei-me mãe e maior que imaginar, me senti mãe. É uma natureza que existe em mim, dentro de mim numa força divina que me faria mover o mundo e além.
Um filho... Como será ter um filho?
Todas essas paixões que tive por rapazes de meu passado pelos quais tanto sofri e que em sua maioria não mereciam tal atenção ficaram diminutas, tão pequenas, tão inferiores...
Ser mãe... O que é ser mãe? Como eu seria como mãe? Deixar-me-ia de me sentir órfã?
Essa natureza de amor dentro do meu coração existe, a senti, e isso me assusta!
Só em pensar num pequenino ser gerado por mim, parte de mim, totalmente dependente de mim me emociona de tamanha forma, que transborda emoção de todo meu ser... A maternidade é maior do que o meu eu egoístico. Ser mãe seria dar-me, doar-me, prover-me do meu próprio eu, em prol deste grande amor que também sou eu! Talvez esse sentimento de amor por um filho que vem da natureza humana seja o que há de mais divino na terra, talvez seja uma noção, um fragmento divino que temos da magnitude do amor de Deus.
O cinema tratou de forma perfeita o caso verídico de Christine Collins em "A troca", com direção e produção do maravilhoso Clint Eastwood, tendo no elenco a bela Jolie e o incrível John Malkovich. A obra é completa, teve indicações ao globo de ouro, numa trilha sonora linda, o piano e violino durante o filme quebrantam e comovem de vez a alma de qualquer moça sensível à maternidade (se não tiver, desperta). Vezes, eu desabafava sobre meus sentimentos egoístas, paixões deliberadas, falta dos pais, solidão por não ser compreendida, decepção comigo mesma e sentimento de inutilidade por mais que eu trabalhe e ajude as pessoas, para com dois colegas em momentos distintos que nem se conhecem, e ambos me disseram a mesma coisa: Tenha um filho! Poucas mulheres são tão boas mães como você será! Juro que no momento achei uma lúdica loucura, pois melancólica e preguiçosa como sou? Agora compreendi o sentido do que eles quiseram dizer... Sim, agora compreendi o sentido... Resume-se em ter um sentido.
Tatiane Sales
(Crônica materna)

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Chega o inverno

"O inverno inicia
quebrantando meu espírito,
com ele a poesia
e com a poesia o lírico...
Até mais tarde alegria,
nem sei mais seu sentido.
Chove melancolia,
transborda o que é intrínseco,
pois nenhuma valia
há neste ânimo ínclito..."

T. Sales

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quarta-feira, 22 de junho de 2011

Milagres





Mas não tem nada não eu até lembrei das rosas que dão no inverno...

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Tempo perdido

Durante mais de um ano, num tempo passado, apenas uma ideia fixa? Por que com tantas coisas para pensar, tantas pessoas para lembrar, tantos lugares para ver, tantos outros para conhecer, tantos sonhos para realizar, eu só conseguia pensar, lembrar, ver, conhecer e realizar um nome?
Eu vivi durante tanto tempo, um nome?

Tati

terça-feira, 7 de junho de 2011

Amor

Começo a entender que eu não preciso me lançar no abismo para me sentir viva.
Tão quieta estou agora, e sinto minha respiração arfante saindo e entrando nos pulmões.
Sinto a palpitação do meu coração que pulsa amor em taquicardia.
Sinto-me viva, intensamente viva!


Tati

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Somente um dia

Eu já tive melhores dias.
O meu coração angustia...


Não compreendo essa agonia 
Que em meu passado afligia,


E agora volta sombria!


Estou com uma insônia vadia,
Dum gato que o olho irradia,


Quando surge a lua boemia,
Com a noite que o descanso avaria.


Novamente meu sono tardia!


Quando também não durmo de dia,
É que tudo piora em demasia!


Uma pessoa me cobra harmonia,
Quando não sobra nem covardia.


Torno-me então uma egoísta vazia!


Que nem consegue chorar com valia,
Por magoar quem não merecia.


Se me conhecesse, me entenderia!
Se me conhecesse, compreenderia?


E se compreendesse me amaria?


Torna-se tola a sabedoria!
Sinto-me tão culpada, nostalgia.


Não consigo vencer a melancolia,
E já se aproxima a madrugada fria!


O meu choro agora é de poesia...


Por saber que nada agora supriria,
Não consigo hoje fingir alegria!


Não me espera hoje, me dá mais um dia?
Somente uma noite p'ra eu ficar sozinha?


Deixa-me chorar, que a dor alivia...


Dentro há tantas coisas que eu não diria,
Pois o amo tanto, eu não me perdoaria,


Fazê-lo descrer que eu conseguiria.
P'ra ter paz, com ele até no inferno iria,


Mas hoje o vinho já me inebria,


E o álcool já toca a sua sinfonia!
Preciso esquecer o que já há muito finda,


Desmoronar meus castelos de areia fina,
Resíduos de tormenta das saudades minhas,


Sonhos que nunca se concretizariam.


Saudades que vem junto à taquicardia,
Mortes que mudaram toda a minha vida!


Lutas, que com eles aqui, eu não precisaria,
Maldades mais cruéis que uma tirania,


Vindo de quem mais deveria ser meu guia!


E desejos que a sorte me desviaria,
Quando supus que enfim o igual, achei um dia,


E que o acaso levou com uma ventania.


