domingo, 12 de junho de 2016

Dual

Ela teima em desistir por causa dos defeitos dele, defeitos que porém também há nela...
Mas o sorriso dele ilumina o seu dia, e debaixo da sua teimosia ela sabe que aquele sorriso que irradia o seu dia é ela mesma na percepção dele ao vê-la. É ela refletida...

Tati Sales

sábado, 11 de junho de 2016

Violentada pelos 33

É sério mesmo que tem gente que acha que por a menina ouvir funk, mereceu ser violentada por 33 homens? Então, quem vai em balada sertaneja tem que ser atropelada por uma carroça de bois, quem ouve axé tem que ser afogada dentro de uma garrafa, quem curte metal tem que queimar nas chamas do inferno.
A questão pedagógica da banalização sexual do funk carioca e erotização infantil que é um grande problema, não é o caso nesse caso, isso é outra história; pelo que entendi de tudo que li sobre o caso, não foi um gang CONSENTIDO (e se fosse seria problema das escolhas sexuais dela e ninguém tem nada a ver com isso, pois um adolescente, seja garoto ou garota tem direito à loucura e descobertas sim... qual o problema? Ela não pode por ser mulher? De contraponto acho interessante que se fosse uma patricinha rica no campus da Puc participando de orgias na república, os rapazes iam falar que ela é mente aberta, pra frente e tal... mas como trata-se de uma garota pobre da favela carioca, é puta?)
MAS o pior e mais horrendo dessa história é que ela NÃO CONSENTIU... foi violada, e ainda não consigo acreditar que tem pessoas que defendem esses que a agrediram e a culpam por isso...

P.S: Péssimo gosto musical não é crime... estupro é.

Tatiane Sales

sexta-feira, 10 de junho de 2016

O pior dos homens

Tudo começou quando ele foi uma vítima,
Coisa boba, nasceu sem os pais, cresceu na infâmia
Da solidão, pedindo restos de pão e estima...
Só um tropeço no começo da infância.

Só empurravam e o chutavam pelo chão
Das calçadas encharcadas de choro e chuva.
Coisa boba, frio passa todos, diz-me que não?
Qual a diferença se ele usava ou não uma blusa?

A lei, a sorte, o frio e o sol nascem pra todos!
Errado é ele que sem pensar cheirava cola.
Desculpa dava: “que é pra escapar, tio”, que caiam os tolos!
Comigo não cola, fugir da fome? Que vá pra escola!

Nada de esmola, se você dá vai comprar droga.
Superação é inato ao homem, é só querer.
Tenho dó não, se é negro e pobre, que jogue bola!
Ganha milhão e é idolatrado até morrer.

Tem oito anos? Dez talvez? Já faz um tempo...
Que não o vejo chorar em meios aos carros,
Pedindo, tímido, na camiseta alguns remendos,
E nos lábios: “tio, me arruma ao menos uns trocados?”.

Meses atrás o vi na igreja, estava orando...
Algo como: “mundo é duro, alegro não, mundo é escuro”,
Mais tarde tropecei num infante desmaiando,
Tem jeito não, lixo sem fé, é o fim do mundo!

Era o moleque em lágrima e barro, está drogado,
Maldito infante bem no meio do caminho...!
E já estressado e atrasado pro trabalho,
Chutei o vagabundo com sua cruz, coroa e espinho...

Cola e coca não passa a dor, agora é crack,
Mas não é fácil bancar o vício com esmola.
“Não sou playboy, não esquento frio com conhaque”,
A primeira foi a tia crente com a sacola...

Passa a carteira, filha da puta, vou te furar!
Era pra isso que ele andava com uma faca?
Bandido bom é bandido morto, vou te contar!
Mas deixa estar, polícia resolve, só basta uma bala!

Minha profecia estava errada, cá estou eu...
Com uma arma apontada em minha cabeça.
Se me conheço vou reagir. O quê?! Só vejo breu
E o meu sangue cobrindo ele, talvez o aqueça...

Tatiane Sales

domingo, 4 de outubro de 2015

A vida é uma farsa, não eu...


    A poesia é como a verdade. Quando expressada e tirada do peito, é libertadora... É como um grito!

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Esqueça

Neste caso, linda flôr, esqueça...  mesmo não sabendo o que fazer com esse esqueça, esqueça.
Se você não recebe o carinho em troca dos seus sentimentos tão singelos, definitivamente não é para essa pessoa que você deve dispor seus carinhos... Tem quem os mereça.
Dê a outro o seu belo texto cheio de sentimentos,
Dê ternura a quem a mereça...

