sábado, 31 de dezembro de 2011

Óbvia concepção para um feliz ano novo

Sabe por que é tão difícil ser feliz, moça?
Por que é difícil mudar...
Feliz ano novo...! (?)
Um brinde às escolhas, às ações e à mudança!

Não mudemos apenas os nossos calendários, mudemo-nos.
E só assim serás feliz, mais feliz...


(Ao reflexo de mim mesma) à Tatiane Sales, dela, para ela.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

A palhaça...

Que saudade é essa, meu Deus?
Quando aprenderei a ser menos sincera?
Estou aprendendo nesta vida de quimeras,
Que a palhaça do amor sempre sou eu...

T. Sales
(...)

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Diáfana das trevas

A vida cruel presente,
Noite que assola a mente,
Diáfana incongruente...

TS

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

E quanto a mim, quem me fará rir?

Numa visão otimista de ser a diferença que espero do mundo, vivo o vazio de nunca me surpreender.
Causo a alegria que ninguém me causa.
Olho absorto e tolerante, piedoso sobre a plateia. Eles suplicam um ínfimo conforto nos corações.
Altruísta que sou, caio, pulo, salto e, desgraçadamente me dou.
Eu espero por aquela que na imaginação criei. Criei para ter esperança e continuar. Aquela que veste um vestido azul rodado, um enorme sapato amarelo e um coração pintado no rosto. Aquela que admirará o meu nariz redondo e vermelho e me fará orgulhoso.
Como uma estrela linda brilhando ao longe, ela magicamente lança aos ares os seus malabares. Espero por ela que me fará sorrir...
Espero por aquela que em algum lugar vive sem mim.
Enquanto isso eu continuo vazio.
Um palhaço que o tempo todo sente no peito a tristeza lancinante de um coração sôfrego.
Espero por aquela que me fará rir...

Tati Sales
(Metáfora circense de um amor ideal)

...

domingo, 13 de novembro de 2011

Assombros sertanejos

É meia-noite e faz tempo...
Faz três horas que é meia-noite.
Lá fora o uivo dos ventos,
Aqui dentro o gemido da morte.

Será que é crueldade da sorte?

E está imóvel o ponteiro,
Corre um animal no palheiro,
E a viola soou um acorde...

Tocou sem nenhum violeiro!

Meu Deus do céu, isso é sina?
Rezarei um pai-nosso em surdina,
Pra espantar os demônios feios.

Deve ser a macumba da esquina!

O que é aquilo que passou na vidraça?
É o fantasma da amortalhada,
Que está grávida duma menina,

E as duas choram na estrada!

Não há nesta casa uma vela?
Pr'acender e iluminar essa treva,
Ai meu Cristo escutei uma risada!

E veio lá da encruzilhada!

Deve ser o preto que gira,
Acenderei um incenso de mirra,
Valha-me Deus, que isso é nada...

Foi só uma impressão danada!

Mais um copo quebrou na cozinha?
Ai que estou nesta casa sozinha,
Soltaram as almas na madrugada!

Bem que minha mãe me dizia,

Olhando ao redor de soslaio...
Quando caia com a chuva, os raios,
Reza antes de dormir minha menina...

Estou hoje pagando os pecados!

Eu, nada rezava e mentia,
Quando ela me indagava de dia,
Varrendo os quebrados dos cacos,

Rezei minha mãe com maestria!

Agora quem pena sou eu,
Fazendo sinal da cruz aqui no breu,
Com devoção e idolatria...

Só pode ser bruxa de magia!

Que luz verde é essa no céu?
Um trenó de papai Noel?
Parece um sonho de fantasia,

É disco-voador, santa Maria!

Deixando sinais no milharal,
Estão rentes ao matagal,
Sai de retro que esta casa é vazia!

Alguém recolhe as roupas do varal?

E ele olha pra mim com maldade,
Outro vulto parado no portão,
Observa-me com olhar de piedade...