Mas nada agora o meu amor mudaria.
Mesmo a incompatibilidade que nos diferencia,


Mesmo o dia-a-dia na azáfama rotina!
Abrindo em meus olhos pela manhã a cortina,


Não sabendo que eu lia enquanto ele dormia.


E que não entende nunca minhas ironias!
Que tento dormir quando o sol irradia,


Depois destas fases de insônia doentia.
Todavia amor, onde esteja sorria...


Sou grata por ele nunca me deixar sozinha!


Mesmo eu sendo um gato que foge arisca,
Ele me recolhe carinhoso, e a manhosa mima!


Perdoa-me nestes dias que minh'alma exorciza,
Só eu sei da solidão que ela tanto precisa,


P'ra recomeçar a amar novamente... a vida.


Tatiane Sales
(Minha gratidão e minha poesia)

domingo, 5 de junho de 2011

Skap




Quando você fala BALA no meu velho oeste
Quando você dança lança flecha, estilingue
Quando você olha molha meu olho que não crê
Quando você pousa mariposa morna, lisa
O sangue encharca a camisa


Você me faz parecer menos só
Menos sozinho
Você me faz parecer menos pó
Menos pozinho


Quando você diz, o que ninguém diz
Quando você quer, o que ninguém quis
Quando você ousa lousa pra que eu possa ser giz
Quando você arde, alardeia sua teia cheia de ardis
Quando você faz a minha carne triste, quase feliz.


Você me faz parecer menos só
Menos sozinho...

sábado, 4 de junho de 2011

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Penso no broto meu, anjo de Deus, voa nos sonhos.
Ele, a minha flor de lótus azul, neste momento dorme...

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Vinho negro

Quando acho que encontrei a luz e sinto-me aquecida pela claridade...
Cai uma tempestade fria por sobre minha esperança e o céu escurece por sobre minha cabeça derramando chuva como mortais lanças, ressaltando que as trevas é que me ama mais!
Portanto garçom sombrio... traga a mim uma taça do seu mais negro vinho e um cigarro com teor de breu infindo, por favor, e me deixa em jaz!

Pois a escuridão se aproxima em breve, preciso da solidão para que Ela me leve... E talvez nas trevas eu encontre a paz...

Tatiane Sales
(Minhas prosas poéticas)


...

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Decepções de casal

Aceitar?
Hoje conseguiram a proeza de me tirar do sério, o que no meu momentâneo estado anestésico, conformado e ermo da alma seria praticamente impossível.
Ultimamente tenho-me conformado muito para com formas e jeitos alheios, ora não sentir aquela sensação horrível de frustração seguida de angústia (que só quem já sentiu sabe o aperto no peito que evito), pois quem pouco expectativa as coisas, menos se frustra.
Tenho-me convencido de que não passo de uma metida a psicanalista que diagnostica a todos gratuitamente, uma virginiana inatamente crítica, mas não é bem assim. Algumas atitudes que observo não são justificáveis e ponto.
Decepções tornam-se piores quando vem de alguém que admiramos e mais ainda quando colocamos todas as nossas expectativas por sobre ela (não sei se tal responsabilidade adquirida pelo outro deve ser considerada um elogio lisonjeiro ou uma punição), mas ser perfeito aos conceitos, princípios e tradições de outrem é deveras complicado. Ninguém é igual.  Isso num casal ocorre simultaneamente.
O que ocorre é que eu respeito a individualidade de cada um e esse é o ponto, não respeitam o meu! Admiro a particularidade, a independência nos indivíduos. Ultimamente para "agradar" a outrem, estou perdendo minha individualidade e para falar a verdade, nem lembro mais quem eu sou.
Essa estória de dois em um é balela religiosa. Intimidade é boa apenas em momentos, não sempre, não 24 horas ao dia! Meditação se pratica sozinho, ler um livro se pratica sozinho. Eu não queria abrir mão da minha solidão, ela foi minha amante durante tantos anos, às vezes ainda preciso dela. E se tive amigos no passado, não lembro mais. Respeito as pessoas, que criam o seu próprio mundo. Eis minha decepção, pois é muita responsabilidade ser o mundo de alguém. Todavia sei que também vou decepcionar tamanha expectativa esperada.
Não peço um sádico Dh Lawrence, acredito no amor, não quero ser cruel ou ingrata, mas o ciúme é lisonjeiro desde que não excessivo.
Se o seu marido disser que vai jogar futebol, talvez ele vá mesmo! Ser livre está muito longe de significar ser leviano.
Enquanto uns pedem doação absoluta, outros pedem espaço...
O estágio mais delicado num conflito de casal é quando você observa que a outra parte não está aberta a querer te entender ou simplesmente não entende mesmo! Ou você tenta expor sua opinião nem que seja no grito para tentar ser ouvida, ou então você diz: "Não adianta querer te passar o que sinto sobre a forma que você age e agiu, porque se você não se observa, se você não se analisa em seus próprios comportamentos, esse conflito tem uma proporção muito maior do que eu supunha! E sendo assim, desisto".
Claro que existem dois lados de uma mesma moeda (o casal é uma única moeda com dois lados) cada um com suas verdades, suas dores, dúvidas, rancores, limitações a ouvir, expandir e principalmente aceitar. Às vezes é impossível entender mesmo, mas principalmente é necessário aceitar.


Tatiane Sales
(Crônica conflitiva)