Esqueça.


Tati Sales

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Coisas simples

Ensina-me como não deixar minhas samambaias morrerem, ou me passe uma boa receita de bolo de chocolate.
Ensina-me a mistura de um novo tom aloirado para os cabelos, ou me mostre como fazer bordados de crochê na colcha de cama.
Ensina-me como sentir prazer nas coisas simples cotidianas da vida...


Tati Sales

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Cortes de traição













(Artisticamente lanço-me involuntária
Viajando para a perdição do nunca.
Afasto-te, lanço-te e bato-te na cara
Contra as portas de minhas conjecturas... )

Não me permito sofrer? Talvez sim, e arder,
Nestas chamas de raiva desesperada e insana!
Desfalecendo a paixão que vi por ti nascer,
Da qual mordais sua faca decepou-me a entranha.

Precisavas agudamente cortar-me o corpo inteiro?

O que fiz eu pra que sua faca me perfurasse as ancas?
Sem piedade em segredo traçaste o vil roteiro
De esquartejar-me em pedaços com sua arma branca!

Larga-a! Deixe cair tal lâmina que me riscas em sangue

Imaginavas que eu gostaria de sentir tal dor?
Assista meus nus pedaços em avermelhado exangue...
Pensaste que eu fosse forte a não gritar de horror?

Por que cometeste o crime no quarto em que me tiveste?

Por que cortaste a garganta da voz que te sussurrou...?
Por que sujou a vida que poderíamos ter, se houvesse?
Pelo prazer de me trair e em me enganar...  matou-me...

Tatiane Sales

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Pornographie












Ela é a escória. Suja... E devassa.
Contaminando a pureza por onde passa.
Nojenta de ócio, vício e sexo,
Repleta de línguas no seu seio lésbico,

Num beco do desabitado prédio,

Na Rua das Surubas ela vence o tédio.
Faminta por orgasmos ela suga e lambe,
Mas hoje somente com um gang bang.

Os gozos escorrendo pelo corpo exangue,

Escorre pela boca e pela pele o sangue,
Dos tapas e mordidas dos estupradores
Que autorizados por ela a quebrantou de dores,

A Ninfa arranca a roupa, quente em ardores,

Sem alma, só o corpo machucado horrores.
Adentram muitos pênis pelos orifícios,
Vagina, ânus, boca, abismos e ouvidos,

Ela geme, blasfema, maldizendo a libido,

Devastam-na e abusam-na como a um cabrito.
Come-a, fode-a, cospe nela e depois a larga,
Sozinha, impura, corrompida de sofrimento e tara.

Tentando esquecer que existe e se limitando a nada,

Na vala, bêbada, infame, nua e violentada,
Chora apenas uma criança com a força que lhe resta,
Treze, ou quatorze anos? Menina, mulher funesta!

Ela odeia, ofende a todos, pois perdida cai no fel do mundo,

Buscando alívio nos antros e nos becos mais que imundos,
Tudo p’ra ter um orgasmo, prazer real de alguns segundos,
Onde enfim esquece a dor, a tristeza e os medos mais profundos.

T.Sales

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Eia, vejamos

Lendo uma interessante discussão sobre o assunto "publicidade dos 50 tons de cinza no Brasil", sinceramente eu penso aqui com meus botões que se Simone de Beauvoir, as filósofas queimadas na fogueira da inquisição, as grandes feministas francesas de écriture féminine como Julia Kristeva, as heroínas americanas dos meados de 70 na luta maravilhosa de Women's Liberation, se Clarice Lispector e tantas outras grandes mulheres da história – heroínas e heroicas que lutaram pela emancipação, valorização e igualdade da mulher na sociedade, e, libertação psicoemocional da posse e submissão machista em que a mulher era (im)posta e submetida como somente “um algo” sem personalidade, sem inteligência e sem compreensão da realidade; se essas mulheres lessem esse lixo de livro, acho que elas estariam neste momento se revirando em seus caixões! Assim como a arte contemporânea se desvaloriza em sentido de riqueza e valores de expressão, a literatura contemporânea também se iguala; quem já leu Marcel Proust ou Sthendhal sabe que esse tipo de literatura citado acima é um escarro grosseiro na sensibilidade de quem quer ler algo que agrega ao feminino, e que também é um escarro no intelectual e na alma de um bom leitor.
Isso na minha humilde opinião feminista e literária, claro...
Preocupa-me tantas adolescentes em fase de transformação venerando esse livro.