Isso é pior que sal com limão!

Fechei na vidraça a cortina,
Deve ser outro feitiço da Tina,
A suicida do porão...

E ela gemeu com sofreguidão...

Mulher, vá descansar em paz,
Que te prende aqui, satanás?
Deus te valha que ele é imensidão!

Não tem nada maior que Deus não!

Onde está o terço de prata,
E os unguentos santos da mata,
Pra espantar esse cão?

É agora que invado o porão!

Mas no canto uma menina chora,
É Tina, a suicida da escola,
E suas lágrimas transbordam no chão:

Só quero ter paz no coração...

Tina diz tão triste essa frase,
Mas justo nessa hora o sol nasce,
Sem ter dado comunicação;

Tina desaparece num enlace

E tudo se ilumina, é verão...

Tatiane Sales

sábado, 12 de novembro de 2011

Dissipação

Eu só quero asas negras p'ra voar na noite,
E subir tanto a ponto de pousar na estrela.
Nebulosamente me dissolver na morte,
E aliviar minh'alma como um vento em vela.


Se a alegria é um sonho e eu não posso tê-la,
Mi'a vida me machuca como um cruel açoite.
Se o corpo é frívola poeira cósmica na esfera,
Morte, vem-me libertar a alma com sua foice?


Tatiane Sales

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Ainda bem que existe a arte...

Vivo nos teatros e sinfonias. Vício!
Recorro à arte como uma dependência em crack.
Ontem precisei deliberadamente ir ao circo,
Hoje leio outro do Gabriel Garcia Marques.

Oh céus, não! Cem anos de solidão...
Soa-me o título agora como uma maldição!
O que será de m’ia vida preenchendo lacunas?
Buscarei respostas na obra de Alexandre Dumas.

Tati Sales
(Oh!)

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Humildade

Que sensação é esta?
Que tendo perdido tudo,
Estando perdida no mundo,
Amaldiçoando a promessa,

Quando tudo o que sente é dor

E o mais ameno dos sentimentos
Que vive e grita no peito por dentro
É um terrível desespero interior!

Como explicar a sensação

Dum'alma imersa à lama
Pisada e jogada no chão
Nua num inferno em chamas...

Sem ninguém p'ra segurar a mão,

Pegando fogo na chuva
De quão gelado tornou-se o coração
Co'a paisagem nefasta e turva?

Sensação tenebrosa e maldita, 

Violenta, tirana, fascista,
Que machuca, maltrata e tortura,
Até que chega a beirar à loucura!

E no fim quando nada mais sobra,

Rastejando-se feito cobra,
Desgraçadamente humilhada,
Falida e desesperada...

Vendo que tudo se tornou nada,

Percebe que o limite chegou
E o choro torna-se gargalhada,
Pois a dor já ultrapassou...

Essa é a sensação dum louvor

De descer ao inferno e queimar,
Pedir o pão que o diabo amassou
Depois que nada mais restar.

Ser humilhada por si mesma,

P'ra aprender a ser pequena
E ser tocada pela humildade
Implorando à luz suprema!

Essa é a sensação da liberdade

De ser pisada como um cão torto,
Feito um gado apanhar com maldade 
Na sua ilíada ao matadouro...

Essa é a divina sensação

Da gloriosa superação,
De dor que agora não mais dói,
Do ácido que na pele não corrói.

Dum alívio quando a queda cessou,

Quando se sabe que no fundo chegou.
É tanta dor que se torna iluminação,
Fogo que restaura como purificação,

Lâmina que fere p'ra marcar,

Açoite que bate p'ra ensinar,
Força que nasce da lamentação
E extingue o ego, dor de libertação...

