terça-feira, 31 de maio de 2011

Melancolia









Ah, meiga melancolia,
Por que me enternecer assim?
Menina pulsa em demasia
O coração dentro de mim!


Melindrosa nesta noite fria,
Se, estou sozinha me apego a ti
E o papel que sobra e a caneta amiga,
Suavizam-me a dor enfim...


Sussurra palavra triste em melíflua,
Que a poesia brota sem pedir.
Torna mais doce minha agonia
E sob os versos irei dormir...


Tatiane Sales
(Minha poesia)


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segunda-feira, 30 de maio de 2011

O pé do enforcado


Ele não dormiu, mas levantou da cama naquele dia.
Havia um motivo como há muito não havia...
Não lavou o rosto, não trocou a roupa,
se dirigiu à mercearia.
Comprou dois metros de corda grossa,
com as mãos a testou com força.
Não se importou com a hostilidade do vendeiro.
Olhava para baixo, para o seu pé direito,
em seu desterro não pensava, não lamentava.
Paralisou os seus sentidos dos tantos ais e
silencioso já não soluçava mais.
O significado de toda uma vida nada era.
Todo um caminho o levou àquilo, ou seja, a nada.
A sua vida não mais que a dos outros agora lhe importava.
Parou no meio da rua inerte,
não sentiu a brisa em seu rosto, num carinho singelo
dos dedos de Deus dizendo: Não faça.
Não viu o sorriso de Deus no sol da praça.
Ele estava pálido, os olhos fundos.
Talvez se ele dormisse um sono sem interrupções, profundo.
Talvez se alguém o fizesse um chá quente, com um bom dia
e uma rosa,
mas ele não viu a rosa na mão da criança tocada pelo sol da praça.
Era firme os seus passos, o rosto lívido,
e no último instante de uma vida inteira covarde,
ele havia decidido!
E havia no seu rosto como há muito não havia,
um imperceptível sorriso...
Não percebeu que pisou em uma folha seca,
que a árvore de outono o presenteara.
Seu rosto era gélido, face inalterável.
Se seus olhos ainda choravam?
Talvez nem mais piscavam!
Entrou naquela casa suja, desordenada, mórbida;
Sem responder o olhar da vizinha velha amargurada.
Deixou o seu pacote na mesa,
e sentou-se pensativo na macabra cadeira.
Por lá ficou horas ou dias, não se sabe.
Pensou ou esperou, mas nada veio...
Mudo em seu fúnebre devaneio.
Então subiu naquela cadeira sem receio.
Olhou para cima, fitou a viga e pôs-se a laçar
um nó como escoteiro.
Parecia que toda a sua vida o preparara para o nó.
Com tanto afinco e destreza, ninguém jamais por ele
sentiria dó.
Enlaçou ao seu pescoço a corda como um colar,
porém sentiu uma esperança como há muito não sentia,
e por alguns momentos teve vontade de ficar...
Mas ao não se jogar nada veio.
Respirou mais fundo sem sofrer,
e teve ímpetos para morrer!
Definitivamente uma coragem o dominou
e se lançou.
A cadeira para o canto inalcançavelmente voou.
Ao sufocar se arrependeu, mas era tarde.
Então se entregou, se libertou,
e o seu pé direito como há muito não fazia,
ainda uma vez, dançou.
  

Tatiane Sales
(Meu poema)

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domingo, 29 de maio de 2011


sábado, 28 de maio de 2011

Frio de inverno










E nem ao menos uma poesia...
O sol da manhã não me traz alegria.
Frio está neste tempo de inverno
E gelado tornou- se até o meu inferno!

Sinto falta d'um tanto de fogo,
D'um dia de verão que não chegou de novo...

Eu grito por sol, tremendo a clamar.
Eu sei que está lá em algum lugar,
Mas é tão longe o astro alcançar
Este vento gélido a me congelar!

Falta-me poesia,
Sobra-me melancolia...