Tatiane Sales – Sobre os 50 tons de Cinza.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Desespero

Eu queria ser Nada.
Ultimamente vivo pensando na morte.
Um simples abraço afetuoso pode me ajudar.
Um simples "ficará tudo bem" pode me salvar.
Daqui três dias novamente nada mudará?

T.Sales

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Visão de um quarto em natureza morta

Flores arroxeadas
Folhas secas esbranquiçadas
Boneca encarquilhada
Poemas indefinidos.
Paredes descascadas
Roupas desgastadas
Fadas perturbadas
Coração partido.
Ilusão dilacerada
Livros empoeirados
Janelas embaçadas
Planos destruídos.
Cama desarrumada
Desacompanhada
Sem ninguém ao lado
Espaço vazio...
Há um anjo assustado
E no espelho quebrado
Um rosto pálido
Que perdeu o brio.
Se movimento entorta
Tudo em minha volta
Som desafinado
Sombra enlouquecida.
Desconfigurado
O que a tristeza molda
São desfiguradas
Face encanecida
Posições erradas
Cores ofuscadas
Que o passado toca
Como carta perdida...
Em meu olhar nublado
Tudo é desbotado
Formas desmontadas
Fotos esquecidas...
Quadros sós, calados
Tortos, pendurados
Natureza morta
Devolve-me a vida...?
Tatiane Sales

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Antiga

Tentando sobreviver numa era contemporânea
Um apólogo à boneca de porcelana
Do ano de 1.820 no atual tempo
Junto a livros empoeirados, tem movimento.

Amando... nobre ela canta, sofre e dança
Como a rosa azul de Novalis, rara
Branca a delicada face laqueada
Esmaltada a tez, perdendo a nuança...

Menina velha de palidez etérea
Recitando Shakespeare, solitária espera
Esquecida numa biblioteca clássica
Deserta e impoluta conservada há décadas!

A relíquia de louça guardada na estante
Ouvindo Mozart ou o flautista de Hamelin
Vinda da poesia de Lorca de las horas incertas
E apaixonada por Hamlet, o seu ideal de amante...

O sopro de alma nessa moça de pano
Que quando só, levanta a bailar chorando
Não está na loucura, na imaginação da artista
Que cria a boneca, mas também dá a vida...!

Ela existe, triste, respira e palpita
Pois tento dár ânimo à própria poetisa
A boneca sou eu no tempo perdida
Que em álacres anos já é tão antiga...

Tatiane Sales

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

A ilusão de um ventilador (Título de referência ao filme – O Palhaço)

Eis-me sozinha agora num quarto vago, nu e sem par.
O espaço vasto nulo na cama é um infinito lugar.
Quero esquecer tudo o que é, mas que nunca aconteceu.
Preciso vencer a melancolia que me mergulhou no breu...

Quero deixá-lo partir sem nunca tê-lo tido.
Esquecer que sei (eu sei), sem nunca percebido.
Quero curar tal sentimento que não ousei saber-lhe o nome.
Não notar que estás tão perto, porém eternamente ao longe.

Quero fechar os meus olhos e não ver-te nunca mais,
Mas sua presença é tão bela quanto as rosas nos quintais...
Choro como uma menina que não sabe o que é viver?
Choro um desejo lindo, profundo e tanto é o meu querer.

Choro uma saudade estranha que nunca me é suprida.
É querer curar a doença que me dá sentido à vida.
Minhas lágrimas são puras quanto o anjo que me habita.
Sinto pelas vãs palavras que o meu tolo lado recita.

Quero tanto que me enxergues como uma luz d’estrela guia.
Quero ser seu sol na noite e uma lua ao meio dia.
Permita que eu te afirme um segredo revelado...
Que o meu coração é frágil, por favor, tome cuidado...!

Já era pra eu ter tirado, te arrancado da memória,
Mas parece que tu és parte já assídua em minha história.
Preciso dormir pra sonhar, sonhar ao menos, meu querido.
Só que o meu sono é o anjo brando que mandei dormir contigo.

E já que o meu sono manso foi voando pra sua paz?
Eu fico aqui lamentando, soluçando injustos ais.
Pois era aqui bem ao perto que deveria o seu corpo estar.
Sentindo o meu coração intensamente disparar.