Tatiane Sales

domingo, 23 de outubro de 2011

sábado, 8 de outubro de 2011

Mundo cruel

Sou eu
Um nada
Na vaga
Do breu
Ateu
Violada
N'alma
Da história
Em memória
Irrisória
Na escória
Da saga
Da vida
Perdida
Invadida
Usada
Jogada
Ferida
Sofrida
E calada
É notória
A inglória
Dum verme
Na nau
À deriva
Sem leme
Sem rumo
Sou eu
Sem deus
Que teme
Num mundo
Tão amplo
E profundo
Um antro
De corja
Imundo
Sem fim
Oriundo
Impiedoso
Blasfemando
Maldade
E bafejando
Crueldade
Dor surreal
Que dilacera
E exaspera
Minh'alma
Em miséria
Da ausência
Do mal.
Tatiane Sales

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Mito da caverna

Vendo difusa a sombra ofuscada na caverna,
Não reconhece o que há de vir e quem a espera...

Ela vislumbra num teatro fosco,
Escuro, ilusório e tosco
Movimentos refletidos nas sombras
Dos vultos de atrizes medonhas
Dançando loucas e tristonhas
Meras cópias da matriz platônica
Duma ébria percepção errônea
Dirigida por um Deus semimorto
Regendo uma orquestra no horto!

Ela olha tudo pelo buraco negro das trevas,
Mas prefere a loucura, a ser cega...

E aceitaria todas as consequências,
Para ver sobressaindo à coexistência
Pois perdida no mundo das ideias
Observando confusa na plateia
Hamlet apaixonado por Nicéia
E Baco amante casto de Ofélia
Ela precisa se libertar dessa caverna
Pra confirmar que a humanidade é uma doença
E o ser humano um estado crítico de demência!

Mas novamente obtusa e confusa ela se entrega, 
Vendo um novo rosto abstrato surgir em meio à névoa...

Tatiane Sales

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Si plang, de Alex Atveu



Yann Tiersen, La Valse d'Amélie (Piano version)

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Vinte e nove versos

Respiro fundo facilmente num alívio macio e transcendente...
Sinto-me em paz comigo agora, pois nunca fui uma mera vã inópia.
Alegoria poética obstante, guardarei a poetisa por um instante,
Porque preciso escrever a cru sobre o meu âmago do cerne nu.
Preciso tudo agradecer pela índole do caráter a me valer,
Que em mordaz momento errado nunca deixa o meu espírito ser maculado.
Agradeço o meu nobre coração duma fidelidade de cão.
Na vida sempre fui verdadeira deixando-me nítida como clareira,
Por mais estranho, excêntrico ou diferente que seja o meu jeito inerente.
Transbordo poesia de minh'alma, dum’arte e melancolia inata.
Tudo o que faço é ser eu mesma por melhor que eu seja, ou tola ou esma.
Sou tão Tatiane que sangro até nos pesadelos infandos,
No sentimento brando mais puro e no sofrimento desesperado escuro!
Nas minhas vontades nefandas e em minhas bondades mais santas...
Todos os dias sou transparente mesmo quando incongruente,
Como se o meu coração ficasse exposto pulsando o tempo todo,
E aberto no peito o coração mostro no dorso rasgado transposto!
Muitos olharam, mas não conseguiram ver e saber,
Poucos realmente sentaram e ouviram o que eu tinha a dizer,
Outros viram, mas tentaram me modificar, não me aceitaram.
Para alguns sou um livro aberto e para outros um grande mistério.
Posso dizer num olhar sincero tão profundo quanto um bolero que,
Estou aqui não há segredos nem tramas, só poesia, não dramas...
Sou mais simples do que pareço, nem todo o meu ser é complexo.
Tento somente ser uma boa moça a evoluir, como flor a fluir e florir...
Em minha complexidade perco-me, mas na simplicidade encontro-me.
Não é difícil entender toda essa ideia e a prover,
Quando você compreende e consegue conceber,
O que é estar na pele e ter um’alma etérea... de uma mulher.


Tatiane Sales

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Sorte

Ah, jogo do privilégio...
A desigual e injusta benção
Que de caráter tão soberbo
Mais orgulhosa que a divina providência
Vem-me banhar com o seu brilho
Priorizar-me com o seu beijo?