Na inércia de tempos gelados
Que imobilizam meus movimentos,
Meus pensamentos.
E tudo o que enxergo é este dia nublado,
Este céu nevoento sem ninguém ao lado...

Tatiane Sales
(Minha poesia)

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sexta-feira, 27 de maio de 2011

Ele, o Sol

Eu te amo no outono
Em suas folhas secas
Na melancólica tarde
Na dúvida e na certeza...

No ímpeto da tempestade
E no te amar no momento
Em que o vento sopra
O meu cabelo em movimento...

Quatro estações no peito
Nas falhas, no erro...
Estou tão apaixonada
E sinto tanto medo!

Eu te amo...

Nas canções doloridas e sonetos
Nas calçadas escuras do caminho
Em minhas lágrimas puras de lamento
No viajante perdido e sozinho...

Meu amor é um amante sem destino,
Estrangeiro nas terras do alheio.
Na aurora, no porvir, no breu infindo,
Meu pensamento em você o tempo inteiro.

Eu te amo...

Na esperança exalando aromas d'orvalho
No abrir das flores;
No que alenta meu dormir nos lençóis do quarto,
Imaculados amores!

Creio entristecida na esperança ao longe,
Que conforta em semente vida imaginar você.
A multidão macula a calma da noite
E eu te procuro sem te ver...

Meu espírito torna-se nublado,
Chove um choro sofrido.
Como o grave dum tenor calado,
Como o lírico duma dor num hino.

Eu te amo tanto quando estamos sós,
Também quando estou só num canto em prantos!
No refúgio do vinho que o sangue aquece,
Na respiração de ar frio que me enternece.

Perdão ao frio que gela o meu rosto
Pálido que a solidão causa.
Há liberdade na paixão? Quero voar neste verão,
Mas sinto-me em desgosto, aprisionada!

Embalo-me sob árvores intocadas.
Estou tão apaixonada
Na luz tranquila em que busco alívio
E na toada sentimental dum livro.

Nos raios do seu sublime olhar
É crer no céu, na redenção!
No permitir a sua voz em me chamar,
Meu coração pulsa em tempo vão...

Meu corpo exala flores de sentimentos
Na melódica Torna a Surriento
Na paixão do sol, o sorriso brota.
É você quem chama meu querido volta!

Meu amor traz paz?
Seu raiar conforta...

Tatiane Sales
(Minha poesia)

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quinta-feira, 26 de maio de 2011

Vazio, nuvem cinza

Já se sentiu como se nada do que fizesse em determinado período da vida, num ínterim, numa fase, desse certo? Ou pior, tudo o que você faz é errado nesse tempo? É assim que me sinto nestes meus dias vazios, mas repletos de erros. A neurolinguística não me ajudou muito sobre isso, pois nela o erro está na forma em que observo os acontecimentos. Posso não ser a maior das otimistas, mas sou muito esperançosa, e sei que é uma fase! Sei que passa! Vivo numa espécie de meio; meio vida e meio morte, onde cada movimento é sem ânimo... Já desisti de fazer o que realmente quero nestes dias, porque no final, sei, dará errado. Talvez essa meia morte seja pior do que a própria morte! Não queira estar nesse lugar, nesse meio, onde cada atividade é forçada. Vivo sem alegria, sabendo que minhas ações são da maneira que não deveria ser. Escuto isto toda hora... "Você poderia ter feito isso, você poderia ter feito aquilo... desse modo ou daquele modo...” A grande verdade é que eu não sei "como" deve-se fazer neste vasto mundo maldito! Não pedi para nascer. Nestes dias vazios repletos de erros, me sinto um erro, me sinto inepta e inapta, me sinto um nada.

Tati Sales

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Mas não me venha falar de metafísica!

terça-feira, 24 de maio de 2011

Avante



O jeito é respirar fundo, olhar ao redor e no espelho, e valorizar o que temos de melhor!
Ainda não acabou...
Ainda há muito a ver, errar e aprender.
Há algumas frases que me motivam em momentos de poço escuro:
"Sorri e ao notar que tu sorris todo mundo irá supor que és feliz..." e, "vou por aí a procurar rir p'ra não chorar!".
O jeito é seguir adiante, e ver onde isso tudo vai dar, pois "a esperança equilibrista sabe que o show de todo artista tem que continuar...".