Estar em meus lençóis brancos e descobrindo tudo em mim...
Roçando sua pele quente em minhas vestes de cetim.
Se soubesses que tu tens as mesmas contradições que as minhas.
Se notasses que tuas dores eram as mesmas que eu tinha.

Mas te vi descobrindo novas alegrias e clivais lúdicas.
Vi no seu descaso olhar o qual tupias cenas impudicas.
Se, perdi a ideologia mais linda, linda, que eu tinha?
Se, se foi a esperança última dos retornos sons que eu ouvia?

Pudera eu arrancar fora do meu peito a sangue o coração!
Pudera eu enfeitar com um laço e te entregar ele com a mão!
O meu recuo cru e insano é o medo fraco de ser magoada.
De me jogar novamente cega na desventura malograda.

Mas tudo o que tenho agora é a minha torpe solidão.
Sei que dormes com outra, outras, acompanhado em seu colchão.
Devolva o meu anjo puro que eu mandei dormir contigo!
Era pra eu deixar guardado no desalento em mim contido.

Se eu recusei foi porque eu iria sofrer carente como um cão...
As suas chamadas, seu afeto, seu olhar, sua atenção.
O que me resta é viver agora dia-a-dia a dor vazia...
E te esquecer, (vou te esquecer) e esquecer-me da alegria...

Que é estar junto com um jovem que eu já tive idolatria.
Que tive vontade de passar todos os dias da minha vida.
Ficou hoje tão óbvio que o sentimento não é recíproco.
A partir de agora eu juro, só te chamarei de amigo...

Tatiane Sales

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Solitude (saudade da mãe)

images (19)
É domingo à noite já caminhando para segunda-feira.
Há algo mais melancólico do que este momento?
É triste a insônia dessa transição.
Chego à conclusão de que mais um dia passou sem sentido algum, todavia cada letra a mais nesta página preenche-me um pouco o vazio. Penso numa imaginária e arcaica folha de papel em branco a ser preenchida manualmente pelos mais nobres sentimentos e, no entanto, eu apenas teclo o nada. Teclo sem sabor, sem esforço, sem vontade. Se eu escrever: tudo é nada, sobressai-se a confirmação do nada. Se eu escrever: nada é tudo, ainda sobressai-se a confirmação do nada. Então compreendi a teoria do nada de Paul Sartre numa síntese momentânea de ócio! Se tudo é nada, para quê então? Viver é inútil? Não quando se ama e se é amado dizem os pares. No amor encontram o sentido em viver, mas isso ainda existe ou o amor tornou-se piegas?

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Desterro

Sina: Passeando pela estrada vazia de terra?
Moça: Já distante do quintal de outrora...

Medo: Viajando sem dormir na noite fria aqui fora?
Moça: Sigo firme e o destino me leva...

Receio: Donzela, par'onde vai agora nesta remota esfera?
Moça: Sem olhar para trás vou-m’embora!

Esperança: O pio suave dos pássaros te voando consolam?
Moça: Sim... O que os meus dias futuros reservam.

Tatiane Sales

sábado, 26 de maio de 2012

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Quando era para gritar, calei?

Por que sou tão racional? Maldita razão!
Pára de pensar, pois és inteira coração...

quinta-feira, 17 de maio de 2012

(Como dizia o sertanejo...)

Não tenho nada pra dizer, só o silêncio vai falar por mim...

quarta-feira, 16 de maio de 2012

E pra não chorar eu só vou gostar de quem gosta de mim.

Sou uma moça Shakespeariana ao extremo e preciso trabalhar isso em mim, pois às vezes não me consolo em deparar no espelho com uma mulher ingênua de 29 anos, enfim... Honesta demais, bondosa demais, sensível demais. Ou eu deixo de ser sensível assim neste mundo fugaz, ou não sei, realmente não sei o que será de mim neste planeta voraz.


sexta-feira, 4 de maio de 2012

Rascunhos

O avesso, do avesso, do avesso…

terça-feira, 3 de abril de 2012

Florence + The Machine - Shake It Out



Liberte-se

Remorsos se acumulam como velhos amigos
Aqui para reviver seus momentos mais sombrios
Não vejo uma saída, não vejo uma saída
E todos os monstros saem para brincar

E cada demônio quer seu pedaço de carne
Mas eu gosto de guardar algumas coisas pra mim
Gosto de deixar minhas questões importantes afogadas
É sempre mais escuro antes do amanhecer