Ah, libélula designada...
Pousa em mim predileção!
Vem soprar minha jogada
Deliberar dádiva luz?
Sobrevoar minha noitada
E me iluminar sorte, reluz...

Tatiane Sales

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

O poeta está vivo


Baby compra o jornal
e vem ver o sol
Ele continua a brilhar,
apesar de tanta barbaridade
Baby escuta o galo cantar,
a aurora de nossos tempos
Não é hora de chorar,
amanheceu o pensamento
O poeta está vivo, com seus moinhos de vento
A impulsionar a grande roda da história
Mas quem tem coragem de ouvir
Amanheceu o pensamento
Que vai mudar o mundo
Com seus moinhos de vento...
Se você não pode ser forte,
seja pelo menos humana
Quando o papa e seu rebanho chegar,
não tenha pena
Todo mundo é parecido, quando sente dor
Mas nu e só ao meio dia, só quem está pronto pro amor!
O poeta não morreu,
foi ao inferno e voltou
Conheceu os jardins do Éden
e nos contou
Mas quem tem coragem de ouvir
Amanheceu o pensamento
Que vai mudar o mundo
Com seus moinhos de vento...
(Frejat)

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

E o nome dele era Gene Sprague!


A bela Golden Gate localizada em San Francisco Califórnia exerce em mim um fascínio quase que hipnótico.
A ponte, considerada uma das sete maravilhas do mundo moderno, é mais sombria que um monumento gótico que vive vil romântica, alimentada pelos mortos!
Às vezes dá-me vontade de passear por sobre ela, caminho sórdido.
Quando eu era pequenina tinha vontade de voar saltando pelos degraus da escada, e lógico, compreendo o motivo de Gene intrigar-me tanto. Adoraria tê-lo conhecido, óbvio.
Rapaz muito branco, cabelo comprido e vestido de negro, que fez de sua sina, um salto breu de desespero.
E hoje te usam Gene, para prosas poéticas e roteiros. Quando vivia, não te davam um emprego módico!
Sinta o meu abraço de alento, escuta em seu ouvido suavemente minhas palavras de cálido lamento...
Desejo que você tenha encontrado paz em seu destino de sôfrego desterro mórbido, onde o vento tocando seu rosto e o impacto do gélido torvo fizeram em segundos o seu único velório.
Tatiane Sales

sábado, 30 de julho de 2011

Inquisição pelo santo ofício

Penso nas mulheres queimadas na fogueira da inquisição pelo antigo tribunal eclesiástico.
(Bruxas?) Não...
Poetisas, filósofas, livres pensadoras... Belas de mente expansiva, amantes da arte, exóticas, feministas, adoradoras da natureza...
Penso que a igreja queimava na fogueira mulheres como eu...
Hoje meu batom não é vermelho, meus batimentos cardíacos são meramente calculados, pois sou posse quando eu deveria ser livre. Fiz minha escolha, talvez por covardia ou comodismo, talvez por amor. Todavia a escolha certa? Descobrirei mais tarde quando eu adoecer, envelhecer e não enlouquecer na solidão, porque terei alguém que cuidará de mim. Saberei quando eu não me tornar uma velha alcoólatra louca dos gatos gratos pelo abrigo e solitária numa casa sombria com teias de aranha enfeitando as paredes do quarto escuro com uma janela que nunca seria aberta. Saberei se minha limitação voluntária da mulher que eu seria valeu a pena, quando eu estiver numa chácara coberta de raios de sol, cercada de alegres filhos e netos, em meio às flores ouvindo o som do riacho descendo às pedras...
Seria o casamento também uma forma de inquisição?
Tatiane Sales