Estou sorrindo querendo chorar como um pierrô palhaço, mas vamos em frente...
O teatro está-me sendo útil nestes dias de "finja fé e ela aparecerá".

T.S
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sexta-feira, 20 de maio de 2011

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Ando mais triste que um Pierrot depois do carnaval rumo ao mês de junho...




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domingo, 8 de maio de 2011

"Eu deixarei que morra em mim
o desejo de amar os teus olhos que são doces,
Porque nada te poderei dar
senão a mágoa de me veres eternamente exausto..."


Trecho de Ausência,
Vinícius de Moraes.
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sábado, 7 de maio de 2011

No circo


Na cidade entrou,
o circo chegou!
Lá estou!
Quem eu sou?
Sou a atração principal!
Fenomenal, sensacional!
Tornei-me estrela afinal...
Sob a lona amarela e vermelha,
que sob um céu repleto de estrelas,
depois do trapézio nos ares
e do vai e vem dos malabares,
sou eu quem rouba a cena!
Não... Não tenha pena...
Eu pinto uma risada no rosto
e maquio o meu desgosto
para o público rir!
Tropeço para a plateia aplaudir!
Com um nariz vermelho na cara,
corpo e roupa de dançarina clássica,
enceno desequilibrada
uma bailarina atrapalhada.
... E o público se diverte
com a minha pobre desgraça.
Eis a estrela que reflete:
Sou a bailarina palhaça!
Tatiane Sales
(Minha poesia)

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Teatro

Ofertar-te-ei verdades novas como rosas
Sob o manto de palavras transpostas
para um plano artístico em que generosos
gestos, estes, de minha generosa parte, encena
para não te magoar, te alegrar ou emocionar.
A verdade, como o teatro, é ou pode ser uma questão do ponto
de vista na imaginação da plateia.
É o olhar teatral na interpretação da que acredita
ou da ateia.
Sim ou não...
É uma questão de fé e visão.

Tatiane Sales
(Minha poesia)


segunda-feira, 2 de maio de 2011

Cadência










Foi criando que não criei
Foi organizando que não organizei
Foi tentando que piorei
E foi errando que acertei
Depois da tristeza sorri
Sorri para o mundo que nunca vi
Eu, o pintor que não pintava
Eu, o palhaço que não chorava
Não tinha boêmio naquela boemia
Pois o cigarro nem cinza tinha...

Mas este espinho ainda dá jasmim.
Ainda há samba nesta batucada
E tem cadência nesta bateria
Tem mestre-sala com alegria
Eu me encontrei nesta madrugada
Ainda há vida dentro de mim!
Minha perna de pau eu remendei
E consertando, não consertei
Foi tentando que piorei
E foi errando que acertei.

By Tati Sales and FabioToledo
(Nossa poesia)
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domingo, 1 de maio de 2011

La Luna

Você já viu hoje a lua
De opalina pendurada?
Esplêndida clareia a rua
Iluminando a madrugada.

Você já viu hoje a lua
Branca a noiva em sua grinalda?
Cheia a robusta nua
Como uma santa virgem grávida...

Você já viu hoje a lua
Clemente senhora alva?
Prateando a noite escura
Brilhando no céu da estrada?

Você já viu o olhar da lua
Que o amante extenuara?
Qual é a mágica sua
Feiticeira de tez pálida?

Deslumbrada pela lua
Vou-me embora encantada,
Mas deixa-me ela confusa
Num conflito, desolada...

Você já me viu olhar p'ra lua
P'ra linda virgem argentada?
Tenho inveja ou isso ofusca
Estar por ela apaixonada?

Sinto-me fascinada...

Tatiane Sales
(Minha poesia)

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