E eu fui tola e cega
Nunca consigo deixar o passado pra trás
Não vejo uma saída, não vejo uma saída
Estou sempre carregando esse peso nas costas

E as perguntas dele, tamanho ruído de sofrimento
Essa noite eu enterrarei esse peso na terra
Pois gosto de deixar minhas questões importantes afogadas
É sempre mais escuro antes do amanhecer

Liberte-se, liberte-se

segunda-feira, 19 de março de 2012

domingo, 8 de janeiro de 2012

Desejos da flor

Dispa-me o manto sagrado,
Entrego-te um corpo de amor,
Sedento dum lânguido cálido
Fogo em vertigem torpor.

Beba mais um gole de vinho,
E beija-me os lábios frios,
Conduza-me pelos caminhos,
Do seu corpo sedento e febril.

Abraça-me com seus braços alados,
Conforta-me envolvente e macio,
Aperta-me com desejo e cuidado,
Transporta-me para o instinto do cio.

Preencha-me os vácuos vazios,
Olha-me com olhar sedutor,
Sinta-me como ao tocar um lírio,
Devasta-me como um desflorador...

Tatiane Sales

sábado, 31 de dezembro de 2011

Óbvia concepção para um feliz ano novo

Sabe por que é tão difícil ser feliz, moça?
Por que é difícil mudar...
Feliz ano novo...! (?)
Um brinde às escolhas, às ações e à mudança!

Não mudemos apenas os nossos calendários, mudemo-nos.
E só assim serás feliz, mais feliz...


(Ao reflexo de mim mesma) à Tatiane Sales, dela, para ela.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

A palhaça...

Que saudade é essa, meu Deus?
Quando aprenderei a ser menos sincera?
Estou aprendendo nesta vida de quimeras,
Que a palhaça do amor sempre sou eu...

T. Sales
(...)

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Diáfana das trevas

A vida cruel presente,
Noite que assola a mente,
Diáfana incongruente...

TS

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

E quanto a mim, quem me fará rir?

Numa visão otimista de ser a diferença que espero do mundo, vivo o vazio de nunca me surpreender.
Causo a alegria que ninguém me causa.
Olho absorto e tolerante, piedoso sobre a plateia. Eles suplicam um ínfimo conforto nos corações.
Altruísta que sou, caio, pulo, salto e, desgraçadamente me dou.
Eu espero por aquela que na imaginação criei. Criei para ter esperança e continuar. Aquela que veste um vestido azul rodado, um enorme sapato amarelo e um coração pintado no rosto. Aquela que admirará o meu nariz redondo e vermelho e me fará orgulhoso.
Como uma estrela linda brilhando ao longe, ela magicamente lança aos ares os seus malabares. Espero por ela que me fará sorrir...
Espero por aquela que em algum lugar vive sem mim.
Enquanto isso eu continuo vazio.
Um palhaço que o tempo todo sente no peito a tristeza lancinante de um coração sôfrego.
Espero por aquela que me fará rir...

Tati Sales
(Metáfora circense de um amor ideal)

...

domingo, 13 de novembro de 2011

Assombros sertanejos

É meia-noite e faz tempo...
Faz três horas que é meia-noite.
Lá fora o uivo dos ventos,
Aqui dentro o gemido da morte.

Será que é crueldade da sorte?

E está imóvel o ponteiro,
Corre um animal no palheiro,
E a viola soou um acorde...

Tocou sem nenhum violeiro!

Meu Deus do céu, isso é sina?
Rezarei um pai-nosso em surdina,
Pra espantar os demônios feios.

Deve ser a macumba da esquina!

O que é aquilo que passou na vidraça?
É o fantasma da amortalhada,
Que está grávida duma menina,

E as duas choram na estrada!

Não há nesta casa uma vela?
Pr'acender e iluminar essa treva,
Ai meu Cristo escutei uma risada!

E veio lá da encruzilhada!

Deve ser o preto que gira,
Acenderei um incenso de mirra,
Valha-me Deus, que isso é nada...

Foi só uma impressão danada!

Mais um copo quebrou na cozinha?
Ai que estou nesta casa sozinha,
Soltaram as almas na madrugada!

Bem que minha mãe me dizia,

Olhando ao redor de soslaio...
Quando caia com a chuva, os raios,
Reza antes de dormir minha menina...