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Ensejo de uma freira

Ser boa, ser
Seria ver
Jesus surgir
Da cruz sorrir.
Boa por quê?
E tentei crer
Que me punir
Torno-o mártir.
Por mais que tento
Mais eu lamento
Nunca pecar
É sofrimento!
Da existência
A desistência?
Jogado a esmo
O meu desejo,
Mas só um beijo
É um fraquejo?
E maculada
Fui condenada.
Já desvairada,
Já malograda,
Fugi do abade,
Fui pra cidade...
Desesperada!
Desventurada,
Um beijo apenas
É quase nada!
Eu quero mais,
Pudica jaz.
Eu vou tentar,
Isso é errar?
Quero saber
Como é viver,
Quero sentir,
Quero fundir!
Depois morrer...
Freira pra quê?
Fizeste a vida
Pra ser vivida,
Colher, plantar,
Não só olhar...
Deixa-me ser,
Deixa-me ter?
Eu quero amar,
Me apaixonar.
E se eu sofrer,
Paguei pra ver.
E pra clausura,
Pra sepultura
Não volto mais,
A ira sagaz
Me libertou!
Amaldiçoou.
A minha sina
É de felina,
Se, não menina...                                              
Sou Messalina?
Sou anormal
Por ser normal?
Ah, homens santos
Sob seus mantos
Queimem na chama
Tal bruxa dama!
Pseudo frades
Que só maldades
Vejo sangrando
Fingir rezando.
Traz a fogueira
Dessa maneira
Serei julgada
Como as coitadas,
Damas ousadas
Da inquisição
Que gritaram, não!
À submissão.
Não, não tenha pena!
Desta vil pequena.
Sou uma mulher
Que somente quer,
Tão somente quer,
Provar o prazer
De o vinho beber
E dos beijos colher...
Como você também quer.
Tatiane Sales.
(Minha poesia ao autoritarismo machista que ainda existe)
...

terça-feira, 26 de julho de 2011

Tuas frases tão rasas de atriz
Tudo o que eu quis
Tudo que não...
Pelo palco os meus textos no chão
Falas em vão, falas em vão...

sábado, 2 de julho de 2011

Palhaço triste

                                                                              Eu pinto uma risada no rosto
                                                            e maquio o meu desgosto
                                                            para o público rir!
                                                            Tropeço para a plateia aplaudir...



T.S

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Misantropia

-Poeta, o que me diz da noite que finda?
-Noite solitária e fria e longa, tão vazia e linda.
-E do novo dia que à noite sucedeu?
-Senti por momentos esperança no cantar dos pássaros e nos raios de sol no rosto meu.
-Por que apenas por momentos teve esperança?
-Porque as pessoas acordaram e poluíram a pureza da natureza santa, mas há outro momento de esperança! Vejo vindo adiante uma criança...
-Não vejo nada, poeta meu. Essa criança que você vê é você mesmo, no reflexo da lembrança que também se corrompeu.
-Essa criança cresceu e em prol do mundo nada fez? Meu Deus, essa esperança morta sou eu...?

Tatiane Sales

(Minha poesia)


...

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Buraco negro

Trevas de luz acesa... Uma lâmpada superficial.
As lágrimas rolam, involuntário como o cair de águas de uma inóspita cachoeira íngreme.
Rolam da profundeza íngreme de minh'alma e não há nada que eu possa fazer.
Nada como Sartre diria.
Nada!

T.Sales

terça-feira, 28 de junho de 2011

Sigo...

Sigo, mesclando numa miserável nobreza, numa misantropia gentil.
Mesclando em desejar morrer com continuar vivendo e tolerando... Numa tristeza tolerando...

T.S.


segunda-feira, 27 de junho de 2011



                                                                                  Penso... inexisto!

domingo, 26 de junho de 2011



                                                                            Penso... logo desisto!

sábado, 25 de junho de 2011

Noite

Eu queria escrever palavras belas,
Mas não saem alegrias dessas sombras.
A melancolia bloqueia meus sentidos,
Somente o dia criaria versos lívidos.

Pactuando com a noite sem estrelas,
Onde a escuridão malogra uma esperança,
Frondosas árvores como almas em ramagens,
Assombrosas salientam as paisagens.

Se eu entonar uma voz que vem de dentro,
E recitar decálogos de um Santo,
Ou declamar poemas de invento,
A Noite ufanaria o meu pranto?

Na varanda, só, contemplo o vasto
Onde a escuridão dispersa os simulacros.
Tudo é nada, neste vão íngreme quadro
De escuridão como um espectro ao meu lado...

Se eu proferir em alta voz, bradar um canto!
E exprimir todo o sentido dessa Noite?
Se eu usurpar os seus segredos, formar versos
E confessar aos quatro ventos seus mistérios?

Se eu for à rua e proclamar palavras soltas,
Reminiscências de uma atriz no palco, louca,
Os propínquos acordariam assustados?
A contestar o silêncio quebrado, exaltados?

A dama Noite o que faria em minha récita?
Teria pena ao consolar- me, pragmática ateia,
Ou aplaudiria atenta como uma lacônica plateia?
Mas não me movo a nada, atônita, sou inércia!

Ela observa de soslaio e me indaga
Por eu estar lúgubre, mais triste que a vaga.
Ela pergunta destas lágrimas que inunda,
Da dor precípua que em meu peito é tão profunda...

Noite obscura me encara com desprezo,
Pálida e fria respira em mim, um nevoeiro...
Não me arrepias, não percebes, dama informe?
Estou acordada, absorta, o medo dorme.

Tatiane Sales

(Minha poesia)

...

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Natureza de uma mulher

Ouvi muitas mulheres falarem que só descobriram o que é o verdadeiro amor, o amor absoluto, o maior amor quando tiveram um filho. Imaginei-me mãe e maior que imaginar, me senti mãe. É uma natureza que existe em mim, dentro de mim numa força divina que me faria mover o mundo e além.
Um filho... Como será ter um filho?
Todas essas paixões que tive por rapazes de meu passado pelos quais tanto sofri e que em sua maioria não mereciam tal atenção ficaram diminutas, tão pequenas, tão inferiores...
Ser mãe... O que é ser mãe? Como eu seria como mãe? Deixar-me-ia de me sentir órfã?
Essa natureza de amor dentro do meu coração existe, a senti, e isso me assusta!
Só em pensar num pequenino ser gerado por mim, parte de mim, totalmente dependente de mim me emociona de tamanha forma, que transborda emoção de todo meu ser... A maternidade é maior do que o meu eu egoístico. Ser mãe seria dar-me, doar-me, prover-me do meu próprio eu, em prol deste grande amor que também sou eu! Talvez esse sentimento de amor por um filho que vem da natureza humana seja o que há de mais divino na terra, talvez seja uma noção, um fragmento divino que temos da magnitude do amor de Deus.
O cinema tratou de forma perfeita o caso verídico de Christine Collins em "A troca", com direção e produção do maravilhoso Clint Eastwood, tendo no elenco a bela Jolie e o incrível John Malkovich. A obra é completa, teve indicações ao globo de ouro, numa trilha sonora linda, o piano e violino durante o filme quebrantam e comovem de vez a alma de qualquer moça sensível à maternidade (se não tiver, desperta). Vezes, eu desabafava sobre meus sentimentos egoístas, paixões deliberadas, falta dos pais, solidão por não ser compreendida, decepção comigo mesma e sentimento de inutilidade por mais que eu trabalhe e ajude as pessoas, para com dois colegas em momentos distintos que nem se conhecem, e ambos me disseram a mesma coisa: Tenha um filho! Poucas mulheres são tão boas mães como você será! Juro que no momento achei uma lúdica loucura, pois melancólica e preguiçosa como sou? Agora compreendi o sentido do que eles quiseram dizer... Sim, agora compreendi o sentido... Resume-se em ter um sentido.
Tatiane Sales
(Crônica materna)

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Chega o inverno

"O inverno inicia
quebrantando meu espírito,
com ele a poesia
e com a poesia o lírico...
Até mais tarde alegria,
nem sei mais seu sentido.
Chove melancolia,
transborda o que é intrínseco,
pois nenhuma valia
há neste ânimo ínclito..."

T. Sales

...

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Milagres





Mas não tem nada não eu até lembrei das rosas que dão no inverno...

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Tempo perdido

Durante mais de um ano, num tempo passado, apenas uma ideia fixa? Por que com tantas coisas para pensar, tantas pessoas para lembrar, tantos lugares para ver, tantos outros para conhecer, tantos sonhos para realizar, eu só conseguia pensar, lembrar, ver, conhecer e realizar um nome?
Eu vivi durante tanto tempo, um nome?

Tati

terça-feira, 7 de junho de 2011

Amor

Começo a entender que eu não preciso me lançar no abismo para me sentir viva.
Tão quieta estou agora, e sinto minha respiração arfante saindo e entrando nos pulmões.
Sinto a palpitação do meu coração que pulsa amor em taquicardia.
Sinto-me viva, intensamente viva!


Tati

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Somente um dia

Eu já tive melhores dias.
O meu coração angustia...


Não compreendo essa agonia 
Que em meu passado afligia,


E agora volta sombria!


Estou com uma insônia vadia,
Dum gato que o olho irradia,


Quando surge a lua boemia,
Com a noite que o descanso avaria.


Novamente meu sono tardia!


Quando também não durmo de dia,
É que tudo piora em demasia!


Uma pessoa me cobra harmonia,
Quando não sobra nem covardia.


Torno-me então uma egoísta vazia!


Que nem consegue chorar com valia,
Por magoar quem não merecia.


Se me conhecesse, me entenderia!
Se me conhecesse, compreenderia?


E se compreendesse me amaria?


Torna-se tola a sabedoria!
Sinto-me tão culpada, nostalgia.


Não consigo vencer a melancolia,
E já se aproxima a madrugada fria!


O meu choro agora é de poesia...


Por saber que nada agora supriria,
Não consigo hoje fingir alegria!


Não me espera hoje, me dá mais um dia?
Somente uma noite p'ra eu ficar sozinha?


Deixa-me chorar, que a dor alivia...


Dentro há tantas coisas que eu não diria,
Pois o amo tanto, eu não me perdoaria,


Fazê-lo descrer que eu conseguiria.
P'ra ter paz, com ele até no inferno iria,


Mas hoje o vinho já me inebria,


E o álcool já toca a sua sinfonia!
Preciso esquecer o que já há muito finda,


Desmoronar meus castelos de areia fina,
Resíduos de tormenta das saudades minhas,


Sonhos que nunca se concretizariam.


Saudades que vem junto à taquicardia,
Mortes que mudaram toda a minha vida!


Lutas, que com eles aqui, eu não precisaria,
Maldades mais cruéis que uma tirania,


Vindo de quem mais deveria ser meu guia!


E desejos que a sorte me desviaria,
Quando supus que enfim o igual, achei um dia,


E que o acaso levou com uma ventania.


Mas nada agora o meu amor mudaria.
Mesmo a incompatibilidade que nos diferencia,


Mesmo o dia-a-dia na azáfama rotina!
Abrindo em meus olhos pela manhã a cortina,


Não sabendo que eu lia enquanto ele dormia.


E que não entende nunca minhas ironias!
Que tento dormir quando o sol irradia,


Depois destas fases de insônia doentia.
Todavia amor, onde esteja sorria...


Sou grata por ele nunca me deixar sozinha!


Mesmo eu sendo um gato que foge arisca,
Ele me recolhe carinhoso, e a manhosa mima!


Perdoa-me nestes dias que minh'alma exorciza,
Só eu sei da solidão que ela tanto precisa,


P'ra recomeçar a amar novamente... a vida.


Tatiane Sales
(Minha gratidão e minha poesia)