Estou hoje pagando os pecados!

Eu, nada rezava e mentia,
Quando ela me indagava de dia,
Varrendo os quebrados dos cacos,

Rezei minha mãe com maestria!

Agora quem pena sou eu,
Fazendo sinal da cruz aqui no breu,
Com devoção e idolatria...

Só pode ser bruxa de magia!

Que luz verde é essa no céu?
Um trenó de papai Noel?
Parece um sonho de fantasia,

É disco-voador, santa Maria!

Deixando sinais no milharal,
Estão rentes ao matagal,
Sai de retro que esta casa é vazia!

Alguém recolhe as roupas do varal?

E ele olha pra mim com maldade,
Outro vulto parado no portão,
Observa-me com olhar de piedade...

Isso é pior que sal com limão!

Fechei na vidraça a cortina,
Deve ser outro feitiço da Tina,
A suicida do porão...

E ela gemeu com sofreguidão...

Mulher, vá descansar em paz,
Que te prende aqui, satanás?
Deus te valha que ele é imensidão!

Não tem nada maior que Deus não!

Onde está o terço de prata,
E os unguentos santos da mata,
Pra espantar esse cão?

É agora que invado o porão!

Mas no canto uma menina chora,
É Tina, a suicida da escola,
E suas lágrimas transbordam no chão:

Só quero ter paz no coração...

Tina diz tão triste essa frase,
Mas justo nessa hora o sol nasce,
Sem ter dado comunicação;

Tina desaparece num enlace

E tudo se ilumina, é verão...

Tatiane Sales

sábado, 12 de novembro de 2011

Dissipação

Eu só quero asas negras p'ra voar na noite,
E subir tanto a ponto de pousar na estrela.
Nebulosamente me dissolver na morte,
E aliviar minh'alma como um vento em vela.


Se a alegria é um sonho e eu não posso tê-la,
Mi'a vida me machuca como um cruel açoite.
Se o corpo é frívola poeira cósmica na esfera,
Morte, vem-me libertar a alma com sua foice?


Tatiane Sales

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Ainda bem que existe a arte...

Vivo nos teatros e sinfonias. Vício!
Recorro à arte como uma dependência em crack.
Ontem precisei deliberadamente ir ao circo,
Hoje leio outro do Gabriel Garcia Marques.

Oh céus, não! Cem anos de solidão...
Soa-me o título agora como uma maldição!
O que será de m’ia vida preenchendo lacunas?
Buscarei respostas na obra de Alexandre Dumas.

Tati Sales
(Oh!)

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Humildade

Que sensação é esta?
Que tendo perdido tudo,
Estando perdida no mundo,
Amaldiçoando a promessa,

Quando tudo o que sente é dor

E o mais ameno dos sentimentos
Que vive e grita no peito por dentro
É um terrível desespero interior!

Como explicar a sensação

Dum'alma imersa à lama
Pisada e jogada no chão
Nua num inferno em chamas...

Sem ninguém p'ra segurar a mão,

Pegando fogo na chuva
De quão gelado tornou-se o coração
Co'a paisagem nefasta e turva?

Sensação tenebrosa e maldita, 

Violenta, tirana, fascista,
Que machuca, maltrata e tortura,
Até que chega a beirar à loucura!

E no fim quando nada mais sobra,

Rastejando-se feito cobra,
Desgraçadamente humilhada,
Falida e desesperada...

Vendo que tudo se tornou nada,

Percebe que o limite chegou
E o choro torna-se gargalhada,
Pois a dor já ultrapassou...

Essa é a sensação dum louvor

De descer ao inferno e queimar,
Pedir o pão que o diabo amassou
Depois que nada mais restar.

Ser humilhada por si mesma,

P'ra aprender a ser pequena
E ser tocada pela humildade
Implorando à luz suprema!

Essa é a sensação da liberdade

De ser pisada como um cão torto,
Feito um gado apanhar com maldade 
Na sua ilíada ao matadouro...

Essa é a divina sensação

Da gloriosa superação,
De dor que agora não mais dói,
Do ácido que na pele não corrói.

Dum alívio quando a queda cessou,

Quando se sabe que no fundo chegou.
É tanta dor que se torna iluminação,
Fogo que restaura como purificação,

Lâmina que fere p'ra marcar,

Açoite que bate p'ra ensinar,
Força que nasce da lamentação
E extingue o ego, dor de libertação...

Tatiane